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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

CONTOS DE NATAL



Por João Oliveira

TOMO PRIMEIRO: O VELHO QUE NÃO SABIA REZAR

Havia no alto da montanha uma pequena cabana onde viviam uma jovem e seu velho pai. Nessa noite de véspera de Natal ele estava muito adoentado, tossindo muito, e pediu a filha que lhe chamasse o Padre na aldeia.

- Mas pai? – Disse a menina nos seus poucos quinze anos e vida – O senhor sempre me proibiu de ir à igreja. Porque deseja ver o padre?

- Acho que é minha última noite na terra filha. Está muito frio e não vou aguentar mais... chame o pároco preciso lhe falar.

Assim foi feito. A menina atravessou a aldeia cheia de neve até a casa paroquial. O padre, como todo bom cristão, se chamado vai ao encontro dos necessitados.

- O que desejas de mim? – Falou o padre em tom carinhoso – Desde que sua esposa morreu no parto dessa linda moça você nunca mais voltou à igreja ou permitiu que ela lá fosse... o que posso fazer por você?

- Padre, peço perdão pelas minhas falhas. Sinto que hoje é meu último dia na vida e gostaria de me lembrar como é que se reza. Faz tanto tempo que abandonei a religião com raiva de Deus pela morte de minha esposa que, agora gostaria de rezar, mas, me desculpe, não me lembro como fazer isso.

- Mas, isso é tão fácil meu filho. Veja, está olhando aquela cadeira vazia ali no canto do quarto? Pois bem, imagine que o Senhor Jesus veio lhe visitar hoje, na noite de Natal, e como um velho amigo se põe a conversar com você. Conte-lhe se suas aventuras, seus sucessos, seus fracassos, diga-lhe como foi sua vida e das coisas que se arrepende. Como um amigo querido que você não vê há muito tempo. Isso é rezar, meu filho, falar com Deus através de seu Filho Jesus.

Dito isso, o Padre foi embora. Aquela, provavelmente, foi a noite mais fria do ano e o velho não aguentou. Pela manhã soam batidas fortes na porta da casa paroquial.

- Sr. Padre, por favor, venha à minha casa. Meu pai amanheceu morto. – Disse a menina.

- Meus pêsames. Mas querida filham isso já era esperado.

- Eu sei Padre, mas ele morreu de uma forma muito estranha.

Lá chegando o Padre teve uma surpresa. Durante a noite o velho havia reunido todas as forças para se levantar e trazer a cadeira vazia até próximo a cabeceira de sua cama. Ali ele morreu, com a cabeça apoiada na cadeira.

Disse o padre com lagrimas nos olhos:

- Quem dera que todos nós pudéssemos morrer assim: com a cabeça no colo de Cristo.

TOMO SEGUNDO: A FERRAMENTA PRODUTIVA


Todos os dias ele trabalhava na sua serralheria. Sozinho ele fabricava cadeiras, mesas, armários... muitas pessoas tinham, naquela cidade, a casa praticamente toda feita com os móveis de sua pequena empresa.

Trabalhando sozinho ele só tinha mesmo tempo para o trabalho e nunca tirava férias ou investia tempo com a manutenção de suas ferramentas. Dia a após dia, sempre produzindo mais e mais, sem se preocupar com o estado de sua saúde ou de seus instrumentos de produção.

Um dia, ao serrar uma porta, o serrote se partiu e, um pedaço da lâmina, acertou o seu olho esquerdo o cegando para sempre.

Aquilo foi como a própria morte: como poderia ele ser castigado por Deus fazendo o que ele mais gostava (trabalhar) e exatamente produzindo coisas úteis para todos? Se estivesse farreando, fazendo maldades ou sendo desleal com os amigos, pelo menos teria uma justificativa para ser castigado. Mas, ele estava trabalhando e isso não podia ser compreendido. Ficou muito triste.

Alguns meses depois outro sério acidente. Uma carga rolou da empilhadeira e quebrou sua perna direita. Devido ao local (fêmur) e sua idade avançada (75 anos) foi obrigado a andar de muletas o que o atrapalhava bastante.

Nesse ponto ele se revoltou com o criador e foi dormir uma noite, renegando sua crença em Deus. Durante a madrugada uma luz, ele nunca descobriu se isso realmente aconteceu ou foi apenas um sonho, iluminou todo o quarto com uma voz estrondante:

- Filho Meu, sabe que dia é hoje?

- Véspera de Natal... quem está falando? É um fantasma?

- Sim, sou o Fantasma da criação. Aquele que tudo vê, tudo controla no universo, mas, como bem sabes, nada decide pelas consciências humanas. Essas tão poderosas consciências cheias de si.

- Como assim? – Disse o velho amedrontado – É o Senhor Meu Deus?

