PÁGINA OFICIAL, FACEBOOK e E-MAIL

http://www.isec.psc.br

https://www.facebook.com/Prof.Joao.Oliveira

E-mail: isecpsicologia@gmail.com

Para receber informações sobre palestras e cursos mande um email para: isec_news-subscribe@yahoogrupos.com.br

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ENCONTRO



Por Beatriz Acampora – Psicóloga (CRP 05/32030)


A palavra encontro deriva do latim INCONTRARE, que significa encontro de adversários. IN – em e CONTRARE – contra, oposto. A partir dessa ideia surge a derivação mais amena da palavra, que hoje significa estar face a face com algo ou alguém.

São considerados sinônimos de encontro: batida, choque, colisão, embate, trombada, incidência etc. Se um encontro pode ser uma colisão, ao mesmo tempo pode ser uma oportunidade de crescimento singular, pois é através dele que nos constituímos enquanto seres de relações.

Ao ouvirmos a frase “vamos marcar um encontro”, soa como algo positivo, mas isso porque os tempos mudaram e hoje dificilmente alguém marcaria um encontro para duelar ou combater. Isso é possível, mas incomum.

Estar com alguém vem se tornando algo tão precioso que é como uma confluência em que uma pessoa se deixa tocar pela presença de outra. E, nessa presença, as trocas acontecem, simplesmente porque duas pessoas se permitem olhar nos olhos e sentir o outro através do olhar, da escuta, da percepção.

Encontros são elos de ligação, de articulação entre pessoas, podem ser considerados positivos ou negativos e isso depende fundamentalmente do modo como nos dispomos em relação ao outro e às ideias apresentadas. 

Cada encontro é um evento único, visto que nunca mais se repetirá, como um rio, que não tem suas águas iguais no mesmo lugar. Como seres em constante evolução, cada encontro tem uma versão diferente das pessoas que nele se apresentam, voluntária ou involuntariamente.

Ao final de um encontro sempre temos algo mais do que o momento que nele entramos e o que levamos dele depende unicamente do modo como o absorvemos. 

Quando o encontro é marcado, não há surpresa, mas quando há surpresa no encontro, ele fica marcado.

A HIPNOSE CURA?




Por João Oliveira, Psicólogo (CRP 05/32031)

Afirmar categoricamente que a hipnose cura é a mesma coisa que dizer, em ordem inversa de resultados, que o carro mata. Sabemos que o carro é construído para ser um veículo de transporte e que pode levar uma pessoa de um ponto a outro com sucesso trafegando em diversas velocidades e/ou indo por diferentes caminhos. Da mesma forma, o carro pode ficar parado estacionado por muito tempo no mesmo lugar ou, em algumas ocasiões, se envolver em acidentes, podendo até ser fatal aos seus usuários.

Não podemos nos esquecer de dizer que o carro existe em vários modelos e para muitos tipos de utilizações: carro de passeio, duas portas, quatro portas, carro de corrida, trailers, carros de luxo, carros conversíveis e muito mais. Na hipnose é a mesma coisa: temos diferentes tipos de abordagens com intenções e resultados distintos.

O desdobramento da utilização da hipnose é amplo. Para facilitar podemos dividir em dois grandes grupos:

- Hipnose de Entretenimento: Também conhecida como hipnose de palco. Esse perfil foi proibido no Brasil no mesmo decreto que regulamentou a hipnose em 1961 (Nº 51.009 de 22/07/1961) assinado pelo então Presidente da República Jânio Quadros. O decreto baniu o uso da hipnose em espetáculos de qualquer tipo ou forma, em clubes, auditórios, palcos, ou estúdios de rádio e televisão. Foi revogado pelo decreto Nº 11 assinado pelo Fernando Collor em 19/01/1991. Por isso, você pode se divertir assistindo na televisão pessoas comendo cebolas pensando serem maçãs ou imitando galinhas sob o efeito da hipnose de palco.

