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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O QUE VALE NO VALE, VALE AQUI?


O QUE VALE NO VALE, VALE AQUI?

Por João Oliveira

O Vale do Silício não é um território demarcado no mapa com linhas precisas. Ocupa, na Califórnia, uma área que começa no sul da baia de São Francisco e inclui muitas cidades como: Redwood City, Menlo Park, Palo Alto, Los Altos, Mountain View, Sunnyvale, Cupertino, Santa Clara e San Jose. Nelas estão as maiores (e mais prósperas) empresas desta era de inovação digital. O aparente centro gravitacional de tudo isso é a Universidade de Stanford em Palo Alto.

Com uma abundância de jovens talentos com ideias disruptivas, lá existe um cultura organizacional, aparentemente única. Se isso é um fato que pode ser transformado em um protocolo de ação, porque o mesmo sucesso não ocorre em outras áreas no mundo?

Não é por falta de tentativas. Muitas cidades criaram modelos semelhantes com incentivos a startups de tecnologia, mas o resultado ficou longe de ser igual. Segundo o Global Startup Ecosystem Report 2019, elaborado pela Startup Genome, o perfil de hoje coloca o Vale em primeiro lugar seguido, de muito longe, por New York, Londres, Pequim, Boston, Tel Aviv e Los Angeles. São Paulo aparece na lista como um ecossistema promissor, mas, em uma posição distante dos demais.

Todos os indicadores incluindo o número em empresas e resultado financeiro do Vale do Silício destoam de forma significativa de quaisquer outras áreas que, teoricamente, competem pelo primeiro lugar em agrupamento de startups de tecnologia. Pelo que se pode notar, mesmo que seja replicado as mesmas condições de apoio técnico e financeiro, por parte governamental, o resultado não se repete.

O segredo do que se observa hoje, como sucesso alcançado, faz parte de uma cultura organizacional impossível de ser transcrita como um protocolo de uma única empresa, pois, é a própria estrutura mental do Vale. Podemos tentar desmembrar em alguns itens:

1 – Qualquer ideia deve ser validada: Em uma reunião em 14 de junho/2019 na The Vault, em São Francisco (CA-EUA) com Fernando Figueiredo, brasileiro que é co-founder e CEO da OAKTECH, empresa de estratégia global e internacionalização, ficou claro que a cultura aceita qualquer ideia nova desde que possa ser validada. Um exemplo disso é LiLou, o porquinho terapêutico do Aeroporto de São Francisco. Alguém teve a coragem de apresentar um projeto que afirmava a importância de um porco circulando pelo aeroporto para acalmar os passageiros nervosos e, o gestor, teve a coragem de colocar essa ideia em prática para ser validada. Hoje é um sucesso!

2 – Desenvolvimento de grupos para trocas de ideias: Laís de Oliveira, brasileira que desponta como Diretora de Desenvolvimento de Comunidades na Startup Genome (essa mesma que faz o levantamento dos ecossistemas de startups) com sede em São Francisco nos fala da importância da criação de grupos com origens diversas. As comunidades podem, pela sua miscigenação, gerar ideias novas, parcerias produtivas e, além de tudo, financiamentos mútuos. Os projetos podem se intercambiar – sinergia – gerando desafios impossíveis de serem alcançados por uma só pessoa: parceira é tudo nesse ambiente.

3 – Para ter abundância deve-se compartilhar: Bruno Solis, da Kong Inc. hoje executivo de contas para América Latina com sólida experiência em vendas de sucesso, fala com orgulho dos mais de 600 mil usuários de seu sistema que não pagam um centavo sequer. No entanto, o faturamento da Kong é de vários milhões de dólares. Sua base é oferecer plataformas de código aberto e serviços em nuvem para quem deseja gerenciar, monitorar e escalar Interface de Programação de Aplicativos e Microservices. A base do pensamento é que, quando você distribui, o mercado pagador retorna aceitando o preço da credibilidade alcançada.

4 – O talento deve ser valorizado: Vinícius Depizzol, brasileiro do estado do Espirito Santo, um dos principais Designers no escritório da Microsoft Corporation na Market St em São Francisco disse que hoje, no cultura do vale, há um grande cuidado da empresa em manter seus colaboradores o mais seguros e confortáveis possível. Não é o horário de saída ou entrada no prédio da empresa que vai trazer a solução da demanda. Muitos colaboradores passam mais tempo trabalhando em casa do que na empresa e, com responsabilidade e engajamento, apresentam os resultados em seus devidos prazos.

