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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A HIPNOSE CURA?




Por João Oliveira, Psicólogo (CRP 05/32031)

Afirmar categoricamente que a hipnose cura é a mesma coisa que dizer, em ordem inversa de resultados, que o carro mata. Sabemos que o carro é construído para ser um veículo de transporte e que pode levar uma pessoa de um ponto a outro com sucesso trafegando em diversas velocidades e/ou indo por diferentes caminhos. Da mesma forma, o carro pode ficar parado estacionado por muito tempo no mesmo lugar ou, em algumas ocasiões, se envolver em acidentes, podendo até ser fatal aos seus usuários.

Não podemos nos esquecer de dizer que o carro existe em vários modelos e para muitos tipos de utilizações: carro de passeio, duas portas, quatro portas, carro de corrida, trailers, carros de luxo, carros conversíveis e muito mais. Na hipnose é a mesma coisa: temos diferentes tipos de abordagens com intenções e resultados distintos.

O desdobramento da utilização da hipnose é amplo. Para facilitar podemos dividir em dois grandes grupos:

- Hipnose de Entretenimento: Também conhecida como hipnose de palco. Esse perfil foi proibido no Brasil no mesmo decreto que regulamentou a hipnose em 1961 (Nº 51.009 de 22/07/1961) assinado pelo então Presidente da República Jânio Quadros. O decreto baniu o uso da hipnose em espetáculos de qualquer tipo ou forma, em clubes, auditórios, palcos, ou estúdios de rádio e televisão. Foi revogado pelo decreto Nº 11 assinado pelo Fernando Collor em 19/01/1991. Por isso, você pode se divertir assistindo na televisão pessoas comendo cebolas pensando serem maçãs ou imitando galinhas sob o efeito da hipnose de palco.

- Hipnose Clínica: Trata-se, como o próprio nome sugere, da hipnose voltada para o ambiente da saúde onde podemos encontrá-la sendo utilizada por: cirurgiões-dentistas, médicos, psicólogos, terapeutas, fisioterapeutas, enfermeiros, ou seja, o grande espectro que abrange o toque dos profissionais de saúde. Algumas profissões têm sua própria regulamentação quanto ao uso das técnicas da hipnose, mas, não é necessário em nosso país uma graduação específica para se tornar um terapeuta em hipnose. Bastando, para isso, uma formação adequada e a regularização para a atuação profissional.

Os modelos de atuação, dentro da própria hipnose clínica, são igualmente variados podendo ser ramificados de forma simples em cinco principais modelos:

 - Hipnose Comportamental – Voltada para a alteração no perfil comportamental da pessoa. Administração emocional, potencialização de qualidades, respostas assertivas e espontâneas as demandas dos ambientes profissional e/ou social/familiar e etc.

 - Hipnose no tratamento de fobias – Aqui se incluem todos os tipos de fobias que se pode imaginar, tendo técnicas diversas dependendo da intensidade e modelo apresentado. A Dessensibilização Progressiva é uma dessas técnicas que quando bem aplicada pode conduzir o paciente/cliente a obter resultados rápidos.

 - Hipnose para o emagrecimento – Muito na moda ultimamente com vários profissionais qualificados conquistando feitos notáveis com seus pacientes/clientes. Existem vários modelos de induções e sugestões que podem variar de implantes hipnóticos a alterações no estilo de vida.

 - Hipnose para a subtração de sintomas – Esse perfil exige um cuidado maior, pois como sabemos, todo sintoma está a serviço de alguma manifestação de descontrole interno que pode ser de âmbito emocional ou não. Nesses casos, quando os sintomas são mais severos, o aconselhável é que uma equipe multidisciplinar acompanhe o tratamento. O profissional psicólogo e o profissional médico são indispensáveis em casos graves.

 - Hipnose voltada para reabilitação – fantástico perfil da hipnose onde, mesmo sem movimentos físicos reais (somente na imaginação em estado alterado de consciência), o paciente/cliente é auxiliado a desenvolver de novo suas habilidades motoras perdidas por algum trauma físico ou AVC.

Poderíamos citar inúmeros outros tipos de abordagens, porém, acreditamos que esses sejam suficientes para demonstrar a grandiosidade dessa fabulosa ferramenta chamada Hipnose Clínica.

Voltando à comparação com os efeitos de um carro em relação às implicações da hipnose, existe apenas uma grande observação que deve ser feita: a finalização do processo no carro só depende do condutor, já na hipnose o sucesso só é alcançado com a total participação de quem é conduzido.

Por mais talentoso que seja o profissional de hipnose ele pode esbarrar com um paciente/cliente que tenha um ganho secundário muito forte com o seu sintoma/problema. Sendo assim, torna-se mais complexo o resultado esperado positivo sem uma ressignificação da estrutura emocional do sujeito.