- Hipnose Clínica: Trata-se, como o próprio nome sugere, da hipnose voltada para o ambiente da saúde onde podemos encontrá-la sendo utilizada por: cirurgiões-dentistas, médicos, psicólogos, terapeutas, fisioterapeutas, enfermeiros, ou seja, o grande espectro que abrange o toque dos profissionais de saúde. Algumas profissões têm sua própria regulamentação quanto ao uso das técnicas da hipnose, mas, não é necessário em nosso país uma graduação específica para se tornar um terapeuta em hipnose. Bastando, para isso, uma formação adequada e a regularização para a atuação profissional.

Os modelos de atuação, dentro da própria hipnose clínica, são igualmente variados podendo ser ramificados de forma simples em cinco principais modelos:

 - Hipnose Comportamental – Voltada para a alteração no perfil comportamental da pessoa. Administração emocional, potencialização de qualidades, respostas assertivas e espontâneas as demandas dos ambientes profissional e/ou social/familiar e etc.

 - Hipnose no tratamento de fobias – Aqui se incluem todos os tipos de fobias que se pode imaginar, tendo técnicas diversas dependendo da intensidade e modelo apresentado. A Dessensibilização Progressiva é uma dessas técnicas que quando bem aplicada pode conduzir o paciente/cliente a obter resultados rápidos.

 - Hipnose para o emagrecimento – Muito na moda ultimamente com vários profissionais qualificados conquistando feitos notáveis com seus pacientes/clientes. Existem vários modelos de induções e sugestões que podem variar de implantes hipnóticos a alterações no estilo de vida.

 - Hipnose para a subtração de sintomas – Esse perfil exige um cuidado maior, pois como sabemos, todo sintoma está a serviço de alguma manifestação de descontrole interno que pode ser de âmbito emocional ou não. Nesses casos, quando os sintomas são mais severos, o aconselhável é que uma equipe multidisciplinar acompanhe o tratamento. O profissional psicólogo e o profissional médico são indispensáveis em casos graves.

 - Hipnose voltada para reabilitação – fantástico perfil da hipnose onde, mesmo sem movimentos físicos reais (somente na imaginação em estado alterado de consciência), o paciente/cliente é auxiliado a desenvolver de novo suas habilidades motoras perdidas por algum trauma físico ou AVC.

Poderíamos citar inúmeros outros tipos de abordagens, porém, acreditamos que esses sejam suficientes para demonstrar a grandiosidade dessa fabulosa ferramenta chamada Hipnose Clínica.

Voltando à comparação com os efeitos de um carro em relação às implicações da hipnose, existe apenas uma grande observação que deve ser feita: a finalização do processo no carro só depende do condutor, já na hipnose o sucesso só é alcançado com a total participação de quem é conduzido.

Por mais talentoso que seja o profissional de hipnose ele pode esbarrar com um paciente/cliente que tenha um ganho secundário muito forte com o seu sintoma/problema. Sendo assim, torna-se mais complexo o resultado esperado positivo sem uma ressignificação da estrutura emocional do sujeito.

“Dessa forma, o “interesse” da pessoa a ser hipnotizada é “regra fundamental que torna possível a hipnose”. Desprezar essa dimensão seria acreditar em um poder dominante ilimitado do hipnotizador que, na prática, não se constata”. (MARTINS, Francisco; BATISTA, Adalberto, 2002)

Também é necessário dizer que nem todo mundo pode se beneficiar da hipnose quando se trata da busca pelo resultado perfeito. Nessa categoria podemos citar alguns perfis:

- O paciente/cliente com problemas de ordem neurológica ou portador de debilidade mental que o prive da capacidade da estruturação do pensamento. Sem pensamento focal não há como atuar de forma eficiente com a hipnose pois, o sujeito não consegue alcançar o estado alterado de consciência que é fundamental nesse processo.

