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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Queda de Ícaro





O pintor renascentista Pieter Bruegel "O Velho" (1525 - 9 de Setembro 1569), assim chamado para distinguir de seu filho mais velho, foi o patriarca de uma família de pintores.  Em 1558 pintou este quadro que aqui está, chamado por ele de A Queda de Ícaro.

Na cena podemos ver um camponês, arando seu campo, outro cuidando de ovelhas e, mais abaixo, alguém apontando para o mar.

Cadê Ícaro?

O nome do quadro já diz tudo: ele caiu!  Ainda é possível ver as pernas dele e algumas plumas voando, no detalhe abaixo, mas não é o que chama nossa atenção na tela.




Pieter estava retratando outra coisa, não a aventura de um menino que se arriscou demais tentando voar até o Sol desrespeitando o seu pai, Dédalo. Ele nos fala do pior sentimento humano, se que é que podemos chamar de sentimento: a indiferença!

Alguém pode dizer agora que o ódio é pior, que a raiva é inimiga do homem ou que o rancor pode destruir uma vida. Não nego que existem outros sentimentos ruins. No entanto a indiferença nem percebe a existência do outro. É como se nada mais houvesse fora de nós, o outro, que sofre, apenas não é percebido.

A queda de Ícaro, e toda sua agonia enquanto despencava no ar, não foi vista por ninguém. Todos, retratados na pintura, estavam ocupados demais nos seus afazeres para se darem conta do sofrimento do outro.

Ainda somos assim?

Me lembro quando fui falar com um patrocinador sobre o apoio necessário para o nosso Congresso Virtual  de Psicologia (sempre fazemos isto pelo ISEC em auditórios virtuais), um assessor do diretor da empresa logo disse:  “- Sem contato direto não há afetividade! Não existe afeto pela internet, o conferencista tem de estar presente junto aos congressistas... “ Fez um excelente discurso sobre como o afeto está sendo destruído pela tecnologia.

Neste dia estamos em um escritório próximo ao cinema Roxy, na Av. Nossa Senhora de Copacabana e, havia um pedinte sentado na calçada. Chamei o rapaz até a janela e mostrei a cena que se desenrolava. Tal qual a pintura desta página o sofrimento do pobre homem era imperceptível pelas centenas de pessoas que por ele passavam. Ninguém via ou ouvia o mendigo. E, fique sabendo, ele não pedia: berrava.

Então, conclusão lógica, não é a internet que favoreceu o surgimento da indiferença. Ela já existe há muito tempo e podemos ver na pintura do Pieter ou na esquina da nossa rua. Caminhamos para uma civilização sociopata, sem empatia construtiva ou de qualquer espécie.

Poucos ainda são aqueles que, nos treinamentos de Análise Comportamental que damos, conseguem ver tristeza ou medo. A sociedade impõe o distanciamento de emoções “menores” que podem expor nossas fraquezas.

Somos nós todos assim? Estamos aprendendo a ser assim? 
O Segundo Mandamento anda muito esquecido ...

João Oliveira
Psicólogo CRP 05/32031

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