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sábado, 13 de setembro de 2008

A APATIA

Já algum tempo passado, uns quinze anos pelo menos, uma equipe de pesquisadores franceses fez uma experiência que, acho interessante, ser repassada aqui hoje para quem estiver lendo.

Primeiro Ato:Imagine então uma gaiola, tendo seu compartimento interno divido em dois por uma parede de tela, com uma pequena porta no meio, onde, de um lado está a comida e a água, e o outro se encontra vazio. Some-se a isso o seguinte: o fundo da gaiola pode ser eletrificado por um comando do pesquisador.

Essa gaiola nos acompanhará durante todo o experimento, por isso procure entender o seu significado no nosso contexto atual, porque isso eu não irei explicar.

Um rato é colocado na gaiola. Ele passeia, entra e sai de um lado para o outro, mas, preferencialmente, está sempre mais próximo à comida e à água. Em dado instante um alarme é soado, o rato, que não sabe o que vem em seguida, não se impressiona muito, até que o choque elétrico é disparado pelo pesquisador. O rato pula, corre, vai de um lado para o outro até que descobre que, se for para o outro lado da gaiola, passando pela porta aberta, ele estará a salvo da agonia. Só metade da gaiola está eletrificada, justamente onde estão a comida e a água.

Passa o tempo e o rato se aventura, movido pela fome e sede, a voltar para o outro lado da gaiola. Volta. Nada acontece, ele saboreia a comida, até que em dado momento, toca o alarme e tudo se repete. Tantas são as vezes que ao tocar o alarme o rato não espera o choque, ele corre antes que a grade seja eletrificada e fica a salvo do outro lado. Espera um bom tempo e volta para o lado onde está a comida, e este ciclo dura uma semana. Até que o rato é sacrificado, pelo bem da ciência, e seus órgãos internos são analisados.

É observado que o coração está um pouco inchado, resultado provável do estresse que foi submetido, os níveis de substâncias comuns aos estressados humanos também aparecem além da cota da normalidade de um rato daquela idade e peso. Era de se esperar, nessa curta vida de corre para lá e para cá.

Segundo ato: Tudo igual, com uma exceção, a porta do meio está fechada. O rato não tem para onde ir. E agora?

Depois de muito tempo, correndo de um lado para outro, sem achar uma saída, o rato simplesmente desiste. Fica num canto, quieto. Quando soa o alarme, avisando que o choque está por vir, ele se agarra nas grades do fundo da gaiola, e agüenta, silencioso, durante todo o tempo que durar o evento. Está instalada a apatia.

Uma semana se passa. O rato é morto e se descobre que por dentro ele está destruído. O coração mais parece uma pequena bola, tudo está alterado, os níveis de substâncias nocivas em seu sangue estão altíssimos. Ele iria morrer mesmo, em pouco tempo.

Terceiro Ato: Dois ratos são colocados na gaiola, a porta que poderia ser a escapatória para o choque certeiro está igualmente fechada. Soa o alarme, vem o choque, mas os ratos não tem para onde fugir.

O que ocorre depois que algum tempo se passa desta rotina é surpreendente, só mesmo o experimento científico poderia demonstrar, não acredito que nenhum de nós poderia imaginar o comportamento que estes dois pequenos roedores teriam.

Quando toca o alarme, já sabendo que o choque viria em segundos, os dois se atracam, os dois lutam entre si, como dois monstros selvagens eles trocam dentadas, unhadas, rolam atracados, com os rabos enrolados como cobras sobre seus corpos. Quando o choque pára, eles se separam,e dividem o espaço da gaiola sem maiores problemas.

Assim se passa uma semana.

São sacrificados. Quando a análise é feita em seus restos mortais, uma descoberta interessante é feita: seus órgãos internos estão em melhor estado que o do primeiro rato.

Não quero com isso, de forma alguma garanto, incentivar a violência como forma de diminuir o estresse cotidiano, afinal os ratos não tem a capacidade de ressignificar.

Mas penso, sobre o segundo rato, o que quieto ficava em seu canto, agüentando tudo calado. Minha lente não está bem limpa, a distorção pode estar atrapalhando a minha interpretação dos fatos, mas, isso não se parece um pouco com o comportamento do nosso povo brasileiro?

Breve teremos eleições, deve ter uma porta aberta nessa gaiola, só nos falta enxergar onde ela está.

João Oliveira - Psicólogo CRP 05/32031

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