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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Transtornos do Sono na Infância


O primeiro mundo da criança é o útero materno e, ao nascer, seu mundo inicial torna-se sua mãe: o colo, o seio, o aconchego materno. Os gestos e carinhos com que a mãe toca seu filho recém nascido, a conversa simbólica cujo significado é mais sentido que compreendido pela criança, a sensação tranqüilizadora que a criança sente ao ter seu corpo aconchegado ao corpo da mãe e ao perceber os batimentos cardíacos no peito da mãe, são experiências primordiais que ficarão eternamente presentes na vida afetiva da criança.

A formação psicológica do adulto tem início na infância. Uma vida afetiva segura e saudável entre mãe e bebê é muito importante, mas no seu desenvolvimento, apesar da criança demonstrar maior independência de sua mãe quanto a suas atitudes individuais, entre os 3 e 10 anos de idade, as crianças necessitam do relacionamento afetuoso com os adultos, de um contacto que estimule segurança, confiança e proteção. Alterações e disfunções nas relações familiares e de cuidados maternos desde o nascimento e durante toda a infância, poder ter consequências ao longo de toda a vida.

Os cuidados essenciais na infância estão em oferecer à criança: relações afetivas saudáveis, vínculo seguro, autonomia, confiança e liberdade para expressar suas emoções. Deve-se evitar os cuidados excessivos e superproteção, pois a criança também precisa aprender a “cair e levantar”. Uma criança que fica no colo o dia inteiro para não se sujar, por exemplo, não aprender a engatinhar e, consequentemente, não aprende a andar. Superproteção gera insegurança na criança, que, futuramente, pode ocasionar o sentimento de dependência e incompetência.

Falhas ou excessos nas relações afetivas familiares com a criança, bem como dificuldades em organizar horários para dormir, sobrecarga de tarefas domésticas para a mãe, medo da perda dos pais, geralmente são as principais causas dos transtornos de sono na infância. Eis alguns exemplos:

Transtorno de associação com o início do sono – geralmente a criança, nos dois primeiros anos de vida não dorme “direito” (relatam os pais). A criança pode insistir em ser amamentada para dormir ou pedir a um dos pais que se deite com ela até que ela adormeça. O transtorno tem esse nome em função da associação que a criança faz com o ato de mamar ou ter um dos pais ao seu lado para conseguir dormir. Quando ela acorda, tem dificuldades para voltar a dormir, pois o objeto de associação não está presente. Então, a criança pode ficar irritada, chorar, acordar os pais etc. Neste caso se faz necessário uma mudança: perceber quando a criança está com sono e colocá-la para dormir; caso ela acorde no meio da noite, deve-se ir até o quarto e conversar num tom de voz lento e baixo, que passe segurança para a criança, para ajudar a acalmá-la e confortá-la, dizendo frases do tipo “é hora de dormir, é gostoso dormir, você está seguro(a) e protegido(a) porque estou aqui com você”. E quando a criança se acalmar saia do quarto. Pode ser necessário fazer isso muitas vezes até a criança desassociar a presença dos pais ou a mamadeira com o início do sono.

Transtornos do sono de 0 a 1 ano de idade – o sono é intimamente relacionado à saciedade, pois, durante os primeiros meses, o despertar está estreitamente vinculado à sensação de fome e o adormecimento à sensação de satisfação. No primeiro trimestre as dificuldades em conciliar o sono podem ser causadas por vários fatores: inadequação do regime alimentar, incompatibilidade dos horários da criança com os horários da mãe, falta de estímulos em geral, superestimulação capaz de provocar hiperexcitabilidade, ausência de contato materno, personalidade hiperativa da criança, falta de um ambiente mais acolhedor e tranqüilo, transtorno de Associação.

Transtornos do sono de 1 a 2 anos de idade - Nessa fase a criança se excita com todas novidades e possibilidades (engatinhar, andar, pegar...) e dormir não é somente uma resposta automática ás necessidades fisiológicas, pois a criança precisa abstrair-se de seus interesses, do brincar, por exemplo, para poder dormir, o que muitas vezes causa ansiedade e dificuldades com o sono. A criança busca manter sua mãe por perto (ansiedade de separação) e pode se utilizar de choro, birras, manhas etc. Os rituais para pegar no sono podem se tornar comuns, como: canções de ninar, histórias, bichinhos de pelúcia etc. Alguns fatores externos podem perturbar o sono nesta fase: irregularidade dos horários, ambientes barulhentos e agitados e a superestimulação de familiares.

