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quinta-feira, 17 de maio de 2018

ONDE ESTÁ A SOLUÇÃO?





O universo organizacional está repleto de treinamentos e palestrantes motivacionais de todos os gostos e perfis. Ter uma agenda voltada para o desenvolvimento interno é imprescindível, extremamente salutar e necessário para manter a equipe produtiva e caminhando na mesma direção. No entanto, antes de criar um programa de treinamento ou montar uma programação com palestrantes é necessário detectar quais são as necessidades da sua instituição: qual é o problema que precisamos resolver?

                Um Levantamento de Necessidades (LN) deve ser elaborado para ajustar as ações que serão implementadas e, que estejam alinhadas com as reais necessidades da instituição. Para isso muitos cuidados devem ser tomados para que o LN seja feito de forma correta e consiga extrair as informações adequadamente. Descobrir as falhas é o primeiro passo no planejamento de um bom programa de treinamentos.

                Antes de mais nada é bom deixar claro que isso não se trata de uma medida corretiva. Não estamos tentando solucionar o problema nesse momento e sim, procurando evitar a reincidência desses problemas no futuro. Com o pensamento voltado para esse formato, se torna mais fácil conseguir as informações, pois não se está buscando culpados nem ações que podem soar como punitivas. Ter o apoio de todos os envolvidos é muito importante para que o LN tenha sucesso.

                A verdade é que o LN deve ser uma rotina dentro da empresa que se preocupa em estar sempre à frente de seus concorrentes e prestando o melhor serviço/produto/atendimento ao seu cliente. Para tal podem ser usados vários mecanismos como, por exemplo:

Questionário
Avaliação de desempenho
Discussão em grupo
Reuniões interdepartamentais
Entrevista estruturada
Pesquisa de clima organizacional
Pesquisa de satisfação de clientes

Existem ainda muitos outros mecanismos que a criatividade e multiplicidade estrutural da instituição podem criar. Importante ressaltar que, com a rede mundial de comunicação, hoje é possível alcançar o cliente mesmo ele estando distante no espaço físico e, além do tempo da aquisição do produto ou serviço. Assim, a empresa pode se fazer presente ao questionar se o produto/serviço está de acordo com as expectativas do cliente anos depois de sua primeira aquisição.

Após a coleta de dados e a descoberta dos pontos de fratura, é necessária uma perfeita identificação e interpretação das necessidades reais de treinamento. Assim pode-se começar a focar nos pontos relevantes para o delineamento do programa de treinamento.

Primeiro ponto: Público Alvo – Um programa de treinamento deve direcionar as informações no formato específico de seu público alvo. De nada adianta usar uma linguagem única para públicos diferentes. Quanto maior for a empresa mais diversidade teremos e, com isso, formas de comunicação ineficientes em alguns setores. Separar os diferentes públicos alvos que necessitam de treinamento, identificando a melhor forma de passar a informação, é um ponto decisivo no sucesso ou fracasso do seu programa de treinamento.

Segundo ponto: Objetivo e Período – Qual o resultado esperado e quanto tempo temos para isso? O interessante é que quando uma empresa passa por dificuldades de mercado, o primeiro ponto que se pensa em cortar para diminuir os custos é o programa de treinamentos e, quando se lança um programa de treinamento, espera-se um retorno em curtíssimo prazo. Um absoluto contrassenso. Para que tudo possa fluir é bom definir claramente quais são os objetivos que devem ser alcançados em um tempo possível sem falsas expectativas.

Terceiro Ponto:  Definição do Tema e Metodologia – Após definir os objetivos fica mais claro quais os temas que devem ser abordados e, qual a metodologia que será utilizada no processo.  Nesse ponto um novo leque se abre e é necessária uma atenção maior.

Qual a melhor forma de se passar informações para o corpo laboral? Podemos ficar na tradicional sala de aula ou colocar todo o treinamento no sistema de Educação a Distância (EAD). Melhor ainda se os dois processos forem usados. O treinamento presencial unido ao aprofundamento do EAD.

A vantagem do EAD é a possibilidade da multiplicidade de conteúdo: vídeoaulas, palestras, conferências, formulários, questionários, testes, estudos de casos e etc. Já o presencial possibilita a interação dos participantes com as dinâmicas de grupos, jogos para gestão de pessoas, dramatizações e etc.

No momento atual, onde todos possuem acesso à internet, o ideal é, após todo o processo descrito, lançar mão das duas metodologias. A plataforma Moodle de EAD, por exemplo, é gratuita e muito fácil de se operar. Não há necessidade de um longo período de adaptação pois, é intuitiva.  Como sempre, as empresas que não se adaptarem à velocidade de mudanças do mercado irão sucumbir diante de outras mais ágeis.

O segredo não é somente descobrir onde está o problema e corrigir pontualmente. Claro que isso também possui seu valor, mas, providenciar a solução adequada com um processo de LN rotineiro e treinamentos contínuos é garantia, para toda linha temporal futura, que os atores produtivos estarão sempre refletindo o melhor de sua instituição e contribuindo como parceiros para o sucesso da mesma.

Por Prof. Dr. João Oliveira


UMA LUZ NA FRENTE DO TÚNEL





A jornada de trabalho, que antes poderia chegar até 16 horas por dia nos primórdios da estruturação trabalhista, agora pode nem sequer existir como evento cotidiano. Crescemos, assim, bem ao estilo de Tempos Modernos de Charlie Chaplin ou do pensamento de F.W. Taylor que, sem o árduo trabalho devidamente organizado não existe produtividade. Essas imagens parecem que já estão geneticamente programadas e fazem parte da natureza humana.

O poeta português Bulhões Pato (1828 – 1910) em sua obra O Rei e o Sapateiro deixa claro a expectativa do humilde trabalhador diante da possibilidade de crescer profissionalmente em qualquer ramo de atividade no século XVIII:

"Ribeiros correm aos rios,
Os rios correm ao mar;
São tudo leis deste mundo
Que ninguém pode atalhar:
Quem nasce para ser pobre
Não lhe vale o trabalhar!"

                Jamais poderia o poeta prever o surgimento de modelos de negócios como as startups que privilegiam o estilo de vida. Boas ideias valem mais do que muito trabalho e podem ter rentabilidade duradoura no universo consumista da internet.

                A base da indústria, até então, era de fabricar um produto para cada pessoa. Não se pode distribuir a mesma panela para várias donas de casa nem o mesmo carro para muitas famílias. Os modelos de negócios que surgem com a internet alteram esse formato ofertando o mesmo produto ou serviço para múltiplos usuários simultaneamente em vários nichos de mercado diferentes. Assim, a linha de produção ocorre uma única vez para a materialização de cada produto e, após isso, a divulgação e manutenção passam a ser figura de primeiro plano. O produto, em si, pode ser distribuído milhares de vezes tornando desnecessário uma grande força de trabalho voltada para a produção.

                Claro que, nenhuma empresa de sucesso deixa de produzir novos produtos. No entanto, esse atual design de negócios abre uma incrível janela de oportunidade para muitos profissionais que podem ser inseridos. A quebra do padrão existente em conjunto com a possibilidade de rendimentos constantes tem atraído muitas pessoas para esse ramo de atividade. Exclua-se aqui a rigidez do relógio de ponto e a obrigatoriedade do deslocamento diário para um local específico destinado a produção, somente isso já garante um novo perfil de aproveitamento do tempo, principalmente em grandes cidades, onde as idas e vindas podem levar até três horas de vida todos os dias.

