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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

TROCA DE TURNO


Por João Oliveira



Já estava quase anoitecendo quando ele chegou se dirigindo ao senhor idoso que estava arrumando algumas tralhas:




- Então? Pronto para a aposentadoria?




- Ainda não. – Disse o velho cabisbaixo – De fato, ainda tenho muitos planos que não foram plenamente realizados.




- Pode esquecer. Agora eu é que tomo conta da parada. Conhece a frase: “Estamos sob nova direção”?




- Sim, claro. Não tenho dúvidas que você vai assumir agora cheio de novas ideias de gerenciamento.




- Você nem imagina meu velho. Vou arrumar a bagunça que você está deixando e ainda vou incrementar um monte de novidades.




- Mesmo? – O velho riu.




- Está rido de quê? Posso saber? – Se irritou o jovem.




- Você se parece muito comigo quando cheguei aqui: cheio de planos, ideias, cheio de vontade e dinamismo. – Baixou a cabeça e respirou fundo – Tudo se perdeu durante o meu turno aqui. Fiz o que pude mas, como pode ver... está tudo uma grande bagunça.




- Entendo. Sei como é se decepcionar. Mas isso não vai acontecer comigo pode ter certeza.




- Falei o mesmo para o meu antecessor. O problema não somos nós. O problema são eles.




- Eles? O que eles podem fazer: nós somos o tempo! Ninguém é mais poderoso que o tempo.




- Meu jovem. Entenda que eles podem ter todo o tempo do mundo e nunca aprenderão o básico para o crescimento contínuo. São seres de baixa longevidade e extremamente egoístas. Mesmo sabendo que possuem uma existência ínfima não se preocupam em deixar algo para a posteridade que os torne memoráveis.




- Mas, nossa passagem aqui também é curta. Somente uma volta em torno da estrela de quinta grandeza.




- Sim, isso é fato. Depois voltamos para o Continuum Temporal onde a eternidade e um segundo representam a mesma coisa. No entanto, meu jovem, nos tornamos eternos no calendário. Jamais deixaremos de existir por conta dos fatos históricos. Pena que a maioria desses fatos seja negativo para humanidade.




- Deixa de ser pessimista. Soube de vários avanços na ciência, na religião, na filosofia... os erros que você está deixando (já disse) vou consertar.




- Sim, isso também é verdade. Mas, se você pegar os nossos antepassados distantes verá que esses avanços pouco representam. Estão apenas repetindo saberes já alcançados em outras eras que foram esquecidos por eles.




- Então, para que eu posso começar bem o meu período, que conselho você pode me dar que seja útil?




- Seja modesto em seus objetivos. Não adianta entrar em serviço com muitos planos e espelhar isso na cabeça deles. Pois, a grande maioria irá se frustrar. E o pior é que não é por falta de capacidade que os planos deles acabam indo por terra. Tudo fracassa por falta de prioridades. Eles se perdem no caminho, uma pena mesmo.




- Mas se eu chegar sem planos? Apenas espalhando uma vontade de ser mais feliz independentemente dos resultados alcançados?




- Espera! – O velho se levantou – Ser mais feliz de qualquer forma?




- Isso! É possível, não é?




- Claro! Alguns deles são muito felizes com pouco. Olha aqui, veja aqueles que moram em casas pequenas e que estão festejando a sua chegada com grande alegria. Pouco possuem na vida material, mas são repletos de energia positiva. Olhe lá um pouco adiante, aquela casa cheia de riquezas, veja como as pessoas são silenciosas.




- Então é possível ser feliz independentemente dos resultados alcançados?




- Sim... tanto é que agora estou até me sentido melhor. – Sorriu o velho – Acho que você irá começar bem 2016.




- Espero que sim 2015. Obrigado pela conversa. Meu objetivo agora é que todos sejam felizes em qualquer condição possível. Afinal, sempre teremos um novo ano e muitos deles, seres finitos, talvez não.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

CONTOS DE NATAL



Por João Oliveira

TOMO PRIMEIRO: O VELHO QUE NÃO SABIA REZAR

Havia no alto da montanha uma pequena cabana onde viviam uma jovem e seu velho pai. Nessa noite de véspera de Natal ele estava muito adoentado, tossindo muito, e pediu a filha que lhe chamasse o Padre na aldeia.

- Mas pai? – Disse a menina nos seus poucos quinze anos e vida – O senhor sempre me proibiu de ir à igreja. Porque deseja ver o padre?

- Acho que é minha última noite na terra filha. Está muito frio e não vou aguentar mais... chame o pároco preciso lhe falar.

Assim foi feito. A menina atravessou a aldeia cheia de neve até a casa paroquial. O padre, como todo bom cristão, se chamado vai ao encontro dos necessitados.

