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sexta-feira, 10 de abril de 2015

CONHECIMENTO CERTIFICADO


Por João Oliveira

                A conversa andava solta entre as duas árvores no pátio da universidade:

- Se prepara que o Sol não deve aparecer amanhã e, se aparecer, vai chegar na parte da tarde.

- Do que você está falando criatura de Deus?

- Feriadão! Sol de novo, madrugador, só na segunda feira... e olha que hoje ainda é quinta. Ou seja, teremos três dias de penumbra no mínimo, sem fotossíntese para nós.

- Você está é doida! Isso é impossível.

- Ah é? O que você sabe da vida? Assim como eu, você nunca saiu desse lugar! Eu ouço as pessoas conversando e estou sabendo desse feriado prolongado. Todo mundo vai desaparecer... estão falando direto isso aqui no estacionamento.

- Saiba você que as pessoas se sentam na minha sombra lendo livros e eu aprendo muito com isso. Por exemplo: você sabia que o sol é uma estrela de quinta grandeza?

- Exatamente por isso não vai trabalhar nesse feriado. Onde já se viu uma estrela, um pop star, levantar de madrugada? Mesmo sendo de quinta grandeza como você diz.

- Olha, tenho pena de você. É a Terra que gira em torno do sol, vi isso ontem mesmo num livro de física que estava na mão de um garoto que sentou bem aqui encostado no meu tronco. O Sol nem se mexe no espaço.

- Você pensa que sabe tudo mesmo. Eu também aprendo muitas coisas com as pessoas que se sentam em minha sombra.

- É mesmo? Me diga algo que você aprendeu nos livros?

- Hum... deixa eu lembrar... Ah! Lembrei! Você sabia que existem cinquenta tons de cinza?

                Moral da história: conhecimento deve ser certificado.

                Na Índia uma pessoa que quer aprender sobre filosofia de uma religião deve procurar um guru que tenha linhagem. Como uma árvore genealógica, o pretenso guru deve apresentar todos os mestres que o antecederam no conhecimento: ele aprendeu com fulano, que aprendeu com sicrano, que aprendeu com beltrano, até que essa descrição chegue há milênios de mestres no passado. Só assim a pessoa estará segura de ter um conhecimento certificado de fato por mestres que aprenderam direto com a fonte do saber filosófico original.

                No nosso mundo ocidental moderno temos outras fontes de certificação como graduações, pós-graduações, mestrados, doutorados, pesquisas científicas e até mesmo a prática constante de um saber, mesmo sem as certificações acadêmicas, pode gerar conhecimento válido.

                Sair absorvendo todo e qualquer conhecimento de uma determinada área, pelo simples fato de acumular muito conteúdo, não é garantia de qualidade e, nem mesmo de validade no momento da aplicabilidade. Conhecer bem a fonte, saber de suas qualificações ou, tempo de experiência dedicado ao tema em questão, faz toda diferença caso você tenha a intenção de usar seriamente as informações que lhe chegam.

                Um outro detalhe importante em qualquer conhecimento é a utilidade prática do mesmo. Muitas são as pessoas que abarrotam a mente de leituras excelentes mas nunca colocam as teorias em sua própria vida. A vida é muito curta para nos darmos ao prazer de colher flores sem cheirá-las. Leonardo da Vinci têm uma frase ótima sobre isso:

                “São muitas as pessoas que olham sem ver, ouvem sem escutar, tocam sem sentir, comem sem saborear, se mexem sem estarem conscientes de seus músculos, respiram sem cheirar e falam, falam, sem pensar!”  Leonardo da Vinci (15/04/1452 à 2/05/1519)

                Buscar saber a origem da informação não é falta de respeito com a fonte final. Até porque, se ela for a base de um novo conhecimento, estaremos diante do próprio manancial que o gerou e isso é muito bom, caso seja um saber científico e não uma mera opinião. Mesmo assim, a palavra de quem possui longa prática têm seu valor reconhecido e é respeitada por todos, o que também é positivo.

                Com a rede mundial de informação disponível para todos (excelente isso) é necessária cautela quando se encontra uma informação e, mais ainda ao repassar tal material. Pode ser que estejamos ajudando a propagar inverdades que podem causar dano a outros.

          Se o conhecimento que deseja é para uso próprio, profissional ou não, tenha mais cuidado ainda. Afinal, é o seu nome que estará em jogo quando for replicar esse saber. O segredo é conhecer a base fundamental do conteúdo para se ter a certeza de sua veracidade.

               

                

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