“Dessa forma, o “interesse” da pessoa a ser hipnotizada é “regra fundamental que torna possível a hipnose”. Desprezar essa dimensão seria acreditar em um poder dominante ilimitado do hipnotizador que, na prática, não se constata”. (MARTINS, Francisco; BATISTA, Adalberto, 2002)

Também é necessário dizer que nem todo mundo pode se beneficiar da hipnose quando se trata da busca pelo resultado perfeito. Nessa categoria podemos citar alguns perfis:

- O paciente/cliente com problemas de ordem neurológica ou portador de debilidade mental que o prive da capacidade da estruturação do pensamento. Sem pensamento focal não há como atuar de forma eficiente com a hipnose pois, o sujeito não consegue alcançar o estado alterado de consciência que é fundamental nesse processo.

- Pacientes/clientes portadores de deficiências congênitas. Pessoas que nascem com um perfil de problema estrutural em um membro, órgão, glândula ou músculo. Desejar remissão total pode levar ao desencanto com o tratamento que, com toda certeza, pode ser útil para a superação das dificuldades enfrentadas.

- Paciente/cliente portador de doença hereditária. Praticamente se enquadra no perfil anterior. Existe uma predisposição metabólica que pode, independente do aspecto emocional, causar os sintomas. Claro que a hipnose é útil, mas não se deve esperar a superação total tendo em vista que o organismo possuir uma vocação natural para produzir os efeitos indesejáveis.

“Robles (2005) pondera que, para que um tratamento hipnoterápico atinja seu objetivo, é necessário que este possua uma meta; apenas dessa maneira saberemos para onde devemos levar a psicoterapia. Portanto, faz-se necessária a investigação dos significados, das angústias e das expectativas de cada paciente quanto a sua doença e sua vida, durante todo o processo do tratamento hipnoterápico”. (CAIRE, Lícia Ferreira, 2012)

O ideal é que, pelo menos, dois quesitos sejam aferidos para ter certeza que existe uma possibilidade de recuperação, no caso da abordagem está voltada para o tratamento onde seja necessária mudança física/orgânica/metabólica diante de um sintoma qualquer.

1- Que o paciente/cliente apresente a capacidade de manter foco de concentração durante alguns minutos, pelo menos, em uma única estrutura de pensamento.

2- Que exista alterações percebíveis conforme este paciente/cliente é estimulado psicologicamente em seu sistema nervoso parassimpático e simpático.

Essas duas condições nos revelam que o paciente/cliente possui facilidade de respostas internas. Isso é extremante útil para o tratamento alcançar êxito de forma rápida e segura.

Em todos os casos o acompanhamento médico é essencial. Jamais se deve substituir a terapêutica medicamentosa pela hipnose pura e simples. Entenda a hipnose clínica (contra sintomas) como uma ferramenta poderosa na potencialização de qualquer tratamento.

Já no perfil comportamental ou mesmo na reprogramação mental, outros cuidados devem estar presentes como, por exemplo, uma boa construção das sugestões, para que não ocorram conflitos éticos na personalidade do paciente/cliente.

Para finalizar: a hipnose sozinha não cura! Mas ela pode fazer parte de um processo capaz de levar a obtenção de uma saúde plena. É bom que se seja lembrado que uma ausência de sintomas não significa que a pessoa esteja absolutamente livre de qualquer mal já que saúde é algo mais amplo e toca tanto o aspecto físico do sujeito, onde surgem a maioria dos sintomas, como o psicoemocional que muitas vezes, dentro do desiquilíbrio, pode ser confundido com a própria personalidade do indivíduo.

“A presença do terapeuta, sua voz, sua gestualidade e, sobretudo, a ligação afetiva entre ele e o paciente proporcionam uma vivência material que atinge a fundo o sujeito em sua corporeidade, de maneira a poder desencadear processos internos e emocionais capazes de influenciar intensamente a experiência de dor, provocando um alívio que geralmente se inicia na sessão e, ao longo do processo, pode vir a se enraizar, de modo mais definitivo, nas novas formas de organização de tais processos”. (NEUBERN, Maurício da Silva, 2014)

Quem se cura é o próprio paciente/cliente que pode alcançar o resultado esperado da mesma forma que uma orquestra sinfônica, composta de diversos instrumentos e diferentes músicos, consegue executar uma harmoniosa melodia quando regida por um bom maestro. Um competente profissional de hipnose pode também ajudar a coordenar as diversas estruturas internas em conflito, extraindo o melhor que existe dentro de cada pessoa em busca do mais perfeito resultado possível.

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Referências:

CAIRE, Lícia Ferreira. Hipnose em pacientes oncológicos: um estudo psicossomático em pacientes com câncer de próstata. São Paulo: Psico-USF, v. 17, n. 1, p. 153-162, jan/abr 2012.

MARTINS, Francisco; BATISTA, Adalberto. Atos de fala e hipnose. Belo Horizonte: Psicol. rev. 8(11): 92-104, jun. 2002.

NEUBERN, Maurício da Silva. Hipnose como proposta psicoterápica para pessoas com dores crônicas. Curitiba: Psicologia Argumento, nº 77 abril/jun 2014.

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