- O que desejas de mim? – Falou o padre em tom carinhoso – Desde que sua esposa morreu no parto dessa linda moça você nunca mais voltou à igreja ou permitiu que ela lá fosse... o que posso fazer por você?

- Padre, peço perdão pelas minhas falhas. Sinto que hoje é meu último dia na vida e gostaria de me lembrar como é que se reza. Faz tanto tempo que abandonei a religião com raiva de Deus pela morte de minha esposa que, agora gostaria de rezar, mas, me desculpe, não me lembro como fazer isso.

- Mas, isso é tão fácil meu filho. Veja, está olhando aquela cadeira vazia ali no canto do quarto? Pois bem, imagine que o Senhor Jesus veio lhe visitar hoje, na noite de Natal, e como um velho amigo se põe a conversar com você. Conte-lhe se suas aventuras, seus sucessos, seus fracassos, diga-lhe como foi sua vida e das coisas que se arrepende. Como um amigo querido que você não vê há muito tempo. Isso é rezar, meu filho, falar com Deus através de seu Filho Jesus.

Dito isso, o Padre foi embora. Aquela, provavelmente, foi a noite mais fria do ano e o velho não aguentou. Pela manhã soam batidas fortes na porta da casa paroquial.

- Sr. Padre, por favor, venha à minha casa. Meu pai amanheceu morto. – Disse a menina.

- Meus pêsames. Mas querida filham isso já era esperado.

- Eu sei Padre, mas ele morreu de uma forma muito estranha.

Lá chegando o Padre teve uma surpresa. Durante a noite o velho havia reunido todas as forças para se levantar e trazer a cadeira vazia até próximo a cabeceira de sua cama. Ali ele morreu, com a cabeça apoiada na cadeira.

Disse o padre com lagrimas nos olhos:

- Quem dera que todos nós pudéssemos morrer assim: com a cabeça no colo de Cristo.

TOMO SEGUNDO: A FERRAMENTA PRODUTIVA


Todos os dias ele trabalhava na sua serralheria. Sozinho ele fabricava cadeiras, mesas, armários... muitas pessoas tinham, naquela cidade, a casa praticamente toda feita com os móveis de sua pequena empresa.

Trabalhando sozinho ele só tinha mesmo tempo para o trabalho e nunca tirava férias ou investia tempo com a manutenção de suas ferramentas. Dia a após dia, sempre produzindo mais e mais, sem se preocupar com o estado de sua saúde ou de seus instrumentos de produção.

Um dia, ao serrar uma porta, o serrote se partiu e, um pedaço da lâmina, acertou o seu olho esquerdo o cegando para sempre.

Aquilo foi como a própria morte: como poderia ele ser castigado por Deus fazendo o que ele mais gostava (trabalhar) e exatamente produzindo coisas úteis para todos? Se estivesse farreando, fazendo maldades ou sendo desleal com os amigos, pelo menos teria uma justificativa para ser castigado. Mas, ele estava trabalhando e isso não podia ser compreendido. Ficou muito triste.

Alguns meses depois outro sério acidente. Uma carga rolou da empilhadeira e quebrou sua perna direita. Devido ao local (fêmur) e sua idade avançada (75 anos) foi obrigado a andar de muletas o que o atrapalhava bastante.

Nesse ponto ele se revoltou com o criador e foi dormir uma noite, renegando sua crença em Deus. Durante a madrugada uma luz, ele nunca descobriu se isso realmente aconteceu ou foi apenas um sonho, iluminou todo o quarto com uma voz estrondante:

- Filho Meu, sabe que dia é hoje?

- Véspera de Natal... quem está falando? É um fantasma?

- Sim, sou o Fantasma da criação. Aquele que tudo vê, tudo controla no universo, mas, como bem sabes, nada decide pelas consciências humanas. Essas tão poderosas consciências cheias de si.

- Como assim? – Disse o velho amedrontado – É o Senhor Meu Deus?

- Assim também posso ser chamado. Diga-me, criatura, o que te incomoda?

- Estou sendo castigado por Ti sem nada dever. Muito pelo contrário, sou um exemplo de pessoa produtiva para seu reino.

- Sim, isso é verdade. Mas, filho, me diga: tem cuidado de suas ferramentas de produção?

- Como assim Senhor?

- Ouça bem o que lhe digo, tudo que nesse mundo há necessita de reparo, descanso e, como já deve ter percebido cuidado e atenção. Até mesmo as árvores mais frutíferas no inverno têm o seu momento de hibernação. Você só é culpado pela falta de zelo com o próprio corpo, ferramenta maior de produção nesse mundo e dos instrumentos que utiliza em seu trabalho.