5 – Não dispensar o passado por conta do futuro: Com Martin Spier, arquiteto de performance da Netflix, numa conversa no Steins Beer Garden em Cupertino, CA – EUA, sobre cultura organizacional e a liberdade que deve ser colocada à disposição dos colaboradores, foi ressaltado algo muito interessante: a Netflix ainda entrega DVDs mensalmente a milhões de usuários. Como uma empresa que é líder mundial em streaming ainda carrega esse peso? A resposta foi direta: é um mercado de milhões de dólares. Embora a tecnologia esteja à disposição muitas pessoas, por motivos quaisquer, preferem o velho DVD. A Netflix, que começou dessa forma, não abre mão desses clientes e mantém toda estrutura para atendê-los, mesmo que o retorno não seja o mesmo do modelo atual.


6 – Pensar diferente sempre - A consultora sobre o ecossistema do Vale, Mariangela Smania, quando conduz o seu treinamento “Path to Innovation” pelo campus da Universidade de Stanford reforça a estrutura valiosa do Design Thinking: olhar o todo e os detalhes para inovar. Não basta apenas saber a necessidade e ter a solução, muitas pessoas desenvolveram produtos e serviços fantásticos que não tiveram êxito ou foram ultrapassados rapidamente pela concorrência. O pensamento disruptivo é um talento, mas pode e deve ser replicado com a utilização de técnicas apropriadas.

São apenas alguns pontos que podemos extrair da cultura reinante no Vale que, pelo que vemos, apresenta resultados. Este texto trata-se de um pequeno resumo das principais ideias que nos foi possível colher no mês de junho de 2019 quando estivemos imersos nesse ambiente do Vale do Silício.

Não é a chave do segredo, mas é uma porta importante que vem dando resultados significativos na inovação de grandes e pequenas empresas.

A ARMADILHA DO BOM QUEIJO



Por. João Oliveira

A acomodação, pela sensação de conforto e estabilidade, pode limitar em muito a real produção que um profissional poderia ter em sua carreira. Pessoas simplesmente param de buscar crescimento porque, por comparação, se encontram em melhor posição que seus pares. O olhar, no entorno, vicia como uma armadilha invisível criando uma ilusão de faixa de chegada:

- “Cheguei ao máximo de minha carreira!”. Essa frase finalista pode estagnar uma vida que poderia contribuir mais com a empresa, família, sociedade e (obviamente) consigo mesmo.

Sabemos, pela programação neurolinguística e os informes dos neurocientistas, que o cérebro adora novidades, mas, detesta mudanças. Vivemos buscando padrões para explicar tudo que nossos sentidos podem captar. Por isso, é difícil dormir com uma torneira pingando: não há padrão perfeito entre uma gota e outra o que gera um ruído sem cadência rítmica. O cérebro não gosta muito de coisas sem um padrão previsível.

Assim, sempre que for possível detectar uma relação confortável entre produção e rendimento (retorno financeiro) com certa estabilidade previsível é possível ocorrer uma paralisação pela busca de crescimento profissional. Esse perfil é muito comum em servidores públicos de uma forma geral, mas, também existe em bom tamanho em todos os perfis de atuação dos seres humanos desde dos pequenos comerciantes aos renomados profissionais liberais.

A justificativa mais encontrada, quando se questiona ao individuo sobre sua escolha em deter o próprio desenvolvimento profissional é que ele – reponde prontamente - não é ganancioso ou, que não vive apenas em busca de retorno financeiro. A frase campeã é:

- “Prefiro qualidade de vida a uma vida só de trabalho!”.
Não há nada de errado nisso e são boas falas, na verdade, o problema é que pode não corresponder a plena verdade dos resultados que poderiam ser alcançados caso existisse a motivação certa.

