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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

NÃO SOU FLAMENGO NEM FLUMINENSE



Por João Oliveira – Psicólogo (CRP 05/32031)

Vivemos em um momento histórico onde existe uma grande luta pelo fim da discriminação e do preconceito e, por mais que tenhamos em mente que o Brasil não é um pais onde existem tais comportamentos, sabemos que isso não é de todo verdade.

Nosso perfil geral de preconceito é provavelmente o mais cruel de todos, pois ele exila em nossa própria calçada aquele que depende de real acolhimento: o pobre.

Claro que não podemos confundir discriminação e preconceito. Preconceito é uma ideação, um sentimento ruim sobre algo que pode surgir dentro de uma cultura como uma doença contagiosa. Já a discriminação é a ideia colocada em prática, a ação que pode ser cometida na forma de ofensa verbal ou, de forma mais brutal, causando prejuízo e dor em quem for o alvo desse processo.

Em 1966 a Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, diz em seu artigo 1º, que discriminação é: “Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha o propósito ou o efeito de anular ou prejudicar o reconhecimento, gozo ou exercício em pé de igualdade de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública.”

No Brasil é considerado crime o ato discriminatório em perfis diferentes como podemos ver pelas Leis nº: 7.853/89 (pessoa portadora de deficiência); 9.029/95 (origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, idade e sexo); e 7.716/89 (raça ou cor).

Sim, embora seja um ato reconhecidamente criminoso e com um amplo leque de abrangência, ainda temos muito que caminhar para extirpar de nossa sociedade tal mal. Afinal, ele possui facetas que se tornam mais perversas e invisíveis à lei, quando focada apenas no seu estágio inicial, que é o preconceito.

Como não se pode legislar sobre os sentimentos das pessoas só resta o poder da educação para tentar demover da sociedade os inúmeros graus de preconceitos que, de uma forma generalizada, pode afetar qualquer fatia um de nós em seus diferentes modelos.

Sem querer alongar podemos pensar na pessoa que mais sofre preconceito nesse país é uma mulher: idosa, com necessidades especiais, homoafetiva, obesa, desdentada, negra, migrante e muito pobre.

O nível da intolerância é tamanho, que já sabemos o resultado do preconceito existente entre as torcidas de times de futebol contra torcedores de outras agremiações. Não são raros os casos de morte em brigas entre torcidas rivais e isso, nada mais é do que o fruto do preconceito que vai muito além da discriminação.

Os grupos surgem para se proteger, é assim desde da pré-história, isso é salutar para o desenvolvimento da espécie. A dificuldade está em reconhecer outros grupos como legítimos e respeitar qualquer coisa que não seja igual ao que acreditamos ser aceitável ou normal.

Ser normal ou igual é uma questão apenas de percepção. Em muitos aspectos somos todos diferentes em nossas individualidades que divergem das assumidas como padrão contemporâneo. Deveríamos então, ter preconceito contra nós mesmos?

Procure ver em você quais são os pontos que mais te incomodam no outro e como isso encontra reflexo em você. Afinal, tudo que afeta é, antes de mais nada: afeto. Mesmo que seja negativo. Ressignificar sentimentos deve ser uma tarefa cotidiana e, dessa forma, exercer o que melhor temos em nossa espécie que é a capacidade de adaptação.

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