O silêncio, prova da culpa, se fez presente. A voz que emanava da luz continuou:

- Agora não há mais tempo para reparações. Que seu exemplo sirva aos demais: todas as ferramentas, talentos e corpos tem seu tempo de vida útil que pode, ou não, ser prolongado se forem devidamente cuidados. Limpe bem sua enxada para que ela corte o capim e não o seu pé.

Assim dito, a luz se apagou, o velho carpinteiro essa história, pelo mundo, espalhou. 

TOMO TERCEIRO: PAPAI NOEL CARIOCA

Quando encontrou a carteira perto do bueiro da Rua Dias da Rocha, Augusto percebeu que a sorte finalmente havia lhe sorrido. Já era véspera de Natal e até agora não tinha conseguido nenhuma vaga de propagandista nas lojas.

A sua barriga avantajada era um trunfo nessa época. Se vestia de Noel e ficava na frente das lojas em Copacabana balançando um sininho e dizendo: - “Ho, Ho, Ho, Feliz Natal!”. Só isso e a ceia estava garantida.

Não vivia mal. A aposentadoria de engenheiro da DAE (Departamento de Águas e Esgoto) lhe rendiam uns parcos R$ 3.500,00 por mês. Isso era mais que suficiente para pagar a pensão em São Cristóvão, a alimentação e umas cervejas com os amigos nos finais de semana na feira nordestina no pavilhão. 

Apenas um problema lhe atrapalhava esse ano: o novo código de postura municipal. Ocorre que a figura na calçada do propagandista foi proibida. Adeus ao Papai Noel das Calçadas, as bandinhas natalinas e todos os outros periféricos dessa época.  O dinheiro extra não existiria mais.

A carteira parecia gorda e, ao abrir, se deparou com R$ 1.600,00 em notas de cinquenta reais. O sorriso abriu a boca de orelha a orelha. Era o seu presente de Natal. Agora, poderia ir ao Barbarela, lá na Princesa Isabel, ver as meninas bem esculpidas e tomar todas as cervejas importadas que desejasse.

O detalhe foi, que junto com o dinheiro, veio também o nome e endereço do proprietário. Um tal senhor Armando Nascimento de Jesus que lhe parecia familiar. Lhe bateu algo na consciência e, como o endereço era próximo, decidiu levar a carteira ao real proprietário. Não era longe, o senhor Armando, dizia o boleto na Light, morava no Bairro Peixoto.

- Boa tarde – Falou ele a senhora idosa que veio lhe atender no portão.- A senhora conhece o Sr. Armando?

- Sim, do que se trata?

- Bom, achei essa carteira perto de um bueiro na Rua Dias da Rocha, aquela sem saída em Copacabana. Dentro dela está, não mexi em nada, mil e seiscentos reais.

-Meu Deus – Gritou a velha apavorada – Isso não é possível? Quem é o senhor afinal?

- Que isso senhora? Estou querendo entregar a carteira ao senhor Armando e espero que ele seja generoso comigo... afinal, não é todo mundo que entrega uma carteira recheada assim.

- Olha senhor, não sei que brincadeira é essa. Meu marido morreu há três anos e, logo agora que preciso, exatamente de R$ 1.600,00 para finalizar o inventário o senhor me aparece com essa história? Quem é o senhor? Faz parte do sindicado do Papai Noel?

- Desculpa... sindicado do Papai Noel?

- É isso mesmo. Aquele grupo que Armando fundou. Ele e uma turma de bêbados que costumavam se reunir no Natal para se vestir de Papal Noel e sair por aí dando brinquedos para esses menores de ruas.

Nesse ponto ele entendeu tudo. Deu a carteira para a mulher e saiu andando pelas ruas. Onde será a sede desse sindicato afinal de contas? O recado estava dado, ele havia entendido a própria missão. Quem sabe ainda tinha tempo de comprar uns brinquedos na loja do chinês e dar para aquelas crianças do Posto 5? Seu coração ficou repleto.




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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

SINTONIA




Por Beatriz Acampora


Em uma comunidade muito pobre existe uma mulher que tem cinco filhos e trabalha em casa lavando roupa para fora. Ela tinha um rádio muito antigo com o botão quebrado que a impedia de trocar de estação. Seu desejo era ouvir músicas alegres, notícias engraçadas, mas todos os dias ela ouvia a mesma estação de rádio, que só tocava músicas tristes, o locutor quase não falava e quando dizia algo era em tom melancólico, desanimado. 

Ocorre que ela não tinha dinheiro para comprar outro rádio e nem ninguém que ela conhecia poderia ajudá-la a ter um rádio novo. Com isso, ela se acostumou ao seu rádio velho de uma única estação de rádio. As músicas tocadas a deixavam triste, abatida, mas isso se tornou algo comum para ela. 

