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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

MENTOR E A ALMA

Por João Oliveira – Psicólogo (CRP 05/32031)

Mentor olhou pela pequena janela da estalagem percebeu que esse não seria um bom dia para continuar a jornada em busca de Ulisses, desaparecido desde que partiu para a Guerra de Troia. Chovia e estava mais frio que no último inverno. Já se passaram três anos e eles ainda não tinham nenhuma informação do paradeiro de seu rei.

Telêmaco, filho de Ulisses, ainda dormia profundamente quando ele ouviu uma voz feminina mais grave, vinda do fundo do quarto. Não tinha dúvidas, era Palas Atena, a deusa da sabedoria, que mais uma vez surgia para lhe dar orientações.

- Oh! Senhora da sabedoria, mostrai-me o caminho do conhecimento. – Ao dizer isso, Mentor abaixou a cabeça numa forma de profunda reverência a deusa.

- Olhe para mim Mentor. Hoje vim lhe falar sobre as almas dos homens.

- Sim, minha senhora.

- O que sabe sobre as almas? – Questionou Palas Atena.

- Que sempre retornam ao lar, como nós querendo voltar para Ítaca. Existe uma saudade interna em todas as almas: elas querem voltar para o lar dos deuses.

- Sim, isso é verdade. Mas sobre bondade, ética, honestidade... como são as almas?

- São puras, minha senhora. Como o papel que vem do oriente carregam nesse mundo o que neles é escrito. Não são as almas boas ou más, os homens que as carregam é que moldam escrevendo sobre elas da mesma forma que fazem com o papel que vem ao mundo sem nada grafado.

O silêncio se fez presente no quarto naquele momento. Mentor continuava de cabeça abaixada como se quisesse evitar o brilho claro que emanava daquela presença divina.

- Disse-o bem Mentor. Por isso é um dos meus mais amados protegidos na Terra. No entanto, se esquece que existem papeis feitos de diferentes materiais: alguns são feitos de lascas de madeiras, outros de restos de tecido, alguns são mais leves, outros mais ásperos. Diferentes matérias primas formam diferentes tipos de texturas no papel.

O brilho aumentou de tal forma que Telêmaco despertou, mas, continuou de olhos fechados para não interferir na conversa de Pallas com Mentor. Assim, a deusa Pallas continuou sua argumentação:

- O papel guarda um pouco da essência de sua forma original e, por mais que sejam diferentes conteúdos escritos sobre ele, as pessoas poderão ter maior ou menor dificuldade de entender devido ao seu formato e cor. Assim também são as almas: elas já vêm ao mundo com uma estrutura, mesmo que pálida, pré-definida.

- E quem define como será a personalidade de uma alma?

- Os deuses Mentor, os deuses. Cada uma delas deve ter um tipo de missão. Uma produção que deve ser elevada do mundo das ideias para o mundo das pessoas. Quanto mais produções mais próximas as almas estarão de seu retorno ao mundo dos deuses pela última vez.

- Como nós, se acharmos Ulisses poderemos voltar vitoriosos para Ítaca ao lado de nosso rei?

- Como vocês se souberem imprimir boas palavras nos papéis em branco que encontrarem pela jornada.

Dito isso, Pallas desapareceu no ar deixando um forte cheiro de flores no quarto. Um lembrete que o inverno logo estaria indo embora e a primavera iria surgir. Telêmaco ainda atordoado pelo sono perguntou:

- Mentor, e como uma alma pode ter consciência de seu real papel? Como ela pode conseguir isso?

Mentor levanta a cabeça e olha com tristeza nos olhos do jovem Telêmaco dizendo:

- Se não forem tocados pelas deidades diretamente como nós, Telêmaco, elas nunca saberão. Provavelmente é justamente isso que torna valioso o livre arbítrio: ser capaz de escolher o que não se pode saber. Ser capaz ver as reais intenções da própria alma.

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