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sábado, 18 de novembro de 2017

DIGA-ME COMO ANDAS E TE DIREI O QUE SENTES


Por Prof. Dr. João Oliveira



Algumas coisas são certas em nossas vidas: que tudo muda; que tudo passa e que, um dia, tudo isso irá terminar (pelo menos para nós). Assim, seja qual for o momento em que você estiver vivendo, bom ou ruim, vale a pena pensar nessas três possibilidades. Com certeza irá ajudar a vivenciar melhor o momento, caso ele seja positivo, ou ampliar as esperanças que algo melhor irá surgir, caso você esteja vivenciando um péssimo instante em sua trajetória de vida.

O nosso estado de humor, ou também chamado estado de ânimo, pode ser alterado pela maneira como ressignificamos os fatos ocorridos no dia a dia. Manter uma boa administração emocional é o segredo para ter sucesso em absolutamente tudo na vida. Mas, é muito complicado saber em qual estado de ânimo realmente estamos.

Quando somos “infectados” por alguma emoção que consideramos negativa e ela se instala através da retroalimentação. A mente busca uma justificativa para o que se sente e procura na memória um fato que possa explicar isso. Logo é gerado um acréscimo na emoção, aumentando sua percepção. Quanto mais se pensa e se fala sobre o que sentimos e porque sentimos (sem um processo terapêutico em curso) mais aumenta a dita emoção negativa e isso pode chegar ao ponto de, geralmente, acreditarmos que somos assim e não que estamos assim.

Como podemos então identificar o real estado emocional que estamos vivenciando, em determinado momento, para que possamos, de forma reflexiva, alterar o status quo em busca de um melhor posicionamento?

Um estudo feito na Alemanha aponta que o estado de humor afeta o modo de andar de uma pessoa. No artigo Embodiment of Sadness and Depression—Gait Patterns Associated With Dysphoric Mood, os pesquisadores apresentam certas diferenças no modo de andar de pessoas depressivas, em comparação aos que não apresentam tal estado de humor. Movimento dos braços, a oscilação do corpo, os movimentos verticais, postura e velocidade são alterados de acordo com o estado emocional instalado em uma pessoa.

A diferença é percebível de forma clara nos depressivos, pois, apresentam um menor movimento na oscilação dos braços, maior amplitude na oscilação do corpo, menor amplitude nos movimentos verticais, postura mais inclinada e menor velocidade ao andar.

Em um segundo estudo, ainda dentro deste artigo, os pesquisadores induziram estado de tristeza e felicidade e não encontraram alterações significativas na marcha dos voluntários. A alteração do humor foi induzida por meio da audição de peças de músicas tristes e alegres; depois, era solicitado a cada sujeito que caminhasse por um tapete vermelho para a análise da marcha.

Esse estudo revelou que pode ser possível, com uma técnica mais apurada, um diagnóstico do estado emocional ou sintomático de uma pessoa na observação do seu modo de caminhar, já que tristeza (estado de humor) e depressão (doença) apresentaram no estudo perfis diferentes na análise dos elementos que compõem a marcha do andar.

De uma forma não científica, apenas como objeto de observação e reflexão, podemos apresentar três diferentes formas de marcha que podem indicar o estado de espírito de uma pessoa: andar como se estivesse chutando, andar como se puxasse o chão para trás e caminhar arrastando os pés.

Sabendo identificar o modo que estamos caminhando, ou que as outras pessoas exibem durante a marcha, pode nos dar uma ideia do que se passa no ambiente emocional para que, se quisermos, efetuarmos uma alteração buscando sempre o possível melhor para o momento de vida.

1 – Andar chutando: basta colocar o ato na vida real. Quem anda chutando está lidando com os problemas de uma forma um tanto agressiva. O movimento dos pés indica que, neste instante, ele está afastando as dificuldades imprimindo força em seus atos.

2 – Puxando o chão: trazendo o mundo para debaixo dos seus pés. Um astronauta recém-chegado da ISS disse que, ao subir uma escada na Terra ele tinha a sensação de estar empurrando todo o planeta para baixo e não de estar subindo com o seu corpo. O período em gravidade zero mudou sua propriocepção no mundo. Uma pessoa que anda assim está em um excelente momento de autoestima.

3- Arrastando os pés: óbvio que não é uma boa forma de caminhar. Demonstra tristeza e um baixo estado de ânimo. Essa pessoa não está reagindo bem diante dos enfretamentos dos problemas cotidianos.

Está é apenas uma pequena reflexão sobre esse vasto campo que é a linguagem não verbal. Nada mais do que a apresentação de um ângulo de visão que não é muito discutido nas salas de aula sobre leitura fria. O ser humano e a sua comunicação global consistem em um campo infinito para novas possíveis descobertas.

Curiosidade e muita atenção aos detalhes fazem toda diferença para quem deseja se tornar um bom analista comportamental.



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