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sexta-feira, 1 de março de 2019

MORTE, VIDA E CONTINUIDADE




Por João Oliveira

- Não há o que temer se é a dor que lhe assusta.

Indra disse isso de costas para Darnak com suas mãos unidas atrás na clássica pose de general que sempre foi.

- Morrer dói com certeza, se não for uma dor física será uma tortura psicológica.

- Darnak, se recorda da dor que sentiu quando caiu do elefante na batalha em Vrindávana?

- Mas, eu não cai de nenhum elefante na batalha...

- Pode ser que tenha caído e não se recorda porque no tombo bateu com a cabeça isso apagou essa memória?

- Não sei...

- Dessa forma, então, pode ser a morte também. Não há dor sem lembrança.

Indra se virou e olhou nos olhos escuros de Darnak.

- Essa é uma conversa infrutífera. Não há nada nesse ponto de sua argumentação que possa alterar o que se dá no processo de transformação que todos irão se submeter um dia.

Darnak deixou a cabeça pender.

Ambos estavam no salão principal do palácio de Svarga no alto de Meru, uma das maiores montanhas do mundo. O assunto começou quando Indra convocou os nobres para enfrentarem, ao seu lado o asura Vritra que roubou toda água do mundo e tinha se transformado em um dragão gigantesco.

- Não é uma questão de temer a morte e sim de entender o processo – continuou Indra – Você teme, na verdade é perder as experiências corpóreas. Os prazeres e dores que o corpo oferta.

- Poderoso senhor... acho que temo é perder a consciência de quem sou.

- Você sabe quem é nesse momento?

- Sou Darnak, claro!

- Esse é o nome que seus ancestrais lhe deram.

- Sou seu capitão do exército montado!

- Esse é quem você se tornou.

- Sou esse que sente frio, fome, tem medo e coragem!

- Essas sãos as percepções do corpo.

- Então quem sou? Me diga senhor que tudo conhece.
Indra riu alto. Toda corte ouviu a gargalhada.

- Vou lhe explicar de um jeito que nunca mais irá esquecer. Todos os corpos físicos ou não, sencientes ou não, em todos os pontos do universo nesta e em todas as dimensões, são ligados da mesma forma que suas células da mente. Fios pequenos, quase invisíveis unem você a mim, aos asuras e as mais distantes estrelas de todas as galáxias.

Indra respirou fundo e continuou.

- O que acontece a uma lesma centenária no polo sul deste planeta interfere de alguma forma na velocidade de nossas vimanas, no calor do sol e na força dos ventos.

- Se eu morrer então irá faltar um pedaço disso, não é?

- Darnak, já ressuscitei milhares de homens caídos em campos de batalhas e, ao voltar, todos me disseram a mesma coisa.

- O que eles dizem sobre o mundo dos mortos?

- Eles se zangam comigo e dizem: - “Porque fez isso comigo, eu estava em paz!”
Darnak se assusta:

- O que isso significa?

- Darnak, ao morrer você não irá desaparecer, irá se tornar parte desta rede infinita e universal se tornando uno com tudo. Sem medo, sem fome, sem coragem... só conhecimento e paz.

- Não quero deixar de ser quem sou.

- Como poderia deixar de ser algo que nem sabe o que é?

- Então, porque existo nessa forma nesse momento?

- Porque é necessário.

A porta se abre e entra no salão Shachi, esposa de Indra:

- Meu amado é urgente que a solução seja encontrada. Recebi a informação que milhões padecem de sede.

- Estamos de saída Shachi, Darnak não irá comigo nesta batalha. Eu irei à frente empunhando Varja sobre Airâvata.

Darnak se levantou e gritou:

- Como ousa Indra? Sou seu servo mais leal e o único capaz de liderar as tropas de Svarga!

- Como ousa você pensar que pode ir a uma batalha temendo a morte. Pode um escriba escrever com medo que lhe falte tinta? Como um ferreiro constrói boas espadas temendo ser atingido pelas fagulhas? Existe algum pescador que se arrisca no mar sem saber nadar? Como ousa você vir lutar ao meu lado, sabendo que trago os mortos à vida, temendo passar por essa experiência corpórea?

- Cure meu medo senhor. – Se ajoelhou aos pés de Indra – Me diga: se vamos todos morrer porque nascemos?

