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quarta-feira, 11 de julho de 2012

TRISTEZA


        
           
            Em todos os Treinamentos de Análise Comportamental que fazemos percebemos duas emoções se apagando da percepção social: tristeza e medo. Raramente encontramos alguém capaz de identificar, com a mesma velocidade e certeza, essas duas manifestações emocionais em comparação às outras apresentadas em igual velocidade. O bloqueio é tamanho que, mesmo quando diminuímos a velocidade de exposição, o medo e a tristeza continuam “embaçados” para a maioria das pessoas.

            Por que isso se dá?

            Ocorre que a sociedade prega constantemente que essas duas emoções são negativas e expõem o sujeito como fraco ou derrotado diante de seus pares. Desta forma ocultamos suas manifestações e, com o tempo, o cérebro passa a evitar, como puder, o contato com elas.
            Para nosso exercício do pensar hoje, vamos focar na tristeza que é a mais dispendiosa das emoções, pois envolve muitos músculos: corrugador, orbiculares oculli, frontalis (ergue cenho), mentalis, platisma, risórios, triangulares e prócero. Por isso, ocorre um rebaixamento energético quando ficamos tristes. O nosso cérebro contabiliza a atividade elétrica.

            Não importa o tamanho do músculo, a mente entende que é algo muito oneroso e diminui o metabolismo a fim de poupar energia. É lógico pensar que pessoas que expressam tristeza por muito tempo acabam engordando. A estratégia do corpo é guardar combustível para queimar quando necessário for.

            Como não existe emoção sem função, se estão entre nós é por que foram úteis no processo evolucionário. A tristeza deve ter uma utilidade prática que está sendo relevada pela sociedade. Afinal todos manifestamos essa expressão em algum momento da vida, mas, a cada dia, menos pessoas reconhecem!

            Todos os semestres, nossos alunos do sexto período do curso de formação em  Psicologia saíam em campo mostrando desenhos e fotos de pessoas expressando várias emoções. Eles pediam às pessoas que identificassem ou que narrassem uma história para explicar por que a pessoa demonstra este ou aquele tipo de expressão na face. Em todos os ambientes, seja classe baixa ou alta percebemos uma razoável diminuição da percepção da tristeza. Isto porque mascaramos ou apagamos a possibilidade de reconhecimento para evitarmos sofrimento.

            Mas a função da tristeza não é impor sofrimento, isto é consequencia, e, é claro, que não funciona esconder o que sentimos, o custo para o corpo pode ser maior do que imaginamos com a somatização de uma emoção! A tristeza deve ser vivenciada, e seu gasto energético deve ser realmente queimado. O luto não exposto cobra seu preço em longas prestações com juros altíssimos. Segurar nossas emoções aprisiona pressões que vão, mais tarde, aparecer em forma de sintomas e, como consequência, doenças.

            Num raciocínio lógico podemos elaborar que a função natural da tristeza é pedir ajuda, acolhimento, atenção do outro. Negar à estrutura psicológica este apoiamento, ou queima, em algum momento de revés, é deixar uma lacuna aberta, uma falha, em nossa psique.
           
            Não é fraco quem chora. É, ou será, doente quem não permite a manifestação de suas emoções: isto é certo!
           
            Lógico que a tristeza instalada sem ressignificação a longo prazo pode se transformar em doença, deixar de ser uma emoção e passar a ser um sintoma. Nestes casos, onde o vivenciar não foi suficiente para o processo de “queima” da emoção, é aconselhável um apoio profissional que pode, inclusive, ser medicamentoso por algum período.

            O problema, reside em tentar descobrir, se esta doença já não é resultado de uma vida de abafamento sendo manifesta de uma só vez quando algo consegue romper a barreira dos disfarce.

            Por enquanto, vale o conselho, viva as emoções. Sem exageros ou teatralidade, apenas permita que o choro e o riso tenham lugar certo em sua existência, pois sabemos bem, existem dias claros como também noites escuras, mas eles se vão, como tudo na vida.

João Oliveira
Psicólogo CRP 05/32031

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