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sábado, 12 de dezembro de 2015

O REI DO GRÃO DE AREIA



Por João Oliveira (Psicólogo CRP 05/32031)

Diferente de algumas histórias que você conhece, essa não começa dizendo algo sobre um grande reino longe daqui. Na verdade, trata-se de um pequeno reino que pode estar perto daqui, no planeta Terra.  Pequeno mesmo, tão pequeno que todos residiam em um grão de areia, na realidade o único grão de areia que existia no universo naquele momento.

Milhares de súditos e a nobreza partilhavam de grandes campos cultiváveis que existiam nesse minúsculo grão de areia. Claro, era pequeno aos nossos olhos, pois, para eles que lá viviam, era um amplo mundo de riquezas.

O rei, soberano e ditador, um dia reuniu seus sábios no microscópico salão real e proferiu um discurso que seria inaudível aos ouvidos humanos:

- “Para que esse reino seja feliz e próspero preciso ter certeza que somos um só pensamento. Por isso quero, por decreto real, que todos concordem com os meus pensamentos. Todo aquele que pensar diferente de mim será banido do nosso reino! ”

Aquilo soou como um tiro na cabeça dos sábios. Como o rei poderia lançar um decreto como esse? Um desses sábios era também um Mago extremamente poderoso e perguntou ao soberano:

- Majestade, mas não existe nada além de nossas fronteiras. Para onde irão essas pessoas que o senhor irá expulsar?

- Isso não me interessa! – Gritou silenciosamente o rei (silenciosamente aos nossos ouvidos de gigantes) – Eles que criem, cada um, seus próprios reinos e sejam por lá felizes.

O Mago – (eu disse que ele era muito poderoso?) – Naquele instante teve uma excelente ideia e elaborou um encantamento capaz de dar, a cada habitante daquele reino, a capacidade de criar o seu próprio grão de areia caso fosse expulso do reino. Assim ele estava garantindo que todos sobreviveriam a ira do rei.

Já no outro dia, o rei passou a aplicar um teste em todos os seus súditos para saber se eles estavam, de fato, em concordância total com os seus pensamentos. Ele pensava um número de 5 dígitos e perguntava as pessoas que número era esse. Caso errassem seriam expulsos, pois, essa era a prova maior que não pensavam como ele.

Lógico. Ninguém acertou, nem mesmo a rainha ou os sábios. E, cada um deles que era expulso se via, automaticamente, em um novo e espaçoso grão de areia. Milhares e milhares de novos reinos foram surgindo criando uma grande rede interligada por contato físico. 

Pouco tempo depois o rei estava sozinho em seu grande grão de areia reinando soberano sobre ele mesmo e proferindo suas sentenças que só seriam aplicadas sobre ele mesmo. Já seus súditos, hoje reis de seu próprio território, se organizaram e já tinham sua pequenina ONU, além de um grande mercado de trocas de seus produtos: eram felizes.

Saiba você então, quando vai a uma praia qualquer, que houve um tempo que só existia um único grão de areia. Tudo isso que você vê hoje nada mais é que o produto de uma discordância de pensamentos que propiciou a criação de novas possibilidades.

Sim, isso mesmo: cada grão de areia que você vê é o produto de alguém que foi expulso por um rei absolutista. O número elevado de grãos se dá porque alguns deles imitaram o rei e também expulsaram outras pessoas que igualmente criaram novos reinos. Agora, se o rei era feliz ou não, não sabemos, porque existem pessoas que a única possibilidade de felicidade é o individualismo narcisista da soberania de suas ideias.

Assim, caro amigo, tenha em mente que é possível ir além de reinos individuais se distanciando de pessoas que só concordam com os próprios pensamentos. Provavelmente o mago errou na dose ao criar o encantamento, pois também fomos afetados por ele. Somos capazes de criar nossos próprios reinos para sermos eternamente felizes longe de quem só aceita o próprio espelho. 



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