Durante o lançamento de uma campanha para casa própria no Estado do Rio de Janeiro pelo valor de R$ 1,00 (isso mesmo: um único e mísero real por uma casa popular) um grupo de amigos psicólogos trabalhava na captação de possíveis futuros moradores. O perfil procurado eram moradores de rua, pessoas que viviam em condições sub-humanas e moradores de comunidades carentes. Um dia encontraram uma família que residia sob uma ponte em um valão fora do perímetro urbano e, não havia argumentação suficiente para demover a ideia à família em deixar a arriscada condição de vida.

Em dado momento o chefe da família argumentou que isso iria gerar despesas que eles não tinham até o momento, como: IPTU, conta de água, de luz e até mesmo gás. O psicólogo então, como última forma de convencimento disse:

- “Mas, aqui de vez em quando, ocorrem cheias e a água chega a cobrir até mesmo a pista sobre ponte”.

O senhor, fechou o semblante, abaixou a cabeça e terminou a conversa com o seguinte argumento:

- “É só uma vez por ano!”.
Nós, seres humanos, estamos muito bem preparados para defender as crenças que temos como verdade pessoal. Por isso temos guerras. Como, então, uma empresa deve agir em seu corpo laboral afim de estar sempre motivando o crescimento de seus colaboradores?

Os treinamentos são bem-vindos sempre. No entanto, quando o foco é provocar a busca pelo crescimento deve-se ter o cuidado de saber direcionar o resultado para a própria instituição, quando for o caso de uma empresa ou, para o amplo mercado quando o foco for profissionais liberais.

Pode ser que sua empresa não lhe oferte essa oportunidade e a única forma de estar nela é ficando justamente no seu lugar, mantendo essa conhecida segurança. Casa surja o desconforto e a necessidade de escalar novos degraus o jeito é deixar de fazer parte da instituição. Por isso, eventos motivacionais dentro das instituições devem ofertar quais possibilidades estão disponíveis em seu próprio ambiente. Caso contrário, o risco de perder elementos será inevitável.
Um outro exemplo de como isso pode ser danoso: quando uma grande empresa pública foi privatizada no Rio de Janeiro, na década de 80, um grupo de recrutadores visitou todas as unidades pelo interior do estado fazendo a seguinte pergunta aos antigos funcionários:

- “Há quanto tempo o senhor está nessa função?”.

A linha de corte foi os que estavam estacionados há mais de dez anos. Não interessava à nova administração pessoas sem ambição. Para eles, isso era um forte indicativo de falta de pró-atividade.
Uma avaliação pessoal deve ter uma agenda recorrente. Em nossa cultura é normal essa checagem ocorrer no final ou começo de um novo ano ou nos aniversários natalícios.

Muitos planos, várias metas e uma curta memória para mudança. Basta lembrar dessa frase que elaborei em um de nossos livros:

“A única constante na vida é a mudança constante na vida”.

Se prepare para crescer mais um pouco ainda hoje!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DO DIABO


Por João Oliveira

Aposentado, vivia ele em uma pequena casa no campo junto com sua família: mulher e quinze filhos (pequenos demoniozinhos). Passava os dias pensando no quanto ele tinha sido poderoso e havia perdido espaço para maldade humana. Sem função, muitas vezes ficava lendo na frente da casa ou varrendo o quintal para passar o tempo.

- Acho que meu apogeu foi na primeira guerra mundial! Nada supera uma batalha nas trincheiras...

- Não, não... foi o Titanic... como era fácil de se aproveitar da soberba humana naquela época. Fazer com que dividissem os botes salva-vidas metade de cada lado do navio. Só um idiota para pensar que isso daria certo.

Falava ele, sozinho, enquanto segurava a vassoura com as duas mãos apoiando o pontudo queixo no cabo.

- Ô de casa! – gritou um homem no portão.

- O que é? Não vê que estou ocupado?

- Correio, seu Satã...

- Ah... deixa eu ver do que se trata! – E, pegando a carta, começou a ler o que estava escrito nela.

- Convidamos vossa senhoria para uma reunião da Hino... – Arregalou os olhos!

- Pirâmide!! – Gritou enfurecido – Marketing multinível!! Esse povo perdeu o respeito?? Fui eu quem inventou isso para construir pirâmides no Egito!! Fui eu!!! E esse povo não me teme???

- Calma seu Satã! - Disse o carteiro – Eles mandam isso para todo mundo!