- Pacientes/clientes portadores de deficiências congênitas. Pessoas que nascem com um perfil de problema estrutural em um membro, órgão, glândula ou músculo. Desejar remissão total pode levar ao desencanto com o tratamento que, com toda certeza, pode ser útil para a superação das dificuldades enfrentadas.

- Paciente/cliente portador de doença hereditária. Praticamente se enquadra no perfil anterior. Existe uma predisposição metabólica que pode, independente do aspecto emocional, causar os sintomas. Claro que a hipnose é útil, mas não se deve esperar a superação total tendo em vista que o organismo possuir uma vocação natural para produzir os efeitos indesejáveis.

“Robles (2005) pondera que, para que um tratamento hipnoterápico atinja seu objetivo, é necessário que este possua uma meta; apenas dessa maneira saberemos para onde devemos levar a psicoterapia. Portanto, faz-se necessária a investigação dos significados, das angústias e das expectativas de cada paciente quanto a sua doença e sua vida, durante todo o processo do tratamento hipnoterápico”. (CAIRE, Lícia Ferreira, 2012)

O ideal é que, pelo menos, dois quesitos sejam aferidos para ter certeza que existe uma possibilidade de recuperação, no caso da abordagem está voltada para o tratamento onde seja necessária mudança física/orgânica/metabólica diante de um sintoma qualquer.

1- Que o paciente/cliente apresente a capacidade de manter foco de concentração durante alguns minutos, pelo menos, em uma única estrutura de pensamento.

2- Que exista alterações percebíveis conforme este paciente/cliente é estimulado psicologicamente em seu sistema nervoso parassimpático e simpático.

Essas duas condições nos revelam que o paciente/cliente possui facilidade de respostas internas. Isso é extremante útil para o tratamento alcançar êxito de forma rápida e segura.

Em todos os casos o acompanhamento médico é essencial. Jamais se deve substituir a terapêutica medicamentosa pela hipnose pura e simples. Entenda a hipnose clínica (contra sintomas) como uma ferramenta poderosa na potencialização de qualquer tratamento.

Já no perfil comportamental ou mesmo na reprogramação mental, outros cuidados devem estar presentes como, por exemplo, uma boa construção das sugestões, para que não ocorram conflitos éticos na personalidade do paciente/cliente.

Para finalizar: a hipnose sozinha não cura! Mas ela pode fazer parte de um processo capaz de levar a obtenção de uma saúde plena. É bom que se seja lembrado que uma ausência de sintomas não significa que a pessoa esteja absolutamente livre de qualquer mal já que saúde é algo mais amplo e toca tanto o aspecto físico do sujeito, onde surgem a maioria dos sintomas, como o psicoemocional que muitas vezes, dentro do desiquilíbrio, pode ser confundido com a própria personalidade do indivíduo.

“A presença do terapeuta, sua voz, sua gestualidade e, sobretudo, a ligação afetiva entre ele e o paciente proporcionam uma vivência material que atinge a fundo o sujeito em sua corporeidade, de maneira a poder desencadear processos internos e emocionais capazes de influenciar intensamente a experiência de dor, provocando um alívio que geralmente se inicia na sessão e, ao longo do processo, pode vir a se enraizar, de modo mais definitivo, nas novas formas de organização de tais processos”. (NEUBERN, Maurício da Silva, 2014)

Quem se cura é o próprio paciente/cliente que pode alcançar o resultado esperado da mesma forma que uma orquestra sinfônica, composta de diversos instrumentos e diferentes músicos, consegue executar uma harmoniosa melodia quando regida por um bom maestro. Um competente profissional de hipnose pode também ajudar a coordenar as diversas estruturas internas em conflito, extraindo o melhor que existe dentro de cada pessoa em busca do mais perfeito resultado possível.

Conheça o curso de Formação em Hipnose do ISEC: 
http://www.hipnose.com.br


Referências:

CAIRE, Lícia Ferreira. Hipnose em pacientes oncológicos: um estudo psicossomático em pacientes com câncer de próstata. São Paulo: Psico-USF, v. 17, n. 1, p. 153-162, jan/abr 2012.