Todos os dias ela fazia a mesma coisa: lavava roupa para os clientes ouvindo a mesma estação de rádio, até que em uma certa manhã, uma amiga, também muito humilde, a convidou para ir em uma excursão a uma cidade vizinha. Ela ficou hesitante, mas aceitou. 

No ônibus havia um rádio moderno e, como ela chegou cedo, pôde conversar com o motorista e ouvir um pouco de cada estação de rádio, sentada na escada do ônibus. Gostou de várias e percebeu que as músicas, o tom de voz do locutor, tinham uma energia que contagiava e faziam ela se sentir de muitos modos diferentes. 

Percebeu, então, que precisava sintonizar em uma estação diferente da que tinha se habituado em seu velho rádio com botão quebrado. E, ao voltar da excursão, decidiu jogar fora o aparelho danificado. Colocou em sua mente que era merecedora de um rádio novo e que os meios para adquiri-lo iam surgir. 

Foi aí que ela teve a ideia de criar um trabalho extra e passou a fazer comida sob encomenda. Todo o lucro deste novo empreendimento era guardado. Depois de algum tempo, na véspera do ano novo, ela conseguiu ir a uma loja e comprar um rádio novo. 

A felicidade de experimentar sintonias de ondas de rádio diferentes era tanta, que ela decidiu que a partir daquele dia só ouviria músicas alegres, que inundassem seu ser com bons sentimentos. 

Na vida todos nós temos um rádio interno que precisa ser constantemente ajustado. A evolução e o aprendizado requerem novas práticas, novos rumos. E qualquer mudança se torna muito difícil quando se persiste em sintonizar no velho, ultrapassado, que não é mais útil e que cria desconforto. 

O problema é que é mais fácil se habituar a algo ruim e criar uma zona de conforto do que investir na mudança necessária para uma nova frequência. Parece um tanto clichê afirmar que “você é o que você pensa”, pois isso já é amplamente divulgado. O filósofo Descartes cunhou a célebre frase “penso, logo existo”. E se apreendermos o modo como nos conduzimos pela existência, veremos que é o pensamento e as estruturas afetivas que formam suas bases, que criam uma determinada sintonia com o mundo. 

O filtro que uma pessoa utiliza para interpretar algo como bom ou ruim, o modo de lidar com uma nova experiência, a compreensão de um fato, tudo isso tem como base a vibração do indivíduo com ele mesmo e com tudo que o cerca. 

É hora de pensar em ouvir novas estações, abandonar o velho rádio quebrado e escolher uma nova sintonia. O Universo vibra junto com você e aquilo que é colocado nele tem retorno rápido em grandes proporções. 

Um novo ano se aproxima, novos sóis, novas luas, oportunidades de crescimento, de mudança, aprendizado e de felicidade: a renovação só depende da sua escolha de exercer sua liberdade.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A BALA VEIO VOANDO


Por João Oliveira (Psicólogo CRP 05/32031 )

Passou pelo carteiro, mas, como sabemos, o carteiro está apenas trabalhando, não tem nada a ver com a briga das facções ou do embate da polícia contra os traficantes. Por isso mesmo, ela passou raspando, deixou o carteiro em paz. Foi em frente sem olhar para trás.


Vinha o menino correndo saindo da escola. A bala até viu o corpo macio e pensou em nele se alojar. No entanto, o menino sorria tão bonito que ela resolveu adiar esse encontro e passou a um centímetro do braço do garoto que pela via seguia.

O padre só colocou a cabeça para fora na janela da casa paroquial e, justamente, na trajetória da bala, que fez um grande esforço em curva para livrar o vigário. Afinal, pensou a bala, alguém teria de rezar a missa do próximo falecido, resultado de um outro tiro.

A lavadeira jogou a trouxa de roupas no chão. Se escondeu atrás dela. A bala riu: - “Sorte sua que não te quero como alvo. Essa trouxa que roupas sujas contém não protege sua vida. ” E seguiu em frente com a velocidade mortal que toda bala tem.

A bala, na verdade, queria mesmo era voar mais. Por isso estava evitando os alvos. A liberdade de voar em tal velocidade era incrível, ver o mundo rapidamente sendo o mais potente ser no ar deve ser uma sensação espetacular. Justamente isso ela queria fazer durar.

Pela ladeira vinha subindo o sobrinho do traficante, o mesmo que havia apertado o gatilho e a libertado pelo ar, em agradecimento ela também desviou do rapaz e seguiu adiante.

Tinha um policial na frente, ela passou rente e também tinha um político corrupto, mas, esse estava muito longe. Sem ter o que mais fazer a bala encontrou o muro e pôs fim à sua jornada no mundo.