- Pior!! Muito pior: Não sou todo mundo!

Virou as costas e foi se sentar num velho banquinho de madeira.

- Onde já se viu... me convidar para uma reunião armadilha de vendas... É por isso que não tenho telefone fixo em casa...

A mente do idoso demônio se revirava tentando encontrar uma resposta para o seu melancólico fim.

- Foi a internet – pensava ele – Só pode ter sido esse tal de nudez que tirou meu poder.

- Não! – Duvidava ele – Não foi isso: foi a invenção da televisão. Depois que começaram os comerciais o povo ficou mais afoito para ter as coisas e perdi o controle da maldade no mundo. Só pode ter sido isso.

- Ah! Mas também a vulgarização da minha presença – Justificava o tinhoso – Toda e qualquer igrejinha de rua cria paródias satirizando o meu poder.

- Isso não pode ficar assim! – Gritou ele para o vazio!

Andando de um lado para o outro começou a arquitetar um plano malévolo.

- Deixa eu ver aqui... não tem mais espaço para a maldade porque tem maldade de mais no mundo. O velho barbudo perdeu o controle também e nem quer mais saber desse mundo. Eu, estou por aqui e ainda posso atuar...

- Mas, como? Como posso reverter as coisas...

Num súbito uma epifania ocorreu! Como se um anjo do céu tivesse tocado uma trombeta em seu ouvido direito ele gritou:

- Akerue! – que é eureka ao contrário.

Foi o primeiro sorriso largo que ele deu desde o dia 6 de agosto de 1945 às 8h15 da manhã quando o Enola Gay abriu as comportas para deixar Little Boy cair, sobre Hiroshima, no Japão.

– Já sei o que fazer! Vou espalhar a bondade! Isso mesmo! Vou fazer com que as pessoas se tornem boas e, quando elas estiverem todas santificadas, volto a fazer o meu serviço de maldades trabalhando intensamente cada segundo! Para mim o tempo não importa mesmo! Vou começar amanhã de manhã!

Começou a dançar sobre suas patas com cascos de bode como um desenho animado sem ossos. Suas pernas e braços giravam em todas as direções sob a cadência de uma música imaginária.

- Está fazendo o quê sua besta? – Uma voz feminina grita na janela.

- Amor! – fala docemente o coisa ruim – Tive uma ideia: vou voltar a trabalhar!

- É vai fazer o que sua besta? Vai apagar o sol de novo? Olha a dor na coluna que você sente quando faz frio... Deixa de vagabundear e vai no mercado para mim, compre enxofre que estou fazendo o jantar!

- Manda um dos demoniozinhos. Não vê que estou ocupado pensando?

- Larga de ser vagabundo. As crianças estão quietinhas vendo o jogo do Flamengo na tv (leia-se Corinthians se estiver em São Paulo).

- Não vou não! Não sou seu escravo! – Se rebelou Satã.

- Vai ficar sem jantar então. Eu me viro com as crianças e você vai jantar na rua, se quiser, para largar de ser preguiçoso.

Nesse ponto, amigo leitor (não escrevo leitora porque, lendo rapidamente, algumas pessoas entendem como sendo *leitoa*), você já se deu conta que a última tentação do Demônio foi ter se casado com a pessoa errada tal qual a música sofrência propõe.

- Para de dançar sua besta inútil vai no mercado antes do apocalipse!

Caso sua esposa o incentivasse ele poderia ser qualquer coisa além de um velho rabugento que vive do passado. Uma boa pessoa, ao seu lado, pode ajudar muito a direcionar projetos.

Então, querido leitão (está escrito *leitor* tenha certeza disso e pare de ler rápido assim), saiba escolher o seu cônjuge muito bem. Ele (ou ela) será sua lente de aumento para suas capacidades ou deficiências.

- Ou não? - Pensou ele finalmente – Deixo as coisas como estão. Em algum momento eles se matam todos e começamos o mundo de novo. Tomara que, da próxima vez, sejam três no paraíso... aí já começo a bagunçar na raiz sexual do problema.

domingo, 1 de dezembro de 2019

PADRÃO POR PADRÃO


Estamos acostumados a ver, ler e ouvir grandes mestres do RH mundial com ideias, protocolos de atendimento, histórias motivacionais e um infinito volume de conteúdo voltado para o desenvolvimento pessoal e profissional.