                Como sempre existe uma nova crise em curso, deve também existir uma solução. A antiga frase: “Enquanto uns choram outros vendem lenços” deve ser relembrada da mesma forma que sabemos da existência da lei da gravidade. O mercado exige de nós velocidade de resposta e as oportunidades podem não ter mais o mesmo escopo de nossas primeiras escolhas e, nem ao menos, exigir de nós o mesmo esforço e tempo.

                A oportunidade de criar um novo modelo de negócio por estar dentro da nossa própria estrutura que, em alguns casos, pode necessitar apenas de algumas pequenas modificações. Trata-se de um movimento contínuo que retrata a máxima conhecida de Darwin: “- Sobrevive a espécie que melhor se adapta ao ambiente”.

                Todos os países do mundo já viveram momentos de crise. O melhor exemplo de como uma estrutura forte pode surgir de uma crise arrasadora é o Japão. Mesmo depois de receber duas bombas nucleares e ter o país destruído pela guerra conseguiu se transformar em uma potência mundial graças a capacidade de trabalho inovador de seu povo.

                Podemos ter vários exemplos motivadores e, vale a pena pensar, se um dia nossa própria história de sucesso poderá também se transformar em um “case” para ser discutido. Sair do lugar comum não é tão difícil como parece se for possível investir no capital humano o único elemento transformador dentro desse contexto. Se recursos forem deslocados para o preparo dos colaboradores (treinamentos, cursos e etc) algo deve ocorrer na direção da nova produtividade.

                A liberação das amarras do tradicional modelo da relação do homem no ambiente de trabalho limita a capacidade criativa e, com isso, abafa novas possibilidades de surgirem as reais ideias inovadoras. O tempo laboral pode ser alterado ou, mesmo no tempo concreto, mecanismos que incentivem o novo modo de pensar, devem ser disponibilizados para que os colaboradores tenham a oportunidade de aplicar suas potencialidades.

                Pensar que tijolos colocados uns sobre os outros é a única forma de se construir um muro é retroceder a uma era antes da globalização. Ter a mente aberta e permitir diversos formatos de procedimentos na esfera institucional é garantir uma larga probabilidade de estar sempre colocando algo diferenciado para o mercador consumidor.

                A paralisação dos esforços em busca de surpreender os clientes é garantir uma retração de vendas ou prestação de serviço em pouco tempo. Caso não faça isso outros o farão e, como aprendemos logo no início da jornada nesse ramo, quem oferta mais qualidade pode até ter um preço um pouco maior, mas sempre acaba conquistando o cliente.

                Criar um deslocamento da imagem natural do que até então entendemos por trabalho e produção pode significar a quebra do paradigma mais presente na mente de quase todos os seres humanos: somente com muito trabalho se consegue alcançar o sucesso. E se, na verdade, a luz estiver no começo do túnel e não ao final?
                O pensamento reinante é que o sucesso é para poucos e que só surge após longo e penoso esforço. Verdade é que existem vários tipos de sucesso da mesma forma que existem várias modalidades de trabalho. A criatividade pode poupar muito trabalho físico (modelo mais comum de pensar esforço) e tornar o caminho até o sucesso menos doloroso para quem dela se apropria. Todavia é minimamente necessário colocar as ideias em prática e arriscar ser bem-sucedido ou não.

                Não é necessário um grande pátio de estoque ou inúmeros colaboradores para estar presente produtivamente no mercado global. A capacidade de se alcançar um cliente nos dias atuais é completamente diferente de poucos anos atrás. Mesmo as instituições que funcionam de modo puramente presenciais já encontram modelos de treinamento a distância. Existe alguma dúvida sobre o crescimento do universo de ensino EAD?

                Assim, pensar se tornar o ato de trabalho mais requisitado em qualquer instituição que busque o sucesso. Visão ampla de campo e a capacidade de obter informações atualizadas todo o tempo se tornaram apenas mais uma das competências técnicas e comportamentais requeridas em qualquer processo de seleção.

                Priorizar o estilo de vida, como bem sabemos, nos dá longevidade. Saber escolher onde e como investir nosso tempo produtivo pode ser o segredo para obtermos resultados que vão além do retorno financeiro. Sempre existe a possibilidade de estruturar atividades produtivas desde que exista o preparo, um plano de ação e, principalmente: novas ideias!
              

Por Prof. Dr. João Oliveira

CRESCIMENTO PROFISSIONAL



Não é trabalho fácil elencar as competências necessárias para cada função, projetar uma política salarial que seja justa com os colaboradores ao mesmo tempo em que está de acordo com as estratégias da organização e, além disso, traçar um caminho seguro por onde o profissional pode trilhar seu crescimento dentro da instituição.

A elaboração organização de um Plano de Careira pode trazer muitos benefícios como possuir um quadro de colaboradores adequado às necessidades da organização; evitar divergências de remuneração; ajudar a reduzir a rotatividade e o absenteísmo; contribuir para a motivação dos colaboradores, aumentar a produtividade e qualidade dos serviços realizados e ainda, oferecer excelente oportunidade para o crescimento profissional e ascensão dos colaboradores na empresa.

Sendo assim, vale à pena o esforço para se ter um Plano de Carreira mesmo que sua empresa esteja apenas começando e não tenha um número grande de funções. Na verdade, é bem mais fácil começar uma empresa já construindo o Plano de Carreiras do que instituir tal procedimento quando a organização já cresceu o suficiente para ter prejuízos pela sua falta.

Uma boa empresa de consultoria de RH é a melhor opção para o desenvolvimento do Plano de Carreira. O olhar externo e imparcial terá sempre um melhor resultado por não estar envolvida diretamente no processo interno da empresa. Não se trata apenas de uma questão de idoneidade e sim de questões emocionais comuns aos participantes de ações como essas.

A primeira etapa é um mapeamento da posição atual fazendo uma avaliação da organização ponto a ponto: cargos, salários, hierarquização, estratégias implantadas e necessidades de RH. Descobrir quais são os postos de trabalho, qual o perfil de remuneração direta e indireta e como está esse posicionamento em relação ao mercado, mapear o organograma mesmo que já exista um desenho pronto e levantar junto ao departamento de RH as intervenções já realizadas com foco na valorização dos colaboradores e suas pendências.

A fase inicial consiste no diagnóstico, é como tirar uma fotografia holográfica da instituição buscando ser o mais fiel possível a realidade instalada. Aqui, todo cuidado é pouco para não existir nenhuma contaminação com pretensões futuras. Apenas o existente deve constar nos relatórios que serão elaborados, pois esses serão usados como plataforma para as etapas posteriores.