Uma pena que a bala que voe fora dessa página não tenha piedade de ninguém. Vai de encontro a vidas finalizando histórias, deixando claro para muitos que essa jornada vale muito mais que um vintém. Viva agora, seja feliz de forma urgente, pois, não são só as balas que param a gente.

sábado, 12 de dezembro de 2015

O REI DO GRÃO DE AREIA



Por João Oliveira (Psicólogo CRP 05/32031)

Diferente de algumas histórias que você conhece, essa não começa dizendo algo sobre um grande reino longe daqui. Na verdade, trata-se de um pequeno reino que pode estar perto daqui, no planeta Terra.  Pequeno mesmo, tão pequeno que todos residiam em um grão de areia, na realidade o único grão de areia que existia no universo naquele momento.

Milhares de súditos e a nobreza partilhavam de grandes campos cultiváveis que existiam nesse minúsculo grão de areia. Claro, era pequeno aos nossos olhos, pois, para eles que lá viviam, era um amplo mundo de riquezas.

O rei, soberano e ditador, um dia reuniu seus sábios no microscópico salão real e proferiu um discurso que seria inaudível aos ouvidos humanos:

- “Para que esse reino seja feliz e próspero preciso ter certeza que somos um só pensamento. Por isso quero, por decreto real, que todos concordem com os meus pensamentos. Todo aquele que pensar diferente de mim será banido do nosso reino! ”

Aquilo soou como um tiro na cabeça dos sábios. Como o rei poderia lançar um decreto como esse? Um desses sábios era também um Mago extremamente poderoso e perguntou ao soberano:

- Majestade, mas não existe nada além de nossas fronteiras. Para onde irão essas pessoas que o senhor irá expulsar?

- Isso não me interessa! – Gritou silenciosamente o rei (silenciosamente aos nossos ouvidos de gigantes) – Eles que criem, cada um, seus próprios reinos e sejam por lá felizes.

O Mago – (eu disse que ele era muito poderoso?) – Naquele instante teve uma excelente ideia e elaborou um encantamento capaz de dar, a cada habitante daquele reino, a capacidade de criar o seu próprio grão de areia caso fosse expulso do reino. Assim ele estava garantindo que todos sobreviveriam a ira do rei.

Já no outro dia, o rei passou a aplicar um teste em todos os seus súditos para saber se eles estavam, de fato, em concordância total com os seus pensamentos. Ele pensava um número de 5 dígitos e perguntava as pessoas que número era esse. Caso errassem seriam expulsos, pois, essa era a prova maior que não pensavam como ele.

Lógico. Ninguém acertou, nem mesmo a rainha ou os sábios. E, cada um deles que era expulso se via, automaticamente, em um novo e espaçoso grão de areia. Milhares e milhares de novos reinos foram surgindo criando uma grande rede interligada por contato físico. 

Pouco tempo depois o rei estava sozinho em seu grande grão de areia reinando soberano sobre ele mesmo e proferindo suas sentenças que só seriam aplicadas sobre ele mesmo. Já seus súditos, hoje reis de seu próprio território, se organizaram e já tinham sua pequenina ONU, além de um grande mercado de trocas de seus produtos: eram felizes.

Saiba você então, quando vai a uma praia qualquer, que houve um tempo que só existia um único grão de areia. Tudo isso que você vê hoje nada mais é que o produto de uma discordância de pensamentos que propiciou a criação de novas possibilidades.

Sim, isso mesmo: cada grão de areia que você vê é o produto de alguém que foi expulso por um rei absolutista. O número elevado de grãos se dá porque alguns deles imitaram o rei e também expulsaram outras pessoas que igualmente criaram novos reinos. Agora, se o rei era feliz ou não, não sabemos, porque existem pessoas que a única possibilidade de felicidade é o individualismo narcisista da soberania de suas ideias.

Assim, caro amigo, tenha em mente que é possível ir além de reinos individuais se distanciando de pessoas que só concordam com os próprios pensamentos. Provavelmente o mago errou na dose ao criar o encantamento, pois também fomos afetados por ele. Somos capazes de criar nossos próprios reinos para sermos eternamente felizes longe de quem só aceita o próprio espelho. 



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A MENINA QUE NÃO CONHECIA A NOITE



Por Beatriz Acampora

No Egito antigo era comum as mulheres dormirem muito, cerca de 16 horas por dia. Yasmin era uma menina jovem, com 14 anos de idade, e tinha uma vida confortável, sem muitas regalias, mas com o que era preciso para viver naquela época.

A rotina da jovem Yasmin era acordar cerca de 07h da manhã, comer alguma coisa, ajudar sua mãe nos afazeres domésticos, estudar um pouco e voltar a dormir por volta das 15h. E dormia até o dia seguinte. Essa rotina, dizem, tornava as mulheres mais belas e saudáveis.

