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quinta-feira, 17 de maio de 2018

O DIA DE MINHA MORTE





            A história que vou contar agora é absolutamente verdadeira, juro pelos meus cabelos! Pode até ser que você não acredite, mas isso não é problema meu. Sinto que devo compartilhar e pronto: agora vou falar!

            Estava caminhando pela orla, em um dia de sol (vide foto) quando percebi que estava sendo seguido de perto por alguém. Me virei e notei uma sombra escura pairando no ar. Algo realmente medonho e que, no primeiro momento, me assustou. Mas, a sombra foi se materializando e percebi que era o estereótipo da morte e, como bom psicólogo que sou, deduzi que estava tendo uma alucinação positiva devido a quantidade de água de coco que havia bebido momentos antes.

- Bom dia senhor João, sou Azrael, o anjo da morte e seu xará em árabe (Xuão). Podemos conversar um pouco?

            A voz grave que saia debaixo do capuz não me assustou. Mas, a possibilidade de ser xará do anjo da morte era algo que até então não sabia.
- Claro que sim xará, quer se sentar aqui no quiosque? – Disse sorridente.
- Porque não? Claro! Nossa conversa pode ser longa.
            Dito isso, nos sentamos no antigo Quiosque Le Trois na reta da Siqueira Campos, Posto 3.
            - Sabe – disse a Morte em seu tom cavernoso – Estou com um pequeno problema e preciso de sua ajuda para resolver. Veja aqui essa minha agenda.
            Colocou em cima da mesa um monte de papeis velhos com inscrições impossíveis de se ler.

            - Nosso encontro estava agendado para amanhã... veja aqui: um ônibus desgovernado na esquina da Constante com Nossa Senhora... as 10h45 da manhã. Parece que o senhor estava indo na farmácia comprar... bom, isso não é de meu interesse. Está vendo aqui?

            - Como é que é? Eu vou morrer amanhã?? – Disse já me arrumando para sair correndo.

            - Calma, calma... o problema é justamente esse. Amanhã tenho um atentado em Cabul, um avião que cai na Ásia e uma situação de terremoto aqui nessas ilhas – disse apontando no mapa para um ponto no pacífico.

- Então – continuou a morte – Tenho de fazer escolhas, assim como todo mundo, e não poderei estar por aqui nessa hora. Dessa forma, o senhor não irá morrer amanhã.

- Mas, isso é uma boa notícia, não é?

- Para o senhor talvez sim...Para mim não. Ocorre que temos um protocolo muito sério e o senhor têm um monte de padrinhos no departamento. Veja só a lista (puxou outro papel velho cheio de rabiscos e desenhos infantis): Indra, Anúbis, Emothep, Jagannath ... pera aí? Quem é Ultra Seven?

- Como o senhor disse: um de meus padrinhos poderosos. Mas, o que isso significa de fato?

- Que, como a falha operacional é minha, fica facultado ao senhor a possibilidade de escolher o dia que deseja morrer, ou melhor, as condições do dia em que deseja morrer. Apenas deve ser no Rio de Janeiro, já que a data original era para ser aqui.

- Posso escolher a data em que vou morrer?

- Não! Pode escolher as condições gerais no dia em deseja morrer. Tipo assim: chuvoso ou com sol, dia de festa, feriado... essas coisas.

- Posso escolher agora? – Disse com firmeza.

- Pode sim, na verdade o senhor tem de escolher agora.

- Um momento só... bebe algo? Vou pedir uma cerveja gelada.

- Só tequila.

- Jorge! – chamei o garçom – Traz duas Margaritas caprichadas!

            A morte parecia inquieta e em um tom mais cavernoso ainda disse:

- Decida-se agora!

- Pensei um pouco – disse calmante – E gostaria de ser levado no dia em que não tivesse nenhuma ocorrência de crimes ou assaltos no Rio de Janeiro e que todos os ônibus da cidade tivessem ar condicionado. Essa condição está dentro do seu protocolo?

            A morte deu uma longa gargalhada. Virou-se para o garçom e gritou:

- Jorge, traz a garrafa de Tequila, dois limões e sal. A conversa vai ser longa mesmo.
            Olhou para mim e pela primeira vez vi seus olhos vermelhos.

- Senhor João, viver muito não é garantia de saúde... lembre-se disso.

- Sim, eu sei estou me cuidando... então, está aceita a minha condição?

- Sim, está. Mas, já que estamos conversando. O senhor já escolheu o seu candidato? Veja só, estou em campanha pelo Bolsonaro... o senhor pode me ajudar com o seu voto?

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