MARTINS, Francisco; BATISTA, Adalberto. Atos de fala e hipnose. Belo Horizonte: Psicol. rev. 8(11): 92-104, jun. 2002.

NEUBERN, Maurício da Silva. Hipnose como proposta psicoterápica para pessoas com dores crônicas. Curitiba: Psicologia Argumento, nº 77 abril/jun 2014.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

LIDERANÇA INTELIGENTE




Por João Oliveira - Psicólogo (CRP 05/32031) O tema é bastante comum e facilmente qualquer pessoa poderá nos apresentar quais são as qualidades que um líder deve ter para, com eficiência, comandar uma equipe. Claro que o líder só passa a existir quando uma pessoa, ou um grupo, passa a seguir suas orientações. Então, o líder não pode crescer sozinho e, por isso, precisa cuidar de seus liderados para manter seu status. Um líder sem ninguém é apenas uma pessoa com muitas ideias, da mesma forma que um pintor sem tintas e telas. Sabemos também que pairam muitos mitos sobre o que é um líder de fato. O que chamamos de liderança não está de fato relacionado com alguma posição hierárquica ou com uma função exercida pelo profissional na instituição ou meio social. Nos dias atuais, as organizações estão cada vez mais competitivas e cada trabalhador deve ser líder dele mesmo antes de liderar uma equipe, o que implica em autoavaliação e investimento constante em habilidades como inovação, trabalho em equipe, comunicação, relacionamento interpessoal, organização, planejamento, tomada de decisão, negociação etc. A exceção, como nos diz Bennis & Nanus (1988) ocorre principalmente pela existência de, pelo menos, cinco grandes mitos sobre o tema: a) a liderança é um dom raro; b) os líderes são inatos, não feitos; c) são carismáticos; d) só existe liderança no escalão mais alto da organização; e) o líder controla, dirige, estimula, manipula. A liderança não é um dom raro, pois é uma competência que pode ser aprendida. Uma das grandes invenções da modernidade muito comum na PNL, pode ajudar bastante no desenvolvimento da liderança: a modelagem. Podemos assumir um modelo de atuação e implementar em nosso comportamento de forma a replicar o que um bom líder faz. Assim os dois primeiros mitos caem por terra, podemos construir uma liderança através de treinamentos e força de vontade. Também é falho dizer que os líderes são carismáticos. Alguns até são, mas isso não é uma regra de ouro. Muitas vezes quem está no comando pode tomar medidas antipáticas para o bem maior do grupo. Um exemplo claro é a construção de normas éticas de conduta. O quarto item se refere a uma liderança hierárquica e se esquece que, em todos os ambientes, sempre existe alguém que se sobressai e se torna referência mesmo sem uma titulação apropriada. Na escola entre os alunos ou em um bar entre os bêbados, sempre haverá alguém capaz de direcionar outras pessoas. É bom lembrar que nem sempre uma liderança pode estar indicando o caminho certo. Liderança e gestão estão intrinsecamente interligadas. Um líder-gestor se preocupa com a inovação, desenvolvimento, estimula seu grupo, transmite segurança e pensa vários passos à frente. Sempre buscando o melhor possível para todos os seus liderados. Cuidando, inclusive, de suas carreiras dentro da instituição. Seu chefe, não é assim? Então ele não é um líder de fato é apenas alguém que está no poder (ressaltando: Está - no Presente do Indicativo em breve, provavelmente, no Pretérito Perfeito do Indicativo). Esse poder só existe porque alguém confere autoridade a ele. No momento em que essa autoridade desaparecer, pela falta de credibilidade, encerra-se a carreira de mais um ditador.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ESPELHO RETROVISOR


Por João Oliveira (psicólogo CRP 05/32031)

             
Como uma estrada a vida disponibiliza caminhos que podem apresentar diferentes resultados ao final da jornada. Às vezes, no mesmo trajeto, encontramos alternativas de atalhos ou desvios que nos tiram do rumo principal. O mesmo pode acontecer com certas estruturas de relações que travamos com outras pessoas. Algumas funcionam como placas que indicam direções, outras são barreiras que limitam possibilidades.

