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quinta-feira, 23 de maio de 2013

A MOSCA QUE TOCAVA PIANO



Por Prof. Msc. João Oliveira

                A maior parte do tempo ela ficava pousada na cadeira onde o dono da casa sentava para tocar o piano. Os milhares de olhinhos brilhavam tentando entender aqueles símbolos estranhos que guiavam as mãos de forma melódica sobre as teclas: sonho impossível. Por mais que se jogasse, com toda força, sobre uma tecla jamais saiu som algum e, mesmo se conseguisse, como poderia executar tantas notas de forma simultânea já que, seu tamanho diminuto, impedia o trânsito por sobre a estrada de pedras brancas e pretas. Ficava sonhando apenas (já que nada custa) em ser a única mosca compositora da família.


                A música estava ali: dentro de sua cabeça! Melodias incríveis e bem melhores que as executadas pelo homem que, todas as tardes, passava horas enchendo o ambiente de magia e tranquilidade. Isso já se tornava um problema para todas as outras moscas que viviam na casa, nenhuma delas suportava este papo de mosca compositora.


                - “Onde já se viu?” – disse uma já bem velhinha – “- Daqui a pouco vai querer comer de garfo e colher!”


                - “Minha filha” – dizia a mãe – “Nós somos moscas, jamais seremos outra coisa. Esqueça isto e seja feliz!”


                Nada poderia mudar a ideia fixa que tinha dentro de sua alma. Essas músicas tinham que ganhar mundo, deixar de existir apenas na imaginação e se tornar algo físico, que invadisse mentes e corações. Melodias para transformar o clima, não só dos homens (que se acham eleitos para tal), mas dos animais também e, até mesmo os pequenos insetos – como ela – que podiam ouvir e sentir as boas vibrações que emanavam daquele velho piano.


                Um dia ela ouviu um zumbido melódico vindo dos fundos da casa, era uma fêmea humana que, com a boca fechada, entoava uma canção. Como ela fazia isso? A mosca parada sobre o varal de roupas observava atentamente a estranha técnica de produzir sons. Não havia nenhum instrumento e ela não usava a voz, apenas vibrava o ar internamente e conseguia fazer surgir tons musicais, aparentemente, pelo pescoço e nariz. 


                Deste instante em diante um universo se abriu: a música não estava confinada às teclas do piano! E um plano começou a ser elaborado pela compositora sem braços, finalmente havia um jeito de tornar real o que só existe no imaginário.


                Durante a noite, a pequena mosca pousou ao lado do ouvido esquerdo do homem que tocava piano e, no travesseiro, começou a bater suas asas de forma rápida e organizada sem sair do lugar. Ela estava, naquele momento, influenciando os sonhos do homem que tocava piano. A madrugada passou rápido, ela insistiu naquele som que saia de suas asas, o zumbido baixo parecia um violino, ao longe, executando uma bela melodia no cenário do mundo de Morpheus.


                Pela manhã, ao despertar, o homem correu ao piano antes mesmo de tomar o café. Uma música estava em sua mente, uma inspiração onírica que trouxe uma melodia jamais tocada. Ele executou de uma só vez a mesma música que havia sido produzida pelas asas da pequena mosca. Do alto do armário, sem créditos, mas realizada em sua missão, uma mosca estava ao piano.


                Muitas vezes, nosso trabalho e devoção podem servir como fonte inspiradora para outros seres transformarem o imaterial em produção física. A realização pessoal está além dos créditos e, podemos ver isto em várias profissões em nossa sociedade. Com certeza os professores e mestres podem ser sentir realizados vendo os feitos de seus antigos alunos. Como mercadores de informações também podemos, como pais e mães, nos realizarmos através de nossos filhos.


                Não se sinta impossibilitado de colocar à frente suas inspirações e, da mesma forma, jamais se julgue menor por outro levar adiante aquilo que seus braços não foram capazes de levantar. Para aquele que acredita no futuro basta provocar o novo pensar em outras pessoas e, isto pode ser alcançado de várias formas. 


Ter a possibilidade de contribuir para o crescimento de alguém já é uma fantástica forma de marcar pontos nesta existência.


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