Isso é ótimo! Como professor universitário utilizamos os Cases de Harvard em sala de aula com nossos alunos de pós-graduação. A instituição onde atuamos mantém essa parceria que enriquece de forma fantástica nosso ambiente de troca de conhecimentos.

Também é possível entrar em qualquer boa livraria e sair com as bolsas cheias de volumes e mais volumes de livros voltados para esse tema em particular; acessar canais do Youtube e assistir aulas muitas vezes em tempo real e, para finalizar o perfil midiático atual, temos os podcasts que nos trazem os gurus direto para o nosso cérebro enquanto estamos nos transportes públicos indo e vindo todos os dias de casa para o trabalho.

Ocorre que, muitas vezes, nos esquecemos que nenhuma receita de bolo contém o sabor do resultado. Isso porque, o que lá se aplica aqui pode não funcionar.

Como exemplo, podemos apresentar duas potencias financeiras que aportaram no Brasil e, com o seu modo de operação padrão, não resistiram a Lei do Gerson que impera por aqui. O HSBC e o Citibank finalizaram ou mudaram sua forma de interagir com o mercado financeiro no mesmo lugar onde outras instituições – nacionais – possuem faturamento recorde a cada ano.

Para quem não está familiarizado, a Lei do Gerson se refere a um antigo comercial de TV sobre uma marca de cigarros que oferecia um tamanho maior no produto pelo mesmo preço. O famoso jogador de futebol Gerson, finalizava o anúncio dizendo: - Porque brasileiro gosta de levar vantagem em tudo. Certo?

Emblemático slogan que não caiu somente no gosto popular, era o reflexo da cultura nacional das relações de negócios que, pelo visto, impera até hoje em muitos setores comerciais.

Desde a promoção da Black Friday que, no Brasil é metade do dobro de ontem, até a impossibilidade de se ter um atendimento digno na hora de cancelar um plano de telefonia ou pacotes de TV por assinatura. Algumas empresas não se colocaram no século XXI e estão praticando um ritual de Harakiri (Suicídio ritualístico japonês) em câmera lenta.

De fato, nossa cultura inverte a falta de estrutura e de responsabilidades dando, a quem se submete a sacrifícios, dotes heroicos. É comum encontrar nas redes sociais textos que glorificam pessoas que andam quilômetros para ir à escola, filha de faxineiro que virava noites estudando para passar no vestibular de medicina, pessoas afrodescendentes que conseguiram cargos de alta remuneração.

Elas não são heróis: são vítimas. Como grande parte de nossa população.

Independente das questões políticas envolvidas e do tipo de atuação no mercado que temos, é necessário separar o joio do trigo e saber que protocolos podem funcionar aqui ou, como podemos adaptá-los à nossa realidade.

Uma vez tivemos uma situação no interior do México onde o vendedor se recusou a vender um produto pelo preço que ele mesmo havia apresentado. Ele disse que esperava uma negociação, um diálogo e não apenas uma relação fria comercial. Da mesma forma que a cultura comercial em alguns países da África e quase todas os mercados existentes na Índia. Todos esperam uma boa conversa com o cliente, criar um elo emocional, nem que seja aos gritos.

Pensar sobre isso requer amadurecimento e ética. Maquiavel diz em seu livro O Príncipe (escrito em 1513):

“... pois, um homem que queira fazer em todas as coisas profissão de bondade deve arruinar-se entre tantos que não são bons.” (MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. 3ª ed. Trad. Maria Júlia Goldwasser. São Paulo: Martins Fontes, 2004)

Na visão simplista do comerciante sem escrúpulos esse é o dito de maior valor, lhe dá o direito de agir como quiser sobre a sociedade – mercado consumidor- se ele detém monopólios.

A verdade oculta nesse trecho é que, o profissional que deseja sucesso no mercado deve conhecer as armadilhas e facilidades criadas pelos seus concorrentes em busca de ampliação de sua base de clientes.

Receitas de bolo feitas em outras fronteiras não trazem o tempero brasileiro que precisa ser traduzido em nova versão. Como disse Tom Jobim: - “O Brasil não é para principiantes.”

