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domingo, 18 de fevereiro de 2018

A DISTÂNCIA


Por Prof. Dr. João Oliveira

Um detalhe que, às vezes, pode passar despercebido pelo recrutamento e seleção é a distância da moradia do futuro colaborador em relação ao local de sua atuação. Muitas empresas possuem parâmetros específicos sobre este item. Algumas corporações até limitam em quilômetros o aceitável para admitir o candidato ou não. Tornando, portanto, um quesito de eliminação o fato de alguém, mesmo qualificado para o cargo, não residir em uma área aceitável pela empresa como saudável.

Será que isto está correto? Seria isto uma forma de discriminação?

Vamos tomar como exemplo uma grande cidade, como o Rio de Janeiro, ou mesmo São Paulo, onde algumas pessoas são obrigadas a se deslocar por mais de 30 quilômetros até seu local de trabalho todos os dias. Em alguns casos, como o translado do Bairro do Recreio dos Bandeirantes até o centro da cidade do Rio de Janeiro, isto pode demorar, em alguns dias da semana, até três horas, o que dá seis horas gastas apenas no trânsito. Isso deve estar longe de ser saudável para alguém. Neste caso estamos falando de pessoas com alto poder aquisitivo e que se deslocam em seus próprios veículos com ar condicionado.

A grande massa, geradora de riquezas para a nossa nação, viaja espremida em vagões de metrô ou trens, que nunca circulam dentro de sua capacidade normal, ou seja, estão quase sempre superlotados. Muitos trabalhadores vão dormir perto da meia-noite para despertar às 4 horas, pois, caso contrário, não conseguem chegar no horário do ponto ou retornar para suas casas.

Não há vida social e sequer a possibilidade de crescimento. Afinal, não sobre tempo para investir em si mesmo!

Em função deste cenário é lógico pensar que o estresse e o possível abalo na estrutura psicológica, ao longo do tempo, acabam por diminuir as potencialidades produtivas deste indivíduo e, desta forma, ele será um peso na instituição. Algo que poderia ter sido evitado com um bom processo de seleção.

Antes de pensarmos em exclusão por distância podemos pensar em virtualidade. Será que nesta função é aplicável? O home office, escritório doméstico, pode ser a solução para diversos tipos de atuação, dispensando a presença física do funcionário dentro da instituição. Parâmetros de produção devem ser colocados e, caso seja mesmo possível este perfil de atuação, a empresa terá um ganho extra, uma vez que quanto menos pessoal na instituição, menor será o custo com estrutura.

No caso visível de grandes distâncias e a impossibilidade de adequação para uma residência mais próxima do seu cargo funcional, melhor apostar em outro profissional. Na verdade, o próprio sujeito já deveria excluir postos onde o percurso demandasse mais de uma hora de trânsito. O resultado, quando adequado, é um rendimento maior, melhor qualidade de vida e possibilidades de investimentos na vida pessoal, como, por exemplo, um curso noturno.

A verdade deve ser dita: a distância acaba por escravizar o trabalhador! Sua realidade de mundo diminui ao ponto de se transformar em um artefato da produção, sem direito ao lazer e, nos finais de semana ou feriados, ele se encontra em tal grau de exaustão, que não consegue usufruir seu tempo extra. E sem a possibilidade de lazer, apenas com o objetivo de relaxar do estresse diário, ou de assistir a um evento cultural a pessoa acaba prejudicando, até mesmo, sua capacidade profissional, por maior que ela seja.

No próximo recrutamento e seleção leve em consideração este detalhe. Não se trata de discriminação e, sim, de buscar o melhor para empresa e, sem dúvida alguma, para o ser humano que pleiteia a vaga pensando, unicamente, nos valores salariais sem levar em consideração a própria existência.

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