Ocorre que Yasmin nunca havia visto a noite. Certa madrugada, ela teve um sonho estranho e acordou antes do sol nascer. Quando abriu os olhos viu seus pais deitados dormindo, diferentes do que estava acostumada e assustou, acreditou que eles estavam mortos. Olhou pela janela e ficou ainda mais apavorada, pois, no lugar do sol, havia a escuridão da noite e pontos brilhantes no céu.  Aterrorizada, a menina começa a gritar e acorda a casa inteira.

Yasmin corre para o deserto tentando fugir daquela situação desconhecida. Porém fica ainda mais atordoada quando vê uma bola redonda, grande e branca no céu. Ela pensou: “será que esta coisa engoliu o sol”? A mãe foi atrás dela, a abraçou e explicou: “minha filha: essa é a noite, de dia existe o sol, a claridade e à noite existem a lua, as estrelas, que são esses pontos brancos no céu.

A mãe de Yasmin ficou abraçada com a filha, explicando os benefícios do dia e da noite, até que o sol nasce e a menina fica maravilhada com o amanhecer, com a transformação da noite em dia.

Os mistérios da vida, precisam ser apresentados. Quantos mistérios ainda seriam revelados a Yasmin? Quantos mistérios ainda se desvelarão na sua vida? E diante destes mistérios, todos têm o poder de escolher o que fazer com o novo conhecimento.  Cada um tem mistérios a revelar que podem surpreender o outro, abrir a porta para um pensamento, um julgamento diferente.

A cada um é dado muitas possibilidades em uma trilha individual e, na pessoalidade cotidiana do viver, a escolha de quais caminhos percorrer, qual a direção seguir, a intenção e a vontade de realizar, se tornam o chão daquele que percorre a vida em toda sua intensidade.

É como um homem de setenta anos do interior que nunca viu o mar e quando fica diante da imensidão do oceano, dentro dele, tem uma vastidão de ondas porque seus olhos se enchem de lágrimas, que viram rio.

É como um ribeirinho que cresce do lado do rio e para ele aquilo não tem mais mistério nenhum, mas quando ele vê uma cachoeira, se maravilha. É como um homem que vive ao lado da cachoeira, perto de uma floresta e vê os peixes pulando e não há mistério algum, mas quando ele vê algo novo pela primeira vez, maravilhado, aquilo também se torna um mistério desvelado.

Então, todo mistério, só pode deixar de ser mistério quando é revelado.  Quantas revelações ainda vamos nos permitir ter? A vida fica mais simples e fácil quando somos capazes de compreender e aceitar que existem mistérios a serem revelados em toda a parte e qualquer pessoa pode ser a fonte para desvelar um enigma quando estamos dispostos a entendê-lo.


domingo, 6 de dezembro de 2015

RECLAME



Por João Oliveira

Não investe tempo em estudo e se revolta por não alcançar uma posição melhor.
Se alimenta com produtos nocivos ao corpo e não aceita as consequências na saúde.
É incapaz de tomar decisões e se entristece com a falta de resultados.
No entanto, tem certeza de tudo. Sobre todas as coisas.

Consegue ver com clareza os erros de todos que estão ao seu redor.
Desconfia daqueles que são felizes. Afinal, isso não é possível.
Não arruma a própria cama e quer um mundo perfeito.

Reclame: essa é a solução para tudo.

Fala de uma crise cada dia pior.
Prega um futuro apocalíptico.
Prevê, com clareza, a falência de qualquer empreendimento.
Suspeita de qualquer um que tenha lucro financeiro.

Se ausenta da própria vida e reclama de Deus.
Diz ser bom e caridoso, mas, só pratica de fato o que consegue divulgar.
Não ora, não tem tempo, e espera algo dos céus.
Não anda, não tem esperança, e espera chegar em algum lugar.

Reclame: essa é a solução para tudo.

Só me faça um favor. Reclame em outra direção.
No lado da rua onde estou só ouço agradecimentos.
E, o primeiro deles, é por ter mais um dia em vida para algo construir.

Excelente domingo para todos!


    

A MONTANHA E A PIPA




Por Beatriz Acampora

Em uma pequena cidade com lindas colinas havia um construtor que tinha uma casa ao pé de uma montanha. Ele tinha o desejo de chegar tão alto que pudesse enxergar o mar e o sol do cume do monte. Se pôs, então, a construir uma escada cada vez mais alta e ao mesmo tempo que ia edificando cada degrau da escada, ia também elevando a sua casa. 