Antes de usar conhecimentos fantásticos que deram certo no mundo todo, faça ao menos uma pequena pesquisa de mercado.

Fórmula mágica só existe em conto de fadas.


Por Prof. Dr. João Oliveira

sábado, 16 de novembro de 2019

FORÇA E PODER


Por Prof. Dr. João Oliveira

Qualquer indivíduo que atua profissionalmente em algum setor deseja, ao menos, se manter em sua posição. Já outros pensam em progredir, crescer dentro de sua área de conhecimento e, quem sabe, alcançar outras possibilidades de aplicação de suas habilidades: desenvolvimento profissional.

Já sabemos que para uma caminhada segura dentro de qualquer organização, e mesmo fora, é necessário um mínimo de organização e competência. Isso é o básico. Qualquer pessoa que preencher esses requisitos poderá desfrutar de uma vida produtiva e tendo os seus méritos por isso durante toda sua carreira.

Os que desejam mais devem ter em mente que uma progressão funcional só ocorre quando a organização, ou seu público alvo, percebe que existe uma diferença entre você e os demais que compõem seu grupo de trabalho ou concorrência.

O que faz essa diferença? Como ela pode ser percebida?

As estantes de autoajuda nas livrarias estão cheias de títulos que prometem o gigantismo de qualquer um em apenas algumas poucas lições. É fato que um protocolo bem estabelecido é muito bem-vindo e que também é possível moldar um comportamento para colher resultados.

No entanto, a prática pode ser difícil e regras conhecidas, mas não aplicadas no dia a dia não resolvem muita coisa. Mudar pode até ser fácil, por um dia, manter as melhorias no cotidiano, de forma inconsciente e natural, é o grande segredo.

Óbvio que isso tem tudo a ver com a personalidade de cada um. Algumas pessoas são naturalmente líderes e terão um caminhar mais suave no ambiente produtivo do que outras.

Então, antes de mais nada, é necessário saber o nível de comprometimento que uma pessoa pode dispor para um investimento em seu próprio desenvolvimento pessoal. Qual a capacidade de imprimir esforço e energia em prol de uma real mudança no escopo comportamental e emocional?

Nesse momento devemos separar dois conceitos que fazem toda diferença nos resultados: força e poder.

No começo de qualquer tipo mudança é necessário impor uma certa quantidade de força. Ocorre que nossa mente adora uma novidade, mas detesta uma mudança. O conformismo instalado após anos pensando: - “Somos assim!” quer persistir e dificultar a aceitação da afirmação mais verdadeira: - “Estamos assim!”.

Dessa forma, a imposição da força para estabelecimento de novas rotinas é fundamental para que em algum tempo ocorra a transformação que irá gerar o objeto desse esforço: o poder.

Quando se normatiza um modelo de ser, o entorno reage. A reação do mercado, dos colegas de trabalho, dos gestores, dos concorrentes, dos familiares e amigos será na igual medida da força empreendida para a real mudança. Será que vale o sacrifício?

De fato, qual o modelo que pretende alcançar? É necessário levar em conta o tempo necessário para o preparo das habilidades imprescindíveis. Alguns modelos podem levar anos para serem plenamente alcançados e as limitações de cada um devem ser levadas em conta.

Por isso, metas alcançáveis devem ser programadas até o objetivo final. Caso isso não seja mensurado a probabilidade de desistência do processo é muito alta. O que pode dar alívio aos que pretendem se aventurar com magnitude em uma real alteração de padrão é que, uma vez estabelecido, o modelo permanece.

Dificilmente um indivíduo que alcança patamares diferenciados, galgando degrau por degrau, retorna em queda livre. O crescimento sólido e custoso é sempre bem alicerçado. Já os que recebem, sem esforço, posições diferenciadas – por sorte ou azar – podem encontrar muita dificuldade de se manter no topo e, muitas vezes, a decadência ocorre com brevidade.

Não há modelo perfeito e nem existe padrão que não possa ser alcançado. Tudo vai depender da capacidade de comprometimento de cada um e a real vontade de mudar. O dia de amanhã terá a mesma quantidade de horas que todos os dias passados em nossas vidas. A diferença virá de acordo com a utilização desta plataforma de trabalho chamada tempo.