Indra, sempre paciente com os humanos, se ajoelhou ao lado de Darnak.

- É uma oportunidade para aprendermos, evoluirmos, experimentarmos dor, alegria, frio e calor. É um momento para evoluirmos ou não. Os humanos podem se tornar apenas seres que vivem produzindo adrenocromo para os asuras por conta do seu medo da morte ou, quem sabe, se tornarem em vida seres que vibram altas frequências, conseguindo tocar a rede universal: extraindo música do ar.

- Me ensine a ser assim meu senhor...

- Acho que hoje tivemos nossa primeira lição. Levante-se vamos que a luta anseia por vidas e não há vida sem lutas.


Vocabulário pela ordem de aparição no texto:

Asura: mesmo que demônio

Vimanas: naves ou aviões

Varja: arma em forma de espada que gerava raios

Airâvata: elefante de guerra usado por Indra

Adrenocromo: tipo de composto químico produzido pelo medo.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

VALOR, VALORAÇÃO E VALORIZAÇÃO


- Alô? É o Doutor Gustavo? Poxa quer bom que consegui falar com o senhor. Sabe o que acontece, tenho um vizinho que precisa muito de ajuda. Ele está míope, quase cego mesmo, mas não quer se tratar. Gostaria de pedir ao senhor para dar uma passada aqui na casa dele para convencer o coitado que ele precisa de tratamento. Vou passar o endereço pelo WhatsApp.

- Oi, tudo bem senhor Alexander. Estou em busca de um bom pintor para fazer uns retratos meus e o senhor foi muito bem indicado. Gostaria que o senhor me fizesse um, pelo menos, para ver se gosto. Assim, como prova de seu talento sabe? Se ficar bonito penso em encomendar uns dois ou três.

- Professor Carlos, o Pedrinho está com uma enorme dificuldade na sua matéria. Posso levar ele na sua casa para o senhor explicar melhor o conteúdo que deu hoje em sala? Pode ser de noite para não atrapalhar o seu trabalho.

Provavelmente você deve ter achado, minimamente, impossível destas comunicações ocorrerem na vida real. Infelizmente elas ocorrem o tempo todo, na vida dos profissionais psicólogos.

Ocorre que, por motivos diversos, a maior parte da população não sabe exatamente o que este profissional de saúde mental faz e nem como ele é construído ao longo dos anos de sua formação.

Muita gente (muita mesmo) não consegue, ao menos, saber a diferença entre: psicanalista, psicólogo e psiquiatra. Pessoas de grande conhecimento em várias outras áreas, profissionais talentosos, desconhecem, inclusive, que a Psicologia é uma ciência. Para eles está mais no campo dos tratamentos holísticos ou alternativos. Nada contra nenhum dos dois, claro, apenas para ilustrar como o desconhecimento gera descrédito.

Não há valor!
Falta reconhecimento da importância desse profissional. Uma maior consideração e respeito pelo trabalho que o Psicólogo pratica todos os dias em diversas áreas da saúde e saber humano.

Sem pudor nenhum as pessoas perguntam se têm de pagar por uma sessão onde, na opinião delas, ocorreu só uma conversa.

Não existe valoração!

Muitos são, de fato, os profissionais que não sabem apresentar de forma adequada o seu próprio trabalho. Não conseguem determinar a qualidade de seu conhecimento técnico e, com isso, não podem imprimir no seu entorno, um real critério de respeito pela sua atuação como profissional diferenciado que é.

Falta Valorização!

Inexiste um trabalho de classe que eleve a autoestima desse profissional que atua, principalmente, auxiliando seus clientes/paciente nessa área. Falta conscientização de toda uma categoria de sua importância para que, finalmente, isso possa ser percebido por todos.

Não vai funcionar se apenas uns poucos trabalharem divulgando a Psicologia como profissão voltada para o bem-estar, qualidade de vida, saúde, longevidade e instrumento de pesquisa que auxilia no desenvolvimento no próprio sentido de ser humano.

Uma consulta com um psicólogo não é só uma conversa! Nosso trabalho envolve uma escuta ativa e diagnóstica para a escolha do melhor curso de tratamento. Se as pessoas não sabem o valor de um bom profissional, é porque desconhecem quanto poderá custar, na sua vida, um profissional ruim.



Por Prof. Dr. João Oliveira