Perto dali um menino soltava pipa e a empinava tão alto que nem mesmo ele conseguia mais ver onde ela estava, apenas havia uma linha em sua mão que lhe garantia que existia uma pipa no ar. 

A intenção do construtor era que, assim como ele, as pessoas também pudessem subir as escadas e vissem a maravilhosa paisagem existente no alto da colina. E assim, erigia a escada e a casa para que pudesse alcançar o topo. 

Já o menino sabia que tinha construído uma pipa com suas próprias mãos: cortado o bambu, construído a estrutura da pipa e colado o papel de seda delicadamente. Havia amarrado o fio e empinado a pipa tão alto o quanto pôde. 

O construtor elevava a escada e a casa, enquanto o menino colocava sua pipa o mais alto que conseguia no céu. Em um dado momento, a escada estava tão alta e a casa tão distante do solo, que as pessoas que passavam tentavam gritar e falar com o construtor, mas não eram mais ouvidas. Do alto, ele até via que havia pessoas com as mãos acenando e ele as convidava para subir fazendo gestos com as mãos. Mas, as pessoas não o compreendiam, não mais o viam ou ouviam, apenas criticavam uma escada que não servia para nada. 

O menino também ouvia críticas, as outras crianças perguntavam a ele o que estava acontecendo, porque ele olhava para o alto se nada havia lá. O menino tentava explicar que ele empenou uma pipa que ele mesmo fez o mais alto que pode e que agora só era possível ver a linha em suas mãos, que também se perdia no espaço. Mas, infelizmente nenhuma outra criança acreditou nele. 

Quando o construtor chegou no topo da montanha, ele respirou fundo e olhou para o horizonte à sua frente: viu um lindo mar calmo, cristalino, sentiu a energia do sol e se percebeu totalmente conectado. Olhou para baixo e nada mais via. Já estava tão longe de onde havia partido que só conseguia enxergar o pedaço da escada que estava perto de si. 

Olhando para o alto, o menino chegou a duvidar por alguns instantes que ele havia construído e empinado a pipa, afinal, eram tantas pessoas duvidando dele, que uma ponta de hesitação passou por sua mente. 

Enquanto isso, no pé da montanha, as pessoas, revoltadas, sem entender para que a escada servia, decidiram quebra-la, destruí-la, perdendo a oportunidade de ter a mesma visão que o construtor, simplesmente porque não compreenderam para que a escada servia. 

O construtor já não se importava mais com o que acontecia lá embaixo porque ele tinha construído um caminho do qual se orgulhava e agora podia desfrutar da maravilhosa paisagem. O menino percebeu que as outras crianças não conseguiam compreender aquilo que elas não viam e por isso duvidavam da existência de algo tão banal, simplesmente porque não enxergavam nada além do que pudessem ver. E ele decidiu que ele deveria segurar firme a linha porque ela era o elo de ligação com a sua produção. 

Assim é a vida: é quase impossível compartilhar a realização com aqueles que não participaram do processo de construção. Há os que olham, mas não enxergam, os que ouvem mas não escutam, os que sentem e negam. A cada uma cabe os ônus e os bônus de sua própria caminhada. Não abra mão do que tem e do desejo de ir além porque os outros não reconhecem o seu valor.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

LIDERANÇA CORPORATIVA



Por João Oliveira (Psicólogo CRP 05/32031)

Obviamente que não existe líder sem equipe. Claro que já ouvimos falar em liderar a si próprio, mas, no ambiente institucional um líder só terá efeito na produtividade se tiver, sob seu comando, uma equipe. Aliás, saber escolher um bom grupo de colaboradores também é papel de quem quer exercer uma liderança que dê resultados positivos dentro da estrutura onde atua.


Em primeiro lugar o líder não é o sujeito que fica sentado na mesa dando ordens o tempo inteiro. Esse pode ser o chefe, mas líder de fato é aquele que consegue com inteligência, paciência, disciplina, humildade e respeito, direcionar as potencialidades de seus colaboradores para obter os frutos esperados. Muitas vezes, esse líder, não ocupa uma posição formal de comando na empresa. Ele está entre os colaboradores exercendo uma função de responsabilidade igual aos demais no seu entorno.


Então, como que faz um líder? Como ele se forma? Já sabemos que não é a posição que ocupa, o cargo, na empresa e sim o papel que exerce fazendo a diferença na organização de esforços e resultados que o grupo alcança.


Primeiro devemos definir o que liderança de fato. Para existir liderança é necessário a existência de um grupo, pelo menos mais de uma pessoa. Que ocorra uma distribuição desigual de poder, ou seja, uma hierarquia para a instituição do líder estrutural, isso é necessário mesmo que o líder de fato não seja o certificado e, por último, que a liderança seja aceita pelos colaboradores. Esse é o ponto mais importante e que define de fato se há ou não o comando: se a autoridade é dada ao superior.