Ocorrem encontros que são úteis e outros que podem atrapalhar, prejudicando o andamento do projeto pessoal de vida que cada um de nós deve possuir. Saber descartar essas relações é necessário, da mesma forma que, por vezes, desfazemos de um carro (que ainda funciona bem) para podermos adquirir um modelo mais novo.

Um bom amigo certa vez me disse que devemos quebrar o espelho retrovisor de vez em quando para acelerarmos mais em direção a bandeirada de chegada. Olhar para trás em busca de soluções para fatos ocorridos no passado ou de tentar manter todas as amizades que construímos dando a elas o mesmo espaço e importância que um dia tiveram na nossa caminhada pode criar as chamadas raízes. 

As raízes são perigosas, pois nutrem prendendo as árvores ao chão o que é diferente das âncoras que podem ser içadas a qualquer momento para permitir a navegação de um barco. É bom lembrar que as estradas mudam com o tempo e, muitas pessoas, podem não se encaixar mais no cenário que existe pela frente.

Claro que o passado é importante. No entanto, o futuro deve ser cuidado para que possa acontecer de uma forma plena dentro dos nossos planos. Sacrificar trechos percorridos e amizades que foram construídas como relações saudáveis, também pode ser necessário no momento de se “quebrar o retrovisor”, afinal não há espaço para tanta mobília na sala.

Podemos até nos tornar acumuladores de memórias o que é ruim, pois embaça a visão de futuro. Quem guia um carro olhando somente para as imagens que estão sendo refletidas em seu espelho, com certeza irá colidir com algo na estrada. Dessa forma, muitas experiências do passado, paisagens que vimos pelo caminho até aqui, devem possuir um lugar na memória (com certeza) mas não o foco de atenção na mesma grandeza que um dia possuíram.

De certo que surge um saudosismo que deve trazer também uma necessidade de rever as antigas fotos. Não há nada de errado nisso. Surge o problema quando a doce saudade se transforma em angústia por achar que o melhor lugar está no passado e não nos projetos futuros.

Para aliviar essas possíveis situações existe a técnica da prospecção de cenários. Basta fechar os olhos e tentar se colocar alguns anos à frente com suas questões solucionadas, vasculhando todo o ambiente criado pela sua imaginação, buscando os detalhes, cores, cheiros, temperatura e sempre montando soluções diferentes. O cérebro gosta de fazer isso e o prazer de se ver realizado no futuro traz calma para a mente ansiosa que tenta se refugiar no passado.

Outro modo, caso o passado esteja sempre trazendo péssimas recordações, é trabalhar com a ressignificação de memória. Trata-se de um método de reconstrução do entendimento das memórias. Não se muda o passado, mas, pode-se mudar o que sentimos em relação a ele.

Viver no presente é buscar lidar com o equilíbrio entre os desejos e a realidade, entre o que ainda é um devir e o que já se conquistou. Ocupar a mente com o presente proporciona um encontro consigo mesmo no aqui e agora, que é a melhor possibilidade de construir o futuro e de agregar o valor do passado. O Hoje é uma dádiva.

Claro que a teoria jamais supera a prática. Um protocolo escrito de nada será útil se ninguém o colocar no mundo através de atos comportamentais. O truque aqui é saber a hora de deixar de estocar relações e ter coragem para criar novas e, com isso, abrir caminhos e vislumbrar destinos diferentes.

Não tenha medo de mudar: o que hoje pode parecer uma perda, no futuro pode ser encarado como uma libertação, como o corte da linha que prende o balão de gás. Nenhum avião chegaria ao seu destino final se não deixasse para trás a segurança do solo firme. Pense sobre isso, pelo menos no dia de hoje.

