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sábado, 28 de fevereiro de 2015

A PORTA




Por João Oliveira

                Não há nenhum bom resultado que se consiga sem esforço ou, pelo menos, alguma estratégia. Sorte é algo que só existe para poucos preparados e não podemos contar com ela quando o assunto é a nossa própria vida. Assim sendo, organização e planejamento são as ferramentas básicas de quem deseja construir o próprio futuro.

                Nada é fácil até estar totalmente pronto. Mesmo as coisas mais simples como, por exemplo, abrir uma porta para entrar ou sair de um ambiente depende de uma série de ingredientes para poder dar certo.

                A porta precisa estar alinhada com seu batente para poder abrir sem problemas, ter as dobradiças lubrificadas, maçaneta funcional e, não menos importante, você necessita ter a chave para abrir a fechadura e liberar o movimento. Claro, alguém antes teve muito trabalho ao colocar a porta nessa parede então, para que tudo ocorresse bem, houve planejamento.

                Projetar o próprio destino requer, no mínimo, compreensão das próprias capacidades e vontade de superar as deficiências. Identificar quais são as partes em você que podem dificultar o processo e focar no resultado final como elemento motivacional. Isso dará energia para levantar cedo, capacidade para estudar mais, investir até mesmo parte do tempo que seria destinado ao lazer, compreender as possíveis falhas no percurso e muito mais. Desde que esteja realmente focado nos resultados.

                Muitas são as pessoas que fazem uma comparação entre o esforço que fazem para conquistar algo, como um alpinista que escala uma montanha. Até certo ponto esta analogia funciona: dificuldades da escalada, paredões íngremes, dormir ao relento...

                Até que o resultado é alcançado no momento em que o alpinista chega ao topo da montanha. Nessa ocasião ele começa a descer. Aqui acaba a possiblidade de comparação com a sua jornada pessoal. Pois, ao alcançar o seu objetivo – seja ele qual for – você poderá desfrutar pelo resto de sua vida ou continuar em crescimento contínuo. Não terá de voltar para a base como o escalador de montanhas.

                O ponto principal para que essa argumentação dê certo só pode ser concretizado se, antes de mais nada, você tiver um objetivo claro em mente. Acredite, às vezes essa é a pior parte do projeto.

                - “O que você quer ser quando crescer?” Acredito que você já ouviu isso muitas vezes em sua infância. E essa aqui, mais apropriada para a vida adulta: - “O que o mundo fez com a sua vida?” E ainda: - “Quais são suas atitudes diante do que é colocado diante de você?”

                Calma! Antes de baixar a cabeça e começar a ficar triste com a(s) resposta(s) tenho uma última pergunta que pode mudar esse astral: - “O que você quer fazer com resto da sua existência?”

                Pense.

                Não importa o momento da vida em que se encontra ou os anos que já viveu. Conheço uma senhora com 85 anos que está cursando a Faculdade de Turismo. Tenho certeza que ela nunca irá ser uma profissional nesse ramo de atividade, no entanto, fazer esse curso a mantém viva a atuante no meio social.

                Pense mais um pouco.

                Um norte-americano têm, em média, cinco profissões ao longo da vida. O rapaz que era vendedor em uma loja vira frentista do posto de gasolina, estuda num curso técnico e vira eletricista, faz concurso e vai trabalhar no departamento de manutenção da prefeitura, estuda na universidade noturna e, após cinco anos, finalmente se gradua em engenharia. É assim que funciona!

                Agora projete seu futuro. Comece pensando na parede que vai ter de abrir para encaixar o batente, onde pode adquirir as dobradiças, parafusos, maçanetas... qual a madeira que vai usar e, finalmente, começar a montar a sua porta. Essa porta que irá abrir o caminho para o seu novo e pretendido futuro.

                Saia da imobilidade e abra, pelo menos, uma janela para o sol entrar em sua vida.
               
               
               



O VENTO



Por João Oliveira

Já se passaram alguns anos desde que o velho se mudou para esse lado longínquo da floresta, desde então as visitas dos filhos e amigos foram se tornando cada vez mais escassas e ele cada vez mais recluso. Saía de casa para conferir as armadilhas e ver se algum pequeno animal se tornaria a proteína do almoço ou dar longos passeios em meio as grandes árvores. Só havia um lugar onde ainda não tinha estado: a íngreme montanha.

Já lhe disse porque ele se refugiou na floresta? Não? Por medo de doenças e da morte.

Esse mesmo velho estava junto com John Snow em 1854 quando ele descobriu a origem do foco do cólera na Broad Street em Londres. Na verdade, ele fazia parte da igreja do reverendo Henry Whitehead ajudando a identificar as moradias das pessoas que haviam contraído o cólera. Assim, foi possível descobrir que a maioria das vítimas residiam próximo a uma bomba d’água pública. Com a retirada da alça da bomba, impedindo o acesso a água, o surto da doença acabou em poucos dias. Mais tarde descobriram que uma fossa estava contaminando o poço.

Nosso personagem nessa história era um forte defensor da teoria miasmática. Essa teoria afirmava que as doenças (peste negra, cólera e etc) eram transmitidas pelo ar viciado. Ninguém, naquela época, imaginava a possibilidade da existência de bactérias ou vírus. Não existia a teoria microbiana.

Dessa forma, com medo do ar das grandes cidades e das doenças mortais que ele podia conter, o velho acabou se refugiando na floresta onde o ar era puro e fresco.

Hoje ele decidiu, pela primeira vez, subir pela encosta da montanha. Pegou vários mantimentos e seguiu calmamente em direção a parte mais alta onde podia avistar o branco da neve. Enquanto subia pensava no quanto afortunado era de ter escolhido um lugar livre das terríveis doenças e como isso lhe garantia longos anos de vida.

Distante do vento poluído de Londres ele se sentia cada vez mais jovem e, por isso mesmo, se arriscava agora a escalar o trecho mais íngreme da rocha sólida. A dificuldade só aumentava, chegou a tal ponto que abandonou as mochilas para ficar mais leve e tornar o trajeto mesmo doloroso.

Em certo ponto, agarrado apenas pelas pontas dos dedos à parede quase lisa, pensou como seria a vida de uma montanha. Sempre estática observando o nascer e o desaparecimento das civilizações. Não era o maior ser vivo do mundo, este, com certeza (pensava ele) era o oceano.

Veio o desequilíbrio, queda e morte instantânea. Tombou de uma altura de 30 metros e, durante a queda, sentiu um pouco de liberdade.

Foi o vento! O mesmo que levava as doenças pelo ar. O velho se foi dessa vida levando a certeza absoluta que era ele (o vento) responsável por carregar a morte certa nas cidades poluídas do século XIX.

A lufada de ar prosseguiu o seu caminho logo após tombar o homem balançando as árvores que deixavam frutos maduros caírem ao chão. Esses frutos alimentaram animais, serviram de adubo para outras plantas e, das sementes germinaram novas árvores frutíferas. O vento também balançou o berço da criança, a rede do idoso e inflou as velas dos navegantes e pescadores.

O vento é tão mortal quanto qualquer outra coisa desse mundo e, como tudo, também é responsável por gerar vida. Até o veneno mais poderoso de uma pequena aranha está a serviço da vida. A morte, consequência da vida, irá tocar cada ser vivente em seu devido tempo. Mesmo os que se refugiam no meio da floresta ou se escondem nas profundezas abissais.

Depois de dar à volta ao mundo o vento soprou, gentilmente, um pedaço de pano branco que cobriu o rosto do velho.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

HIPNOSE É DOPING?


               
               
Por João Oliveira


No clássico de