Clarificando esse ponto. Não existe forma de se comandar quem não quer ser comandado. Por isso a autoridade é uma coisa ofertada pelo comandado ao seu superior e não o contrário como muitos líderes autoritários pensam. Assim, sem a aceitação do comando, surgem as divergências, motins, revoltas e todo o resto que pode acabar com uma instituição.


Ser carismático, saber ouvir, ter informações de todas as fontes confiáveis e saber escolher quais intervenções devem ser feitas são requisitos mínimos para o escopo de um bom líder. No entanto, para facilitar a formação de um perfil respeitado por todos os colaboradores podemos enumerar 10 atitudes comportamentais que devem ser evitadas a todo custo, pois, elas não fazem parte da estrutura de um real líder:


1) Não seja autoritário: esse perfil só dá certo mesmo com o J.J. Jameson o chefe do Peter Parker (Homem Aranha) nas histórias em quadrinhos. Além de caricato e apenas impor medo, esse tipo de chefe (não é líder) acaba sendo destruído pelos próprios colaboradores na primeira oportunidade que tiverem.


2) Evite falar demais: pessoas seguras não são prolixas. Dar muitos detalhes desnecessários de operações ou especular sobre o futuro de forma muito ampla com todos os colabores podem passar uma imagem de insegurança. Fale o essencial com assertividade procurando clarificar o conteúdo para que não haja ruídos no processo.


3) Não chame a atenção de um colaborador em público: se for necessário ter uma conversa mais densa com algum membro de sua equipe, chame-o para uma conversa particular. Jamais faça qualquer reclamação com um funcionário na frente dos outros, até porque pode ser considerado assédio moral. O contrário está liberado: elogie sempre que possível na frente de todos. O mérito deve ser valorizado.


4) Jamais tome os louros só para si: lembre-se que os resultados obtidos só foram possíveis por que a equipe esteve coesa. Claro que a ideia foi sua, mas foi a equipe que realizou sob seu comando. Então, a palavra de ordem é: nós! Use sempre este pronome pessoal na hora de dar declarações sobre os feitos do seu setor.


5) Não tenha pressa: pessoas que emanam poder são mais calmas e costumam pensar antes de tomar decisões. Lembre-se que uma decisão certa ou errada pode mudar todo o conceito que os seus liderados têm a seu respeito. Por isso pondere as possibilidades de resultados. Corra riscos sim! Mas consciente das possibilidades.


6) Não coloque a culpa nos outros: Essa é muito fácil pois está ligada aos pronomes pessoais. Na hora que tudo deu certo o pronome que deve ser usado é: nós! Quando os resultados não forem os esperados troque para: eu! Simples assim. Ocorre que os falsos lideres usam de forma inversa esses pronomes.


7) Não seja passional: Com toda certeza do mundo o líder deve saber administrar suas emoções pois, elas podem contaminar todo o grupo. Quando a situação for de crise o líder deve saber alavancar o potencial do seu corpo laboral e elevar a autoestima de todos. Por isso deve manter o equilíbrio das emoções nas diferentes situações.


8) Não assuma tudo: saber dividir responsabilidades é fundamental para qualquer grande gestor. Possivelmente ninguém fará nenhuma tarefa melhor que você, não é mesmo? Mas, é necessário que exista a distribuição de comando para que o setor possa ter um desempenho orgânico. Se tudo depender do líder a empresa irá parar.


9) Não tenha medo de colaboradores mais inteligentes que você: Na verdade é justamente esse o papel do líder, encontrar pessoas mais competentes que ele e administrar seus talentos. O real líder está cercado de talentos que atuam realizando tarefas de acordo com a natureza de suas capacidades. Colocar a pessoa certa no cargo exato é o papel do líder.


10) Não trabalhe o tempo todo: Como bom líder saiba também dar o exemplo de uma vida saudável com seu tempo dedicado ao lazer. Crie possibilidades na instituição para que os seus colaboradores possam usufruir de uma qualidade de vida adequada. O tempo que a vida era só trabalho acabou! Aliás, isso nunca foi sinal de produtividade.


Sabemos que alguns líderes já nascem prontos. O seu modo de falar, agir, o temperamento emocional, sua maneira de pensar e tomar decisões de alguma forma foram moldados pelas próprias experiências e aprendizado para que já seja considerado um talento nato.


Nem todos podem se orgulhar de terem um talento para liderança natural. Para isso existe a técnica, algo capaz de igualar os seres humanos com capacidade de aprender e replicar comportamentos. Se este for o seu caso, um bom começo é decorar e aplicar, diariamente, essa pequena lista acima.


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