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domingo, 13 de janeiro de 2013

O INIMIGO COMUM





Por Prof. Msc João Oliveira - Psicólogo -

                O reino estava completamente dividido. Naqueles tempos vários principados espalhados pelo vasto território montavam seus próprios exércitos e, quase sempre, existia um ou outro confronto fronteiriço. O rei estava preocupado em arrumar uma solução para voltar a ter o controle total, de fato e direito, da nação. Todos os pequenos governantes haviam sido nomeados por ele, ocorre que o tempo passou e hoje são os filhos destes nobres que estão no poder das armas, jovens cheios de atitudes que não possuem uma lealdade, a toda prova, para com o rei e, o mais perigoso, podem se unir e reivindicar a coroa em algum momento. Tornava-se cada dia mais urgente uma iniciativa que desse fim a essa situação crescente.

                Uma ideia veio ao rei através de um de seus sábios e, para efeito, mandou convites para todos os governantes e seus filhos: uma grande reunião, um jantar de gala, no palácio iria ocorrer. Em paralelo o Rei contratou um mercenário e o deixou a cargo de matar, durante o trajeto para o palácio, um dos convidados, o mais popular e querido por todo o reino: o administrador das Terras do Norte, que faz fronteira com o Reino Polar.

                Serviço executado, o rei imediatamente prende e manda arrancar a língua, dedos e cegar o mercenário. Além disto, o veste com roupas próprias do povo do Reino Polar. Estava Pronto o cenário para o jantar!

                O Rei apresenta o assassino e, em um só golpe o mata na frente de todos. Do bolso do morto ele retira planos de ataque supostamente elaborados pelo Reino Polar contra quase todos os povoados desta nação iniciando o ataque pelas terras do administrador morto. Isso cria uma imediata comoção e, com sua boa oratória, o rei clama por justiça: “- É necessária uma ação antes que eles invadam as terras do norte e o restante de nosso reino! O reino precisa de um grande exército! Todos vocês aqui presentes agora são parte deste esforço de guerra!” 

                A própria emoção do momento foi suficiente para ofuscar razão e o rei, de plano pensado, assumiu o comando de um volumoso exército, síntese dos soldados de todos os principados reunidos. Cada legião foi – estrategicamente – misturada à outra para quebrar a hegemonia do antigo comando e facilitar as ordens da nova hierarquia. Levados à guerra, o rei, de forma silenciosa, ordenava os possíveis futuros concorrentes à sua coroa, para as batalhas mais difíceis. Eliminando assim, um a um, seus próprios comandantes mais poderosos.

                Tudo deu certo como ele havia planejado e, após a guerra – onde nunca há vencedores – o reino destruído precisava ainda mais dele: um líder carismático! Por tudo isso ele ainda deve estar reinando naquelas terras distantes no tempo.

                O artifício do inimigo comum, ou também conhecido como “bode expiatório”, é muito utilizado em todos os momentos em que alguma crise pode mudar a estrutura de poder ou existe uma perturbação na ordem instituída. Não precisamos pensar muito para associar este método às guerras da atualidade. Motivar uma nação contra um único objetivo tira o foco de atenção dos problemas internos que poderiam ser resolvidos caso houvesse real interesse.

                Outra forma de criar a “cortina de fumaça” são as calamidades e pragas que ocorrem de tempos em tempos. Situações assim produzem líderes, falsos avatares midiáticos, que se sujam na lama ou carregam crianças no colo clamando apoio de toda população. Os meios de comunicação de massa se encarregam de tornar o evento uma celebração da desgraça em escala global.

                Em nosso ambiente também podemos fazer o mesmo movimento, as vezes de forma absolutamente inconsciente,  quando escolhemos uma ovelha negra na família ou um vizinho barulhento como alvo para a congregação das atenções e diálogos. Um parente doente, que necessita da atenção e cuidado de todos, faz cessar ânimos menores entre os membros da mesma família. Até clima cotidiano pode ser transformado em ponto focal de distração ao real: “- Como chove hoje hein?”

                Quando falamos em manipulação de massas raramente pensamos que uma epidemia pode ser usada como forma de indução coletiva. Como alguém poderia se aproveitar de um momento de crise social para coordenar vantagens para determinados grupos ou, usar este ambiente como base eleitoral?

                O mundo é feito de pessoas como nós. Que podem ser transformadas pelo meio, situação, interesses em manipuladores do vento. Para que tal não ocorra é necessário, antes de tudo, conhecimento do bem e do mal.

“O príncipe que quer fazer inteiramente profissão de homem de bem não consegue evitar sua perdição entre tantos outros que não são bons.” (N. Maquiavel)

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