A segunda etapa pode ser a mais complexa, pois é a fase da preparação do planejamento estratégico. Nessa faze, deve ser feita uma minuciosa descrição dos perfis dos cargos (incluindo características técnicas e comportamentais) – os gestores devem ser a fonte principal para essa construção. Na sequência, os próprios colaboradores em seus cargos, podem colaborar para uma exata descrição de cada perfil. Caso necessário, pode ser feita a elaboração de uma nova política salarial ou atualização da mesma visando valorizar a progressão de cargos. É importante também a elaboração da progressão dentro dos cargos (movimentação vertical ou horizontal) – previsão de promoções com aumento salarial ou com a manutenção do ganho financeiro visando a aplicação de novas aprendizagens e a possibilidade de crescimento na organização. Outros passos importantes são a apresentação dos requisitos necessários para as promoções e tempo para cada uma aconteça. O sistema de progressão e o mapeamento e avaliação do desenvolvimento das competências dos colaboradores devem ficar claros, para isso a aplicação de testes psicológicos e dinâmicas de grupos podem ser bastante uteis nessa fase do trabalho. E para finalizar, deve-se fazer o levantamento das necessidades de treinamento, indicações e orientações direcionadas para o Plano de Carreira, lembrando que o tempo de workshops e palestras comuns para todos já passou. As ações devem ser objetivas e focadas nas necessidades levantadas de acordo com a gestão por competências para serem melhor absorvidas pelas equipes. Nenhuma empresa é linear em suas funções, portanto as necessidades são diferentes.

Não tenha dúvida de que em algum momento poderá surgir uma reação negativa caso não exista um processo comunicacional bem gerenciado. Isso faz parte da Cultura Organizacional, que sofre intervenções ao longo do processo. O diálogo é essencial, por isso é importante fortalecer a comunicação interna.

Pronto? Ainda não! Há mais uma etapa composta pela avaliação das necessidades de recolocação e/ou promoção dos colaboradores na organização, afinal, durante todo o processo, um raio “x” foi tirado de cada elemento e é possível saber se algum colaborador está sendo mal aproveitado na função. Também pode ser que essa mesma avaliação tenha apresentado necessidade de processos seletivos e abertura de novas vagas. Quando um Plano de Carreira é bem realizado, esta última etapa ocorre naturalmente, uma vez que os cargos estão todos mapeados e já se conhece as necessidades da organização.

O processo é trabalhoso, depende de empenho e de mão obra qualificada. No entanto, todo o esforço será recompensado com um quadro de colaboradores motivados por saber que possui uma estrada pavimentada em direção ao futuro dentro da própria instituição.




Por Prof. Dr. João Oliveira

O DIA DE MINHA MORTE





            A história que vou contar agora é absolutamente verdadeira, juro pelos meus cabelos! Pode até ser que você não acredite, mas isso não é problema meu. Sinto que devo compartilhar e pronto: agora vou falar!

            Estava caminhando pela orla, em um dia de sol (vide foto) quando percebi que estava sendo seguido de perto por alguém. Me virei e notei uma sombra escura pairando no ar. Algo realmente medonho e que, no primeiro momento, me assustou. Mas, a sombra foi se materializando e percebi que era o estereótipo da morte e, como bom psicólogo que sou, deduzi que estava tendo uma alucinação positiva devido a quantidade de água de coco que havia bebido momentos antes.

- Bom dia senhor João, sou Azrael, o anjo da morte e seu xará em árabe (Xuão). Podemos conversar um pouco?

            A voz grave que saia debaixo do capuz não me assustou. Mas, a possibilidade de ser xará do anjo da morte era algo que até então não sabia.
- Claro que sim xará, quer se sentar aqui no quiosque? – Disse sorridente.
- Porque não? Claro! Nossa conversa pode ser longa.
            Dito isso, nos sentamos no antigo Quiosque Le Trois na reta da Siqueira Campos, Posto 3.
            - Sabe – disse a Morte em seu tom cavernoso – Estou com um pequeno problema e preciso de sua ajuda para resolver. Veja aqui essa minha agenda.
            Colocou em cima da mesa um monte de papeis velhos com inscrições impossíveis de se ler.

            - Nosso encontro estava agendado para amanhã... veja aqui: um ônibus desgovernado na esquina da Constante com Nossa Senhora... as 10h45 da manhã. Parece que o senhor estava indo na farmácia comprar... bom, isso não é de meu interesse. Está vendo aqui?

            - Como é que é? Eu vou morrer amanhã?? – Disse já me arrumando para sair correndo.

            - Calma, calma... o problema é justamente esse. Amanhã tenho um atentado em Cabul, um avião que cai na Ásia e uma situação de terremoto aqui nessas ilhas – disse apontando no mapa para um ponto no pacífico.

- Então – continuou a morte – Tenho de fazer escolhas, assim como todo mundo, e não poderei estar por aqui nessa hora. Dessa forma, o senhor não irá morrer amanhã.

- Mas, isso é uma boa notícia, não é?

- Para o senhor talvez sim...Para mim não. Ocorre que temos um protocolo muito sério e o senhor têm um monte de padrinhos no departamento. Veja só a lista (puxou outro papel velho cheio de rabiscos e desenhos infantis): Indra, Anúbis, Emothep, Jagannath ... pera aí? Quem é Ultra Seven?

- Como o senhor disse: um de meus padrinhos poderosos. Mas, o que isso significa de fato?

- Que, como a falha operacional é minha, fica facultado ao senhor a possibilidade de escolher o dia que deseja morrer, ou melhor, as condições do dia em que deseja morrer. Apenas deve ser no Rio de Janeiro, já que a data original era para ser aqui.

- Posso escolher a data em que vou morrer?

- Não! Pode escolher as condições gerais no dia em deseja morrer. Tipo assim: chuvoso ou com sol, dia de festa, feriado... essas coisas.

- Posso escolher agora? – Disse com firmeza.

- Pode sim, na verdade o senhor tem de escolher agora.

- Um momento só... bebe algo? Vou pedir uma cerveja gelada.

- Só tequila.

- Jorge! – chamei o garçom – Traz duas Margaritas caprichadas!

            A morte parecia inquieta e em um tom mais cavernoso ainda disse:

- Decida-se agora!

- Pensei um pouco – disse calmante – E gostaria de ser levado no dia em que não tivesse nenhuma ocorrência de crimes ou assaltos no Rio de Janeiro e que todos os ônibus da cidade tivessem ar condicionado. Essa condição está dentro do seu protocolo?

            A morte deu uma longa gargalhada. Virou-se para o garçom e gritou:

- Jorge, traz a garrafa de Tequila, dois limões e sal. A conversa vai ser longa mesmo.
            Olhou para mim e pela primeira vez vi seus olhos vermelhos.

- Senhor João, viver muito não é garantia de saúde... lembre-se disso.

- Sim, eu sei estou me cuidando... então, está aceita a minha condição?

- Sim, está. Mas, já que estamos conversando. O senhor já escolheu o seu candidato? Veja só, estou em campanha pelo Bolsonaro... o senhor pode me ajudar com o seu voto?

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O AMOR ESTÁ NA CARA




A casa estava em silêncio quando Roberto, sentado no sofá, levantou o rosto pela primeira vez durante toda a conversa com Carla:

- Acabou! Não insista mais! – Disse em tom sóbrio e lentamente.

- Como assim? Porque está fazendo isso comigo? – Carla chorava e as palavras saiam de sua boca de forma silábica.

Roberto se levantou. Caminhou em direção ao pequeno bar da sala e pegou uma pequena garrafa de vinho branco. Abriu com facilidade e depositou o conteúdo em uma taça larga, mais apropriada para conhaque.

- Lembra a noite em que nos conhecemos no Lagoon? Show do Thiaguinho se não me engano...

- Sim, sim... como iria me esquecer da noite mais importante de minha vida: o dia em que te conheci! – Carla, sorriu ao dizer isso.

  - Pois bem, eu não queria te revelar isso ... na verdade eu tinha esperança de mudar o seu ponto de vista a meu respeito e...

- Do que você está falando??? – interrompeu ela bruscamente a fala do Roberto.

- Do seu interesse em mim pelo que tenho e não pelo que sou.

- Você está louco. Te amei no primeiro minuto que te vi e ainda amo do mesmo jeito.... cada segundo destes cinco anos foram os mais felizes de minha vida.

- Acredito que tenha sido os mais felizes sim – Disse Roberto novamente com a cabeça abaixada, como se desejasse evitar o olhar de Carla – Mas, não por mim...  sim pelo que tenho a possibilidade de te ofertar com os recursos que tenho.

- Você está dizendo que estou com você por interesse? – Gritou Carla.

Roberto sorveu o vinho calmamente. Voltou a se sentar no sofá, mas, dessa vez, o olhar estava firme na direção da face de Carla:

- Quando nos encontramos pela primeira vez você olhou para o meu relógio “Baume & Mercier” e sorriu. Poucas são as pessoas que sabem quanto vale um relógio de pulso dessa marca. Na sequência, antes mesmo de olhar meu rosto com mais cuidado, você olhou para os sapatos e, tenho certeza, reconheceu a marca “Capotacco” sorriu novamente... para os meus sapatos: você sorriu para os meus sapatos antes de sorrir para minha face! Entende o que isso significa?

Carla se levantou e falou em tom forte com o corpo inteiro na direção de Roberto.

- Você está maluco? Eu achei você atraente, elegante... só isso! O que você está insinuando? Vamos diga logo!

- Já disse: você só ficou comigo por conta de meu dinheiro e nada mais. As mulheres, quando encontram um homem pela primeira vez focalizam o olhar em dois pontos específicos para uma avaliação de masculinidade: ombros e queixo. Depois varrem a face em focam na área entre o nariz e os lábios durante a conversa.

- O que você está falando? Ficou maluco? – Gritou Carla.

- Espere não acabei. Caso exista o interesse real as narinas se expandem levemente em busca de feromônios no ar. E isso Carla, isso não aconteceu. Da mesma forma que eu esperava ver uma sibilação de seus lábios durante a minha fala, uma demonstração natural de excitação sexual... isso também não aconteceu. Em momento nenhum, naquela noite, você demonstrou interesse real em mim...

- E como você explica nossa química? Como você explica nossas noites de amor?

- Carla, dinheiro e poder também excitam... Mas, tem mais, eu quero te falar de todos os detalhes...

- Diga então?

- Veja só, acho que é melhor você tomar conhecimento de tudo de outra forma. Dê uma hashtag  #afacenaomente e se inscreva na próxima turma de Linguagem Não Verbal do Dr. João Oliveira... tenho certeza que você irá concordar comigo sobre tudo que disse e muito mais. Por falar nisso, seu músculo prócero, entre o nariz e a sobrancelha, se movimentou agora... acho que você não vai procurar esse curso.


http://bit.ly/nao_verbal_rio

#afacenaomente

quinta-feira, 10 de maio de 2018

OS POMBOS DE TESLA



Era o ano de 1942, Tesla, com 85 anos, já havia acabado de tomar seu café matinal no Hotel New Yorker onde residia há alguns anos e se pôs a caminhar até o Central Park para alimentar os pombos.


Pouco havia o que fazer. O dinheiro já não existia em seus bolsos e todas as glórias do passado já estavam desaparecendo de sua memória. Só lhe restavam os pombos do Central Park e, em especial, uma pomba belíssima que considerava como sua esposa.


- Bom dia! – disse ele se sentando no úmido banco e saudando os pombos que já se avizinhavam em busca de alimento.


- Trouxe algo especial hoje para todos e um pedaço de torta de nozes para minha amada.


Os pombos formaram uma verdadeira confusão sob seus pés, mas uma bela pomba, a tal especial, pousou em seu colo.


- Como vai minha amada? Veja, trouxe um pedaço de torta de nozes só para você.


A pomba olhou para a face de Tesla e disse:


- Meu amado. Porque insiste em manter uma relação comigo. Sabes que nunca serei sua esposa de fato.


Tesla riu fracamente. Suas forças tinham se esgotado na longa caminhada do hotel ao parque.


- Não fale assim minha amada. Fui e continuo sendo celibatário. Jamais toquei em uma mulher para preservar minhas energias. Todo o meu ser foi direcionado para minhas invenções. Essas que mudaram o mundo em que vivemos, mas que me abandonaram na miséria.


- Não vou te abandonar meu amado. Mas, não posso ser a companhia que precisa em sua vida. Não quero te decepcionar agora que falta tão pouco tempo.


- Sim, verdade, falta pouco tempo para a verdade final. Acho que no inverno não virei ao parque trazer grãos. O frio pode cobrar caro... devo me preservar mais ainda.


- Amado. Estás sozinho por escolha. Sabes que irá morrer em uma noite fria sem ninguém ao seu lado. Sabes que, após a sua morte, muito se lamentarão e que, só após isso será glorificado como um grande inventor.


- Sei, sim sei. E estou ansioso por isso. Na morte serei glorificado como o gênio não reconhecido em vida.


- Amado – disse a pomba cabisbaixa – não venha mais aqui. Eu me despeço hoje do mundo. Devo partir na madrugada. Estarei te esperando, com outra forma, no portal que separa os mundos.


- Não faça isso! Como irei viver sem você?


- Não se preocupe com isso. Nos veremos em breve.


Tesla deixou a mais seca lágrima do mundo descer pela face. A pomba voou para longe, ele se levantou para a longa caminhada de volta ao hotel. Depois daquele dia nunca mais voltou para alimentar qualquer pombo no parque. Era mês de outubro de 1942, Tesla morreu sozinho em seu quarto de Hotel em 7 de janeiro em 1943, aos 86 anos.


Nunca se casou, não teve filhos, morreu em meio a muitas dívidas em vários hotéis e restaurantes. Suas escolhas, que limitaram sua vida, foram em prol de uma humanidade que o abandonou completamente.


Caso esteja lendo este texto agradeça a ele em pensamento. Se em sua casa existe luz, aparelhos elétricos, motores de todas as espécies... agradeça a ele. Com certeza você iria preferir lhe pagar uma refeição ou um Chopp (quem sabe), mas isso não é mais possível.


Ocorre que podemos observar esse exemplo de vida de duas formas:


1) Pessoal – que preço pagamos pelas nossas escolhas? Será que vale a pena o sofrimento que impomos a nós mesmos pensando em privilegiar outras pessoas?


2) Social – somos capazes de reconhecer aqueles que fazem por nós? Valorizamos as pessoas que, de alguma forma, se sacrificam para nos ofertar algo de bom?


De certo, que, para as duas perguntas, existem respostas diversas. Não existe uma resposta mais correta que outra.


No entanto, podemos ampliar nossa capacidade de analisar como fazemos escolhas e quem devemos valorizar em nossas vidas.


De preferência, valorizar enquanto ainda podemos pagar um almoço ou um Chopp, quem sabe?


Por Prof. Dr. João Oliveira

sexta-feira, 4 de maio de 2018

ESTRUTURANDO O PLANO DE CARREIRA



Um bom plano de carreira construído por uma instituição deve ter sempre como foco principal a gestão de gente para um melhor aproveitamento dos perfis nos cargos certos. Não é trabalho fácil elencar as competências necessárias para cada função, projetar uma política salarial que seja justa com os colaboradores ao mesmo tempo em que está de acordo com as estratégias da organização e, além disso, traçar um caminho seguro por onde o profissional pode trilhar seu crescimento dentro da instituição.

Quando essa estrutura está bem montada a organização têm os seguintes benefícios: 


  • Quadro de colaboradores adequado às necessidades da organização; 
  • Evita divergências de remuneração; 
  • Ajuda a reduzir a rotatividade e o absenteísmo; 
  • Contribui para a motivação dos colaboradores, aumento da produtividade e qualidade dos serviços realizados; 
  • Para os colaboradores é uma excelente oportunidade para o crescimento profissional e ascensão na empresa. 

Então vale à pena o esforço para se ter um Plano de Carreira mesmo que sua empresa esteja apenas começando e não tenha um número grande de funções. Na verdade é bem mais fácil começar uma empresa já montando o PC (Plano de Carreiras) do que instituir tal procedimento quando a organização já cresceu o suficiente para ter prejuízos pela sua falta.

Uma boa empresa de consultoria de RH é a melhor opção para o desenvolvimento do PC: o olhar externo e imparcial terá sempre um melhor resultado por não estar envolvida diretamente no processo interno da empresa. Não se trata apenas de uma questão de idoneidade e sim de questões emocionais comuns aos participantes de ações como essas.

A primeira etapa é um mapeamento da posição atual fazendo uma avaliação da organização ponto a ponto: cargos, salários, hierarquização, estratégias implantadas e necessidades de RH. Descobrir quais são os postos de trabalho, qual o perfil de remuneração direta e indireta e como está esse posicionamento em relação ao mercado, mapear o organograma mesmo que já exista um desenho pronto e levantar junto ao departamento de RH as intervenções já realizadas com foco na valorização dos colaboradores e suas pendências.

A fase inicial consiste no diagnóstico, é como tirar uma fotografia holográfica da instituição buscando ser o mais fiel possível a realidade instalada. Aqui, todo cuidado é pouco para não existir nenhuma contaminação com pretensões futuras. Apenas o existente deve constar nos relatórios que serão elaborados, pois esses serão usados como plataforma para as etapas posteriores.

A segunda etapa pode ser a mais complexa pois é a fase da preparação do planejamento estratégico onde começa a surgir o PC propriamente dito:

a) Deve ser feita uma minuciosa descrição dos perfis dos cargos (incluindo características técnicas e comportamentais) – os gestores devem ser a fonte principal para essa construção. Na sequência, os próprios colaboradores em seus cargos, podem colaborar para uma exata descrição de cada perfil.

b) Elaboração (caso necessário) de uma nova política salarial da empresa ou atualização da mesma visando valorizar a progressão de cargos.

c) Elaboração da progressão dentro dos cargos (movimentação vertical ou horizontal) – previsão de promoções com aumento salarial ou com a manutenção do ganho financeiro visando a aplicação de novas aprendizagens e a possibilidade de crescimento na organização.

d) Apresentação dos requisitos necessários para as promoções e tempo para cada uma dessas promoções - O sistema de progressão deve ficar claro nesse ponto.

e) Mapeamento e avaliação do desenvolvimento das competências dos colaboradores - para isso a aplicação de testes psicológicos e dinâmicas de grupos podem ser bastante uteis nessa fase do trabalho.

f) LNT – levantamento das necessidades de treinamento, indicações e orientações direcionadas para o plano de carreira – o tempo de workshops e palestras comuns para todos já passou. As ações devem ser objetivas e focadas nas necessidades levantadas de acordo com a gestão por competências para serem melhor absorvidas pelas equipes. Nenhuma empresa é linear em suas funções, portanto as necessidades são diferentes.


Agora começa a terceira fase, a execução de todo planejamento estratégico montando: implementação das ações. Não é a mais complexa, afinal todo o trabalho pesado já está pronto. O problema é a C.O. (Cultura Organizacional) que sofrerá uma intervenção. Não tenha dúvida que uma reação negativa irá surgir caso não exista um processo comunicacional bem gerenciado. O diálogo é essencial, por isso é importante fortalecer a comunicação interna através de estratégias como a intranet, house organ e reuniões focadas em comunicação e feedback.

Pronto? Ainda não, a quarta etapa é composta pela avaliação das necessidades de recolocação e/ou promoção dos colaboradores na organização, afinal, durante todo o processo, um raio “x” foi tirado de cada elemento e é possível saber se algum colaborador está sendo mal aproveitado na função. Também pode ser que essa mesma avaliação tenha apresentado necessidade de processos seletivos e abertura de novas vagas. Quando um plano de carreira é bem realizado, esta última etapa ocorre naturalmente, uma vez que os cargos estão todos mapeados e já se conhece as necessidades da organização.

O processo é trabalhoso, depende de empenho e de mão obra qualificada. No entanto, todo o esforço será recompensado com um quadro de colaboradores motivados por saber que possui uma estrada pavimentada em direção ao futuro dentro da própria instituição. 


Por Prof. Dr. João Oliveira








quinta-feira, 3 de maio de 2018

REMUNERAÇÃO SOCIAL



A preocupação em diminuir o índice de fatores que pode gerar estresse no ambiente de trabalho está se tornando o ponto central de atenções de qualquer setor de RH comprometido com uma boa produtividade. Isso vale até mesmo para o quadro de perfis profissionais onde o dia a dia comum já reflete, em sua própria natureza, o que entendemos por estresse, como os profissionais de saúde que atuam em setores de emergência, por exemplo.

De uma forma geral, podemos encontrar em milhares de colaboradores uma ausência de segurança pessoal, provavelmente por não se sentirem competentes o suficiente dentro da instituição. Querer provar, a todo momento, sua própria capacidade também é um dos elementos que mais leva ao estresse e, como bem sabemos, os efeitos vão incidir diretamente na saúde física e no rendimento final.

Ocorre que nessas situações de pressão o corpo se prepara para uma reação física e mobiliza recursos internos, o que acaba por consumir muito do organismo. Se isso se mantém por longos períodos de tempo, acaba por influenciar diretamente no sistema imunológico, possibilitando o surgimento de vários sintomas e doenças, tais como: infecções, diabetes, pressão alta, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral, depressão e o aumento da agressividade. Como se isso não fosse suficiente, a expectativa de vida obviamente diminui também.

A resposta que Marc Lalonde, então ministro da saúde no Canadá na década de 70, encontrou com sua famosa pergunta: - “De que morrem os canadenses?” Simplificou a problemática em quatro questões básicas: ambiente, estilo de vida, biologia e serviços. Dessas, duas podem ser tocadas diretamente pela instituição: ambiente e estilo de vida.

O cuidado com o ambiente laboral para que este possa refletir o melhor que a empresa possa ofertar aos seus colaboradores, englobando desde a melhor iluminação possível até a ergonomia atenta aos cuidados com a postura. Tudo para apresentar um local onde o indivíduo se perceba seguro e feliz por ali estar.

Para amenizar ou evitar totalmente o efeito da insegurança profissional, as instituições devem prover às pessoas um sentimento de participação e valorizar seus colaboradores para que eles desenvolvam uma melhor autoestima. Aplicar técnicas para diminuir o estresse, reduzindo a insegurança dos trabalhadores, não é algo tão complicado e pequenas ações podem criar um ambiente de estabilidade emocional.

Já conhecemos a remuneração indireta, benefícios que o colaborador recebe além de seu salário, como plano de saúde, auxílio moradia e tantas outras possibilidades. Agora podemos pensar em outro tipo de remuneração: a social.

O gestor deve pensar estrategicamente como motivar sua equipe e, para os que ainda têm relação direta, também de forma pessoal. Palavras de incentivo, reuniões com grupos pequenos para realizar escuta ativa (excelente para detectar surgimento de problemas em seu embrião), cumprimentos e elogios sempre que possível, são alguns elementos que podem tornar o clima organizacional mais salutar no aspecto da segurança psicológica.

O RH deve sair em busca dos possíveis pontos de fragilidade e interromper seu crescimento mantendo o diálogo constante com o grupo funcional. O absenteísmo deve ser observado de perto, pois pode estar indicando que os sintomas do estresse já estão se manifestando no físico.

O convívio dentro e fora da instituição, grupo social, tem se demonstrado um forte aliado na criação do suporte emocional. Oportunizar momentos onde isso possa se materializar e incentivar o desenvolvimento de atividades de lazer grupal vai instituir um código de comunicação mais leve entre os indivíduos. O ser humano necessita saber que pertence a um grupo para que se sinta protegido. Estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde em 2003 revela que quanto maior a interação social dos sujeitos maior sua expectativa de vida.

Graças ao desafio constante os profissionais de RH hoje podem dispor de um grande naipe de recursos. Ao contrário do que se pensa, pouca diferença existe entre os problemas que podem surgir nos atores e, muito menos, grandes contrastes quando se trata de empresas familiares ou enormes grupos multinacionais no tocante ao aspecto psicológico individual. O ser humano ainda é o mesmo, independentemente se esteja pilotando um avião ou ajustando um parafuso na linha de montagem. São as emoções que ele carrega dentro de si e como elas podem ser direcionadas que irão fazer a diferença em seu sucesso profissional.

Uma instituição que deseja estar à frente de seus concorrentes não pode abrir mão de investir o maior número de recursos possíveis neste aspecto. Direcionar esforços e atenção de forma competente às emoções das pessoas, que dão vida à empresa, é alimentar a essência da boa produtividade.

Por Prof. Dr. João Oliveira

COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS



Muitas são as competências técnicas ou comportamentais, todas são relevantes, e algumas encontram melhor encaixe diante de determinados perfis institucionais. Trata-se de um tema longo e muito importante nos dias atuais: saber identificar as melhores competências em prol de alocar o colaborador na melhor posição possível na empresa. Em função disso, iniciamos com esta edição uma série de artigos que visam elucidar as competências comportamentais.

Em jogo está o sucesso do empreendimento. Por isso, cada passo neste processo é importante. Começa com a identificação das competências necessárias dentro do escopo requerido pelo negócio em curso. Algumas são mais desejadas do que outras, mas, em quase todos os tipos de instituições, duas competências comportamentais são indispensáveis, afinal, estão ligadas, diretamente, ao processo das relações diretas: Comunicação Verbal e Comunicação Não Verbal.

Objetivamente, as duas competências se enquadram em qualquer perfil empresarial. Afinal, não existem instituições sem relações humanas. Mesmo se a organização não necessitar de um grande número de colaboradores sempre haverá uma linha e um corpo funcional. Da mesma forma, os serviços ou produtos pretendem um lugar de destaque no mercado, que, também, é formado por meio de um mecanismo de comunicação. Independentemente do nível de automação existente, sempre encontraremos alguém se comunicando.

Assim, a competência comportamental da comunicação verbal se refere à capacidade de se expressar verbalmente de forma clara e objetiva, com um conteúdo isento de ruídos. Uma fala clarificada, onde o sujeito consegue levar a informação ao elemento receptor sem perdas durante o processo.

Já a competência comportamental da comunicação não verbal está relacionada com a capacidade de alinhar a linguagem corporal e facial, de forma assertiva e coerente, com a comunicação verbal. O simples processo de andar ou estar parado em determinadas posturas já deixa transparecer estados de ânimos, mesmo quando não ocorre um processo de diálogo verbal.

Durante o processo seletivo, para proporcionar aos candidatos a possibilidade de expor essas competências, é necessário fazer algumas perguntas, que permitam o foco direto no tema. Para obter respostas que indiquem a competência avaliada, é preciso fazer perguntas que direcionem ao ponto pretendido. No caso especifico da Comunicação Verbal, o profissional de RH deve fazer questionamentos do tipo:

1) Diga-me alguma situação onde encontrou uma grande dificuldade de passar uma informação e por que acredita que isto tenha ocorrido. 

2) Relate-me uma situação onde alguém entendeu de forma diferente alguma instrução passada por você e que gerou problemas. Foi possível remediar? De que forma? 

3) Qual a comunicação que você considera mais complicada de realizar? Qual a comunicação mais difícil que já fez até hoje e qual foi o resultado dela? 

4) Diga-me alguma situação onde, por maior esforço que possa ter tido, não conseguiu fazer com que o outro compreendesse sua informação. O que isso gerou?

Para trazer à tona a existência ou não da Competência da Comunicação Não Verbal pode-se usar questionamentos como esses:

1) Diga-me uma ocasião onde sua expressão facial demonstrou o contrário do que estava falando para alguém e como solucionou isso.

2) Fale sobre situações onde sua face delatou uma emoção que tentava disfarçar. 

3) Relate situações onde sua expressão foi suficiente para ter uma mensagem entendida. 

4) Relate situações onde você foi capaz de perceber as intenções de outras pessoas apenas observando suas expressões faciais.

A comunicação é uma das competências mais importantes no âmbito organizacional, pois estamos o tempo todo nos relacionando e isso implica na necessidade de uma comunicação eficaz. Quando o processo seletivo é por competências, a tendência é que as falhas posteriores sejam menores e que as habilidades observadas sejam aprimoradas.

Por Prof. Dr. João Oliveira

quinta-feira, 26 de abril de 2018

MESA OU CADEIRA?



Nos dias atuais é necessário que um bom gestor reúna qualidades técnicas e comportamentais acima da média. Capacidades, como adaptação ao ambiente e proatividade, para agir no momento certo para alterar o processo decisório, com o objetivo de obter melhores resultados, são duas faces de uma mesma moeda.

Caso tenhamos alguém com o perfil de adaptabilidade (excelente e necessária capacidade), ele será capaz de, sempre, encontrar um modo operacional de satisfazer o mercado, mesmo em suas bruscas alterações. Proatividade é a capacidade de se antecipar às mudanças e agir antes da real necessidade. Isso evita o lapso que pode ocorrer no tempo necessário para executar a reação da possível adaptação.

Desta forma, podemos entender que possuir essas duas capacidades irá dotar o gestor de excelente velocidade de resoluções, ampliando a produtividade de qualquer instituição, onde estiver atuando.

Para exemplificar este modo de pensar, observe um refeitório ou restaurante, onde as mesas sejam pequenas e soltas. Você poderá perceber que algumas pessoas, ao se sentarem, ajeitam a cadeira até que encontrem um melhor posicionamento junto à mesa. Outras, no entanto, deixam a cadeira no mesmo lugar e puxam a mesa até que ela esteja na posição que ofereça conforto ao sujeito. Interessante é observar pessoas que, inconscientemente, ajeitam tanto a mesa quanto a cadeira, até a distância ideal, para poderem manusear os talheres com facilidade durante a refeição.

A capacidade de perceber qual o movimento mais fácil e rápido irá levar ao resultado pretendido é, absolutamente, inconsciente. As pessoas, simplesmente, fazem isso sem pensar muito a respeito. Aí, pode estar um talento natural para saber a diferença entre adaptação e proatividade. Óbvio: caso as condições do ambiente permitam evoluções.

Não há espaço para múltiplas aventuras sem objeto certo e nem para uma eterna conformidade com as diversas alterações, que o mercado pode proporcionar. O líder deve desenvolver aptidões, além do pensar cotidiano; ser capaz de antecipar necessidades futuras, se colocando no lugar dos usurários dos seus serviços ou produtos, solucionando demandas existentes e evitando outras, que podem vir à existir.

Possivelmente, essas qualidades estão latentes e precisam ser colocadas em prática. Os erros podem acontecer, isso faz parte do processo de aprendizado, mas é importante que os ônus sejam sempre medidos antes de uma tomada decisória de risco. Afinal, o risco calculado, previsto, não irá surpreender, pois uma atitude posterior de resolução também deve fazer parte da estratégia de ação.

Assim, o gestor do nosso tempo deve estar, sempre, atento às possibilidades de acrescentar ou suprimir ações, tendo em vista um melhor aproveitamento dos recursos da instituição, na qual atua, principalmente, o recurso humano, peça vital em qualquer empresa. Mesmo pequenas correções de rota podem alterar, significativamente, o resultado final na produtividade.

Seja puxando a mesa ou arrastando a cadeira, o importante é que o resultado final seja positivo e que a liderança inspire confiança em seus colaboradores. O modo de atuar do líder reflete em toda cadeia de comando de um corpo laboral.

Por Prof. João Oliveira

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O BOM EXEMPLO



A máxima “o que é bom deve ser copiado” é válida quando a ética está presente na replicação da metodologia. O setor de RH de qualquer boa instituição deve estar antenado em busca de novas formas de atuar junto ao corpo laboral em busca de alcançar melhores resultados. A internet facilita muito isso, mas a participação em congressos, Workshops e cursos oferecem mais garantias de uma maior retenção de conteúdo. 

A Universidade de Harvard em sua “Business School” possui uma vasta biblioteca de cases do mundo inteiro com exemplos de situações onde as resoluções podem servir de base em demandas similares, preservando as diferenças culturais e legais particulares de cada lugar. A página da ABRH-Nacional ( Associação Brasileira de Recursos Humanos) é rica em informações sobre agenda de eventos voltados para este segmento. Alguns meses de 2018 terão até três eventos em vários estados diferentes. A qualidade da informação é inquestionável graças ao elevado nível dos profissionais palestrantes. 

Livros e revistas, espaços como este que você está lendo agora, também devem se tornar uma rotina saudável de encontramento. Muitas vezes a boa ideia está subliminar e as soluções podem surgir em insights horas depois do primeiro contato com a informação. O abastecimento de conteúdo qualificado deve se manter constante, sempre atualizado. Isto é válido em qualquer profissão, no entanto, Recursos Humanos solicitam muito mais de um bom profissional, pois os universos de contato (interno e externo) são extremamente sensíveis às evoluções sociais. 

A verdade é que a velocidade requerida de adaptação das estruturas diante dos desafios, cada vez mais céleres, está se tornando um verdadeiro desafio aos gestores de RH. Não basta mais uma boa formação ou um MBA finalizado há poucos meses, o mundo muda a cada segundo! As pessoas alteram seus comportamentos tal qual as Tábuas de Marés. Nadar sem saber a altura das ondas pode ser fatal. 

O pulo do gato é manter tudo isso agregado a uma boa escuta ativa na instituição. As soluções podem também estar próximas e saber dos problemas é o primeiro passo para resolução. Movimentos como caixa de sugestões ou manter atuante o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) devem trazer valiosas informações se os profissionais forem capazes de fazer uma boa avaliação deste material. Principalmente se existir um feedback para cada um dos envolvidos. Dar retorno, mesmo que ainda não se tenha uma solução em mãos, é importante, pois o colaborador ou cliente pode ter uma ideia aplicável.

Tudo requer atenção e cuidado. Não existe produtividade sem que haja um forte trabalho de amparo dando sustentabilidade ao grupo de colaboradores. Histórias de sucesso que ocorreram por acaso existem, sim é verdade, mas esperar pela sorte não é uma opção para um bom profissional.

Planejamento e estratégia sempre estão presentes nos cases de sucesso: traçar planos claros, incluir possíveis correções de rotas que podem ser feitas no percurso e aprender com o sucesso ou fracasso do outro também é um requisito importante neste ambiente. Assim o olhar 360° permanente carece de ângulos quando o profissional responsável busca ver acima e abaixo de seu ponto de observação.


O momento em que vivemos neste período do ano é propício para resoluções. Planilhar não só os atos gerenciais de eventos a serem construídos mas, igualmente, o perfil comportamental que deverá ser exibido de forma espontânea e natural, visando alcançar um próximo nível. A PNL (programação neurolinguística) usa o termo “modelagem”, uma forma de copiar padrões comportamentais que dão certo e, com isso, se apropriar destes recursos.

Não há como errar se o ingrediente satisfação estiver presente no dia a dia de quem sabe lidar com evolução contínua. Nada estará pronto e finalizado para ser eternizado. Ter a certeza que a única constante do mercado é a mudança permanente, irá trazer a segurança de sempre haver espaço, neste mesmo mercado, para gestores que são um bom exemplo de comprometimento.


Por Prof. Dr. João Oliveira

terça-feira, 17 de abril de 2018

PRODUTIVIDADE EMOCIONAL



Todos sabemos que quanto maior o equilíbrio emocional do corpo laboral melhor será o nível de produtividade da instituição. O que devemos colocar em primeiro plano é como manter este perfil ao longo dos anos, principalmente quando a coletividade vivencia momentos de ansiedade, causados por eventos externos de grande porte, como: (Copa do Mundo), mudanças governamentais (eleições), crises ambientais (seca, enchentes etc), somadas às próprias demandas internas da empresa. Trata-se de um grande desafio, sem dúvida alguma.

Manter uma rotina de eventos internos é o mínimo que se espera. Dos mais comuns, como concursos de redações, aos mais complexos, como “ideias inovadoras para acelerar os processos administrativos”. Entre eles, podemos destacar, como bons agregadores de estrutura emocional, as campanhas beneficentes ou de apoio a um dos colaborares do grupo, que possa estar vivenciando um momento de crise.

Este último perfil de evento envia uma poderosa mensagem ao grupo, dizendo que nenhum deles jamais estará sozinho. A confiança em seus pares elimina ansiedade e disponibiliza mais recursos internos para o foco principal, que é a produtividade. Não há motivos para se preocupar, se o sujeito sabe que pode contar com todos, quando e, se, alguma tragédia ocorrer com ele.

Aí está o ponto chave para elencar competências, que podem estar encobertas pelo véu da insegurança. Dotar os colaboradores da sensação de elevada autoestima e garantia de um futuro estável libera o organismo – sistema de defesa inconsciente – para que ele possa direcionar mais recursos internos para seu trabalho diário.

Prever o futuro imediato e antecipá-lo para o corpo laboral também é uma excelente estratégia de prover um estado psicológico de segurança. Lembre-se que falamos aqui da sensação psicológica de estar seguro e esta pode ser criada a partir de elementos simples e absolutamente corriqueiros, como informes sobre o tempo e temperatura, cardápio do dia, agenda de aniversários, eventos culturais etc.

O RH deve também orientar os gestores da linha para remuneração indireta simples, ou seja, reconhecimento público dos méritos, por meio de uma comunicação aberta; premiação por produtividade; sorteio de viagens com a família; promoções com os produtos (ou serviços) da casa entre os colaboradores; e tantas outras que puderem ser imaginadas.

A criatividade se torna o elemento importante quando se trata de inovar na variedade de intervenções possíveis, dentro de uma instituição, com o intuito de manter uma cultura organizacional em alto nível de status emocional. Claro que uma vez alcançado o nível pretendido torna-se ainda mais relevante buscar, sempre, novos artifícios, que possam alimentar este processo que nunca terá fim.

Um detalhe é a escolha da equipe de RH, que terá como responsabilidade montar as atividades destinadas a este escopo. Os elementos devem ser os que detêm melhor perfil de inteligência emocional e capacidade de inovar, mesmo em tempos de crise. De nada adianta um excelente técnico gestor sem empatia ou aptidão para gerenciamento de conflitos. Criar este perfil de técnicas para abordagem focada na potencialização do bem estar coletivo requer, antes de mais nada - como disse em 1920, o psicometrista Robert L. Thorndike, da Universidade de Columbia - uma grande “inteligência social”, a capacidade de compreender e motivar os outros.

As pessoas são o maior patrimônio de qualquer empresa e a fluidez do ambiente corporativo depende de um conjunto de fatores amplo, que vai desde a remuneração salarial direta ao clima organizacional. Tocar este universo, em busca de ativar emoções positivas que serão transformadas em uma melhor produtividade, deve-se tornar, ao longo dos anos, um ponto de forte investimento nas instituições, que desejam manter uma excelente posição no mercado.

Não há espaço em nosso tempo atual para quem acredita que, apenas, bons salários e ambiente físico saudável são suficientes para garantir uma produção eficaz. O ser humano, complexo por natureza, exige um contínuo cuidado e um olhar atento por parte da instituição. Da mesma forma que um organismo vivo reage a mudanças de temperatura, aumentando ou diminuindo seu metabolismo, assim funciona a estrutura emocional de uma empresa – seja de que tamanho for. As pressões reais ou apenas criadas pelo imaginário grupal tem um impacto no funcionamento organizacional. Estar atento a isso e interagir nos mais variados momentos pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Por Prof. Dr. João Oliveira

sexta-feira, 13 de abril de 2018

EQUIPE MULTICULTURAL



A modernidade da globalização sempre apresenta desafios interessantes para serem rompidos. Um deles é o trabalho com Equipe Multicultural, quando temos elementos trabalhando juntos de nacionalidades diferentes com culturas singulares.

As diferenças culturais podem apresentar ruídos na comunicação e, caso não sejam solucionadas, podem de fato prejudicar a produtividade esperada pelo grupo. O fenômeno não ocorre somente quando colocamos no mesmo grupo elementos de origem oriental com ocidentais, esta com certeza é a mais destoante conjugação, mas até mesmo entre colaboradores de países fronteiriços podemos verificar perfis comportamentais com suas particularidades.

Entre americanos e mexicanos, por exemplo, a comunicação deve ser ajustada pois, um grupo tem uma forma mais direta de intervir manifestando suas opiniões e o outro, dentro de uma cultura mais participativa, sempre se coloca com maior humildade em todas as formas de comunicação. Ocorre que os mexicanos sempre perguntam sobre os problemas como se não soubessem o que está ocorrendo, é uma maneira delicada de informar que a situação não está ocorrendo como deveria, os americanos entendem isto como desinformação sobre o sistema.

Da mesma forma, a linguagem corporal pode criar sérios danos na comunicação. Os orientais costumam sempre balançar a cabeça para frente como sinal que estão prestando atenção ao que está sendo dito. Muitas vezes executivos de outras nacionalidades entendem este sinal como uma concordância com o que está sendo dito. Isto reserva uma atenção especial: estar entendendo não significa estar aceitando os argumentos.

No Brasil este assunto começa a tomar vulto e algumas instituições já criaram no RH um departamento de adaptação. Funciona tanto para quem está chegando para atuar quanto para os que se preparam para atuar fora do país.

O dilema parece estar focado na forma de comunicação verbal e não verbal, mas é um pouco mais complexo que isto. Algumas instalações podem ter de ser modificadas para atender melhor certas características bem particulares. Vasos sanitários devem ser adaptados para não serem a causa de acidentes sérios. Acontece que, em vários países, pessoas não se sentam para sanar suas necessidades fisiológicas. Recentemente no Rio de Janeiro, um cidadão sofreu um corte profundo na perna quando um vaso sanitário quebrou sobre os seus pés.

Outra barreira é o domínio do idioma. Aquele que não possui a fala fluente não consegue transpor seu pensamento de maneira assertiva e mesmo sendo um profissional qualificado pode parecer incompetente ou menos preparado que o restante da equipe nativa. De outra forma, a linguagem verbal, mesmo plena, pode exibir contradições com a linguagem corporal. Um bom gestor deve estar atento aos detalhes e buscar orientar os membros da equipe antes que exista conflitos criados por falta de conhecimento das regras posturais.

Muitas vezes a agressividade é algo natural em certas culturas como forma de expressar suas convicções. Isto nunca é levado para o lado pessoal nem entendido como ofensa – entre eles – mas, quando em contato com pessoas que desconhecem este código, podem surgir desavenças no dia a dia. Italianos, Israelenses e Australianos, entre outros, possuem uma forma peculiar de se comunicar. Às vezes, o tom de voz parece ser agressivo mas se trata, apenas, de uma maneira de valorizar o que está sendo dito. Não se trata de uma falta de respeito com o colega de trabalho.

Diversidade é importante, pois gera uma sinergia capaz de inovar nos resultados, desde que todos possam ser compreendidos corretamente. Para isto é necessário que a equipe obtenha um bom treinamento sobre as diferenças culturais e possa criar seu próprio estilo de adaptação. As soluções podem ser mais simples do que se imagina.

Certa vez, uma equipe de italianos estava negociando com uma empresa coreana. O idioma utilizado nas negociações era o inglês mas, toda vez que surgia algum impasse os coreanos conversavam entre si excluindo os italianos que se sentiam constrangidos com a situação. A solução foi simples: toda vez que isto ocorria os italianos começavam a falar em sua própria língua também. Os coreanos perceberam que a conduta deles estava ferindo um código moral e passaram a dialogar em inglês a partir deste momento.

Em grandes nações, com a nossa, as regionalidades também podem fazer surgir certos detalhes comunicacionais que devem ser observados. Um exemplo é o call center de uma empresa de telecomunicações situado no nordeste do país, mas que atende toda a nação. Nesta região é corriqueiro que as frases sempre terminem com a palavra “pronto!” como forma de confirmação ao que foi dito ou ouvido. Desconhecida, esta expressão na região sudeste causa certa estranheza aos consumidores que utilizam este serviço. Um pequeno alinhamento linguístico seria o suficiente para sanar a situação.

Mesmo em trabalhos onde a participação é remota, via internet, os cuidados devem permanecer. Se informar sobre os códigos de conduta comportamental de seus parceiros comerciais ou grupo de colaboradores pode evitar embates ou prejuízos no futuro.


Por Prof. Dr. João Oliveira