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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O TEMPO DE PRODUZIR



Houve uma época em que se valorizava as pessoas que podiam passar os dias sem produzirem nada. O ócio era direito de poucos e isso era um comportamento condicionante para se alcançar o status maior na sociedade da época.

Os tempos mudam os costumes e até mesmo a moral reinante. Nos dias atuais alguém que não produz, mesmo sendo abastado financeiramente, é visto com olhares diferenciados pelo grupo social. De fato, muitas vezes, a própria pessoa não consegue desenvolver uma boa autoestima por ter esse padrão de vida.

Em consultório, é muito comum os profissionais da psicologia receberem pessoas incompletas buscando algo além do material. Esse algo está além do conforto, boas roupas, viagens e tudo que os recursos financeiros podem ofertar. O que seria isso?

Já se foi o tempo em que era válida a frase atribuída ao poeta cubano José Martí: “Há três coisas que um homem deveria fazer na sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.” Hoje o padrão tecnológico impõe novas produções que geram valor social.

Assim, ter um blog, um canal no Youtube e a contribuir para uma causa social (médicos sem fronteiras por exemplo) pode ter muito mais valia que árvores, livros e filhos. O termo produção ganha uma nova perspectiva e não são todos que estão preparados para isso.

O ambiente do trabalho está se deslocando para qualquer lugar onde exista um ponto de internet de boa qualidade. Produtos online ultrapassam as vendas das lojas físicas e, mais inovador ainda, produtos virtuais (que só existem dentro das máquinas) ganham força no mercado.

Surge aí o conflito interno nos seres humanos entre o que é de fato uma produção e o que se trata apenas de um tipo de lazer com rentabilidade?

A revolução industrial colocou cada um em sua estação de trabalho. Diferentes momentos do processo ocorreram na Inglaterra, no final do século XVIII e início do século XIX. Depois o mundo abraçou o modelo, começando pela França, Bélgica, Holanda, Rússia, Alemanha e Estados Unidos. Consolidado, tornou-se o modelo de trabalho/produção considerado ideal para a maior parcela da humanidade.

Quem não faz parte deste modelo está à margem da sociedade. Salvo artesões, homens do plantio, artistas expoentes todos os que se posicionam de forma contrária ao modelo consagrado não devem receber o respeito de seus pares.

Até mesmo as instituições de ensino que funcionam em modelo rodízio (os alunos saem e entram e os professores continuam na mesma sala) simulam uma grande fábrica com seus operários e instalações.

Quando a modernidade apresentou um novo modelo, ainda sem um nome bem definido (o futuro irá nomear não se preocupe) os humanos não estavam preparados para a alteração no que consideravam trabalho/produção. Não são poucas as pessoas que sofrem, mesmo estando produzindo, apenas porque, internamente, não existe um reconhecimento dentro do antigo padrão estabelecido.

Ocorre que, o cérebro em si não faz muita distinção do que seja considerado uma produção desde que a mente consciente assinale como tal. Assim, desenvolve-se uma rotina comportamental que, quando praticada diariamente, ajuda na estruturação de uma autoestima. A capacidade de se reconhecer como membro produzido e merecedor das recompensas.

São esses os passos dessa dinâmica diária?

1- Encontre três tarefas pequenas que possa realizar diariamente. Coisas bem simples e fáceis de serem realizadas todos os dias de forma ininterrupta por pelo menos um mês. É importante que as tarefas sejam realizadas todos os dias que a pessoa considere de produção: segunda a sexta ou segunda a sábado. Pense em coisas realmente simples de serem realizadas: origamis, post em blog, diário pessoal, cuidar de uma planta, fazer artesanato. O importante é que, uma vez escolhidas, as tarefas sejam executadas.



2- Agora, após cada tarefa executada, você deve se dar um presente. Algo simples também, mas que sinalize ao seu cérebro que você executou uma produção e que, por isso, é merecedor de uma recompensa. Dá mesma forma pense em se dar coisas simples como: beber uma água de coco, dar uma caminhada, ir ao cinema ou assistir um filme em casa mesmo.


O que acontece com a mente nesse processo é que ela passa a ser apresentada a produção, merecedora de crédito, em um formato diferente dos usuais. Assim, com os dias e a rotina estabelecida o modelo se torna inconsciente. Toda e qualquer produção, por menor que seja, é digna e merece receber recompensas por isso.

Muitos são as vítimas da alteração de modelos de produção e merecimento. Artistas de sucesso, como músicos por exemplo, podem se tornar milionários com pouco tempo de trabalho (no sentido comum da palavra), jogadores profissionais de futebol e quem mais possa ser possível imaginar que não tem uma rotina de sair de casa, bater um ponto e retornar para o lar após uma jornada exaustiva. E existem muitas possibilidades abertas e novas formas de trabalho, basta você perceber com o que se identifica e colocar em prática, mesmo que seja fora do modelo tradicional.

Produzir é necessário não tão somente para o retorno financeiro, mas, para nos sentirmos parte atuante no mundo em que vivemos. A recompensa maior é o auto-reconhecimento.

Por Prof. Dr. João Oliveira

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