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terça-feira, 16 de agosto de 2016

O MISTÉRIO DA PONTE SUSPENSA



Por João Oliveira

Era de fato muito interessante ver os animais passando sobre a Ponte suspensa de Ghasa – Nepal. Eles chegavam ao outro lado de uma forma tranquila e a ponte nem balançava. Isso era realmente interessante, pois ocorria mesmo sob fortes ventos.

Os moradores do local já não tinham tanta sorte. A ponte sempre balançava muito, mesmo quando não havia vento algum no desfiladeiro. Isso, fato percebível por qualquer pessoa, ocorria há muitos anos sem nenhuma explicação.

Os anciões, velhos sábios e experientes, têm algumas teorias: - “ A ponte protege os animais e não gosta dos homens! ” – Dizem alguns – “ Os deuses possuem preferência pelos inocentes, por isso a ponte respeita os animais que são almas puras de Deus! ”.

Dito pelo não dito ainda se configura a realidade: a ponte só balança quando passam seres humanos.

Não tem muito tempo uma pessoa trouxe um amigo cego para conhecer a aldeia e, como vocês já devem ter desconfiado, na ponte de Ghasa só é possível passar uma pessoa por vez, por isso o cego – que nunca havia estado por ali antes – foi colocado sozinho na frente e ninguém o alertou para o perigo da ponte.

Ele passou tranquilo por uma ponte firme sem nenhuma manifestação de incômodo. A ponte não balançou em momento algum.

Claro: - “Deus protege os cegos também! ” Mas, alguém lembrou de um pequeno detalhe, quando os animais passam pela ponte eles têm seus olhos vendados. 

Agora uma real confusão estava armada no pequeno povoado. Como podemos associar, pensavam os mais velhos, os olhos vendados dos animais ao cego e o não balançar da ponte. 

- “Já sei! – Disse o velho Safae (seu nome significa clareza, pureza e serenidade) – Venda-me os olhos e eu provarei que a ponte respeita aqueles que não tem visão. Está resolvido o mistério da ponte! ”

Aplaudido de pé por todos que estavam em volta da fogueira e, sem perda de tempo, foi vendado e colocado na ponta da ponte. 

Nem queira saber o que ocorreu em seguida. A noite de lua cheia, sem vento algum, viu a ponte balançar – de tal forma – que o ancião não deu cinco passos além da borda.

O segredo da ponte ainda impera entre os habitantes da pequena aldeia de Ghasa, lá no alto do Nepal, mas, eu posso dizer para você o que realmente ocorre. 

Os animais, com os olhos cobertos, não sabem por onde estão passando. Não tem medo, não tremem, e isso não reflete na estrutura da ponte que pode ser impactada por mínimas alterações em sua superfície. As cordas que a sustentam amplificam, como uma onda, qualquer tremor que ocorra em sua face.

O cego desconhecia o local, não tinha noção de onde estava caminhando e por isso não teve medo, não teve dúvidas e não causou nenhuma mudança na acomodação da ponte.

Já os homens, que temem a altura e a fragilidade aparente da ponte de Ghasa, possuem temor ao perigo e, seus pequenos movimentos de insegurança, mesmo os ideomotores, acabam sendo refletidos pela ponte que, como já sabemos, os amplifica em toda sua extensão. O velho ancião, mesmo vendado, conhecia os riscos da ponte, temia cair e morrer e isso não mudou seu passo mesmo tendo seus olhos vendados.

O que podemos retirar dessa verdadeira história?

Na vida devemos caminhar com segurança sobre qualquer caminho que tenhamos de enfrentar. Isso fará, com que o próprio piso, se mantenha estável enquanto atravessamos as tempestades.

Ter medo, deixar que ele se apodere de nós, só irá criar ondas que serão potencializadas pela estrada da vida.

Ainda penso em atravessar a ponte de Ghasa um dia. Será que ela irá tremer sob os meus pés? E sob os seus? Na verdade, me desculpe a pergunta: o chão está trêmulo agora ou são apenas os seus pés?


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