- Assim também posso ser chamado. Diga-me, criatura, o que te incomoda?

- Estou sendo castigado por Ti sem nada dever. Muito pelo contrário, sou um exemplo de pessoa produtiva para seu reino.

- Sim, isso é verdade. Mas, filho, me diga: tem cuidado de suas ferramentas de produção?

- Como assim Senhor?

- Ouça bem o que lhe digo, tudo que nesse mundo há necessita de reparo, descanso e, como já deve ter percebido cuidado e atenção. Até mesmo as árvores mais frutíferas no inverno têm o seu momento de hibernação. Você só é culpado pela falta de zelo com o próprio corpo, ferramenta maior de produção nesse mundo e dos instrumentos que utiliza em seu trabalho.

O silêncio, prova da culpa, se fez presente. A voz que emanava da luz continuou:

- Agora não há mais tempo para reparações. Que seu exemplo sirva aos demais: todas as ferramentas, talentos e corpos tem seu tempo de vida útil que pode, ou não, ser prolongado se forem devidamente cuidados. Limpe bem sua enxada para que ela corte o capim e não o seu pé.

Assim dito, a luz se apagou, o velho carpinteiro essa história, pelo mundo, espalhou. 

TOMO TERCEIRO: PAPAI NOEL CARIOCA

Quando encontrou a carteira perto do bueiro da Rua Dias da Rocha, Augusto percebeu que a sorte finalmente havia lhe sorrido. Já era véspera de Natal e até agora não tinha conseguido nenhuma vaga de propagandista nas lojas.

A sua barriga avantajada era um trunfo nessa época. Se vestia de Noel e ficava na frente das lojas em Copacabana balançando um sininho e dizendo: - “Ho, Ho, Ho, Feliz Natal!”. Só isso e a ceia estava garantida.

Não vivia mal. A aposentadoria de engenheiro da DAE (Departamento de Águas e Esgoto) lhe rendiam uns parcos R$ 3.500,00 por mês. Isso era mais que suficiente para pagar a pensão em São Cristóvão, a alimentação e umas cervejas com os amigos nos finais de semana na feira nordestina no pavilhão. 

Apenas um problema lhe atrapalhava esse ano: o novo código de postura municipal. Ocorre que a figura na calçada do propagandista foi proibida. Adeus ao Papai Noel das Calçadas, as bandinhas natalinas e todos os outros periféricos dessa época.  O dinheiro extra não existiria mais.

A carteira parecia gorda e, ao abrir, se deparou com R$ 1.600,00 em notas de cinquenta reais. O sorriso abriu a boca de orelha a orelha. Era o seu presente de Natal. Agora, poderia ir ao Barbarela, lá na Princesa Isabel, ver as meninas bem esculpidas e tomar todas as cervejas importadas que desejasse.

O detalhe foi, que junto com o dinheiro, veio também o nome e endereço do proprietário. Um tal senhor Armando Nascimento de Jesus que lhe parecia familiar. Lhe bateu algo na consciência e, como o endereço era próximo, decidiu levar a carteira ao real proprietário. Não era longe, o senhor Armando, dizia o boleto na Light, morava no Bairro Peixoto.

- Boa tarde – Falou ele a senhora idosa que veio lhe atender no portão.- A senhora conhece o Sr. Armando?

- Sim, do que se trata?

- Bom, achei essa carteira perto de um bueiro na Rua Dias da Rocha, aquela sem saída em Copacabana. Dentro dela está, não mexi em nada, mil e seiscentos reais.

-Meu Deus – Gritou a velha apavorada – Isso não é possível? Quem é o senhor afinal?

- Que isso senhora? Estou querendo entregar a carteira ao senhor Armando e espero que ele seja generoso comigo... afinal, não é todo mundo que entrega uma carteira recheada assim.

- Olha senhor, não sei que brincadeira é essa. Meu marido morreu há três anos e, logo agora que preciso, exatamente de R$ 1.600,00 para finalizar o inventário o senhor me aparece com essa história? Quem é o senhor? Faz parte do sindicado do Papai Noel?

- Desculpa... sindicado do Papai Noel?

- É isso mesmo. Aquele grupo que Armando fundou. Ele e uma turma de bêbados que costumavam se reunir no Natal para se vestir de Papal Noel e sair por aí dando brinquedos para esses menores de ruas.

Nesse ponto ele entendeu tudo. Deu a carteira para a mulher e saiu andando pelas ruas. Onde será a sede desse sindicato afinal de contas? O recado estava dado, ele havia entendido a própria missão. Quem sabe ainda tinha tempo de comprar uns brinquedos na loja do chinês e dar para aquelas crianças do Posto 5? Seu coração ficou repleto.




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