Transtornos do sono de 2 a 5 anos de idade – a evolução do sono, a maturação cerebral e cognitiva e o funcionamento do organismo, caminham juntos. A partir do segundo ano de vida, a possibilidade de separação da mãe, pode se tornar um grande problema para a criança. Se durante o dia, quando a criança está acordada, não há uma estimulação e uma relação adequada entre mãe e filho, provavelmente, o sono será prejudicado em qualidade. Essa é uma fase muito propícia para o aparecimento do terror noturno, em função das fantasias da criança de separação da sua mãe. Entretanto, de modo geral, entre 3 e 5 anos de idade, o sono tende a entrar em um padrão de normalidade, muito embora, ainda possam haver episódios de pesadelos e as crianças solicitarem dormir com os pais. Ainda é possível nesta etapa: medo de ficar sozinho, medo de fantasmas e monstros, medo de escuro etc. Algumas crianças criam rituais, como chupar dedo, dormir com bichinhos, paninhos ou objetos para facilitar o dormir. Os medos tendem a diminuir com o tempo e a boa relação e apoio familiar.

Terror Noturno – é o terror durante o sono, em que a criança acorda gritando, gesticulando e chorando, num despertar abrupto, geralmente começando com um grito de pânico. A criança se agita e pede ajuda aos pais tentando se livrar daquilo que ela acredita que a está atacando. O terror noturno dura cerca de 1 a 10 minutos e os episódios são acompanhados de intenso medo. Durante um episódio, é difícil despertar ou confortar a criança mas, se ela é desperta após o episódio de terror noturno, nenhum sonho é recordado, ou então existem apenas imagens fragmentadas e isoladas. Os episódios de terror noturno para ser considerados Transtorno de Terror Noturno, devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional. Nas crianças, assim como em adultos, podem ocasionar um “dia seguinte” cansativo e extenuante. Alguns sinais autonômicos: taquicardia, respiração rápida, rubor cutâneo, sudorese, dilatação das pupilas, tônus muscular aumentado. Durante o episódio de terror noturno, a criança permanece meio dormindo e, em função disso, pode não reconhecer as pessoas e dizer palavras sem sentido ou irreconhecíveis, contudo, quando desperta e ciente da presença dos pais, tende a sentir-se segura.

Sonambulismo – Caracteriza-se por episódios repetidos de comportamento motor iniciado durante o sono, incluindo levantar-se da cama e andar. Tanto o adulto quanto a criança podem apresentar dificuldades de comunicação com outras pessoas. Os episódios de sonambulismo podem incluir uma variedade de comportamentos, desde simplesmente se sentar na cama, olhar em volta ou remexer no cobertor ou no lençol ou até se levantar, ir ao banheiro, sair do quarto, subir ou descer escadas, comer, falar e mesmo sair de casa. A criança sonâmbula se levanta durante a primeira parte da noite, agindo automaticamente, com os olhos abertos, olhar fixo e movimentos inseguros. Depois de andar algum tempo, costumam voltar à cama ou se deixam levar facilmente por qualquer pessoa. A idade de aparecimento do sonambulismo se dá entre os 7 e 8 anos, com mais freqüência em meninos.

Pesadelos - A criança com pesadelos se mexe muito, geme e geralmente acorda solicitando a presença dos pais e explicando aos mesmos os seus pesadelos. Elas são tranqüilizadas, embora tenham medo de voltar a dormir. Normalmente os pesadelos são expressão da ansiedade, concretizada em imagens dos sonhos que a criança vive como reais. O conteúdo do sonho focaliza, mais comumente, um perigo físico iminente, perseguições, ataques, ferimentos, morte. Em outros casos, o perigo percebido pode ser mais sutil, envolvendo fracasso ou embaraço social, como estar em situação vexatória, nu, mal vestido, enfim, qualquer situação traumática para (e só para) a pessoa que sonha.

Ao perceber que a criança apresenta um dos sintomas dos transtornos do sono, os pais ou responsáveis devem procurar especialistas no assunto para ajudar a criança a atravessar a etapa, que, dependendo do tipo de disfunção ou transtorno, pode ser muito difícil, tanto para a criança quanto para os pais. Existem terapias e orientações específicas para cada caso.

Beatriz Acampora – Psicóloga CRP 05/32030
Mestre em Cognição e Linguagem pela UENF

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