                

O MOMENTO É O PRESENTE




Por João Oliveira (Psicólogo CRP 05/32031)

Às vezes nos pegamos pensando no passado, um tempo onde as coisas certamente eram melhores que hoje ou sobre o futuro, onde poderemos realizar alguns de nossos desejos. Isso é salutar, mas, muitas vezes, deixamos de vivenciar o momento presente que, de verdade, é o único que realmente existe.

Para que possamos começar esse pensamento, gostaria que você pudesse participar de um pequeno experimento (não vai durar nem um minuto) sobre a percepção consciente. Trata-se de uma dinâmica muito simples e fácil de ser realizada por qualquer pessoa que tenha seus sentidos funcionais.

Primeiro, olhe à sua volta prestando atenção aos objetos, a paisagem, ao momento. Tente, apenas por alguns segundos, ouvir o som da própria respiração. Muito bem! Agora, se prepare para fechar os olhos – mas leia o parágrafo até o final antes de fazer isso (claro) – com os olhos já fechados imagine-se na beira de um lago calmo e tranquilo. Na sua mente perceba as cores verdes das árvores e da grama. Olhe, com os olhos da sua criatividade, pássaros e flores multicoloridas que rodeiam o ambiente onde você se colocou em sua mente. Abra os olhos, olhe à sua volta novamente com calma repetindo o ato de tentar ouvir o som da sua respiração e olhando com atenção os objetos e a paisagem e, só depois disso, leia o próximo parágrafo.

Percebeu uma mudança radical na tonalidade das cores e na qualidade da imagem dos objetos e da paisagem? Sem entrar em muitos detalhes técnicos sobre a constância perceptiva e a economia neural, podemos simplesmente falar que: você está mais presente agora porque acalmou os seus ânimos!

O simples fato de se desligar do ambiente temporal e se colocar em uma criação mental, que está fora do sistema, pois não é passado nem futuro, disponibiliza mais recursos cognitivos para um real posicionamento na realidade instantânea. Caso não tenha conseguido o efeito desejado não se preocupe. Depois, com calma, tente novamente não é tão difícil assim.

Ocorre que os mais jovens quase sempre estão se projetando no futuro e antecipando problemas e soluções. Nesse jogo os problemas vencem nas prospecções porque são os mais ativos na memória por um motivo simples que faz parte do evolucionário que faz questão de das privilégios especiais aos momentos ruins,  vamos falar depois sobre isto.

Já os mais idosos se colocam em suas argumentações vivenciando momentos do passado (muitas vezes adulterados pela própria memória) e não conseguem vislumbrar os acontecimentos presentes de uma forma mais prazerosa. Colocando a história vivida em primeiro plano deixando de lado o que resta para viver.

No entanto, voltando aos momentos ruins, eles sempre prevalecem na memória por um processo de preservação da espécie, a natureza prefere manter com muita força as memórias ruins, onde os fatos não foram os melhores possíveis. Isso é fácil de ser explicado: o mesmo erro não deve ser cometido duas vezes, por isso lembre-se de sua falha. Assim, temos mais facilidade em elencar memórias ruins do que as boas.

Juntando tudo isso em um único pacote podemos encontrar mais de mil motivos para privilegiar o presente. Sem essa de selfies como marcadores temporais e conteúdo midiático de redes sociais, devemos apenas viver o momento na sua plenitude. Trazer as emoções ao nível de consciência para serem saboreadas como quem come uma maçã com calma e serenidade.

Não existe segredo: abra os olhos e os sentidos!

O passado já se foi o futuro pode não acontecer só o momento presente é real. Toque, cheire, sinta aproveite a vida de uma forma sensorial sem tentar fugir da realidade que se apresenta a cada segundo. O único momento em que se pode ser feliz é o agora.