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terça-feira, 15 de novembro de 2016

OS SETE MORTOS DO MONTE DE SIÃO



Por João Oliveira

O monte Sião possui algo em torno de 800 metros de altura e fica localizado na parte leste de Jerusalém, trata-se da montanha mais alta próxima à cidade Santa. Ali, muito antes do Monte Sião se tornar a cidade de Davi, que é citada na Bíblia nos livros de Reis e Crônicas, e onde Salomão construiu o Templo de Jerusalém, habitava um povo conhecido como os Jebuseus. Acreditam os mais antigos, pode ser deles esse conto que passo a revelar.

Mesmo não sendo muito alto o monte de Sião sempre inspirou alegorias e mitos na mente daquela população humilde que vivia em sua base. Talvez, pelo formato íngreme ou, pelo ruído que o vento faz durante as noites de verão, não se pode dizer ao certo de onde surgiram as lendas sobre esse local e, principalmente, essa que conta as desventuras de sete almas que lá encontraram o seu final.

O primeiro subiu ao monte em busca de saciar uma fome pulsante por todo o tipo de comida. Ele ouviu dizer (eram muitas as lendas sobre o monte) que lá no alto viviam deuses que se fartavam de todos tipo de alimentos em excesso. Fartura em uma festa permanente cheia de gostosuras vindas de todas as partes do mundo somente para saciar o paladar infinito dessas criaturas celestiais. Se encontrou tal buffet infinito, não sabemos, certo é que ele nunca mais foi visto e, portanto, se tornou o primeiro dos sete mortos do Monte de Sião.

Havia um homem no pequeno povoado que temia ter sua fortuna roubada. Não dormia direito protegendo seus valiosos metais. Um dia, teve a ideia de juntar tudo e, usando trinta mulas de carga partiu para o alto do monte em busca de uma caverna secreta onde pudesse esconder, de forma definitiva, toda sua riqueza material. Uma única mula desceu o monte anos depois, não trazia nada, magra e sedenta ela foi a única coisa que dele se soube. Tornando-se assim o segundo morto do Monte de Sião.

Outro, dominado pela busca do prazer carnal, não encontrava satisfação com nenhuma mulher que lhe compartilhasse o corpo. Informado que os mesmos deuses dos banquetes também praticavam orgias intermináveis, foi em busca desse local como forma de, finalmente, aplacar sua volúpia escravizante. Deste, que jamais se ouviu falar novamente, surgiu a fábula do terceiro morto do Monte de Sião.

Depois de ser preso várias vezes por não controlar suas emoções raivosas, o próprio povo expulsou um homem que desapareceu no Monte de Sião, ficando conhecido como o quarto morto deste lugar. Dessa pessoa, conta-se que explodia em ira por qualquer fútil motivo. Bastava ser contrariado para causar grande confusão entre as pessoas ao seu redor. Um grupo se reuniu e o baniu da comunidade, sendo visto pela última vez subindo o Monte de Sião.

O quinto morto deste monte era um sujeito por demais invejoso. A inveja lhe doía como uma doença e, um dia, pensou que se pudesse viver totalmente isolado dos outros seria mais feliz. Com esse pensamento escalou o monte e de lá não mais voltou. Se isso resolveu o seu problema não sabemos. De fato, como todos os outros que o antecederam nessa jornada, nunca mais nada se ouviu falar desse homem.

Houve também um jovem que não gostava de trabalhar. Ele vivia inventando desculpas e doenças para não ajudar o pai e seus irmãos nos trabalhos do campo. Não queria buscar água, não alimentava as criações, não ajudava na plantação e, sempre que possível, se escondia para dormir na sombra de alguma árvore. Aborrecido com as cobranças contínuas da família resolveu subir no monte em busca de paz e tranquilidade. Um lugar onde não seria perturbado pelas pessoas. Claro, você já deve ter imaginado, esse é o sexto morto do Monde de Sião.

O sétimo e último morto (que sabemos) do Monte de Sião lá subiu em busca de reconhecimento. Soberbo e vaidoso disse a todos que poderia se estabelecer no alto do monte ao lado dos deuses pois, somente eles poderiam reconhecer o seu real valor. Foi-se em uma tarde fria de inverno e dele, da mesma forma que todos os outros que citamos, nada mais se soube nos milênios seguintes.

Provavelmente é só uma dessas histórias que o povo inventa afim de ensinar lições de moral. É possível perceber que cada um deles representa um pecado capital e como castigo encontraram a morte no alto do monte de Sião. O que não se conta, nesse pequeno texto mitológico, é que todos nós podemos desaparecer em nuvens exaladas pelos excessos de nossas convicções e desejos.

O monte simboliza o afastamento da realidade que pode nos levar a um lugar de onde jamais poderemos voltar. O monte é o externo, fora de nós, onde muitas vezes buscamos algo que está dentro de nós. Quando não reconhecemos que a falta é interna nada em altos montes poderá completar o vazio. Da mesma forma que devemos ter cautela na resolução de nossas paixões, pois, nenhuma velocidade é suficiente se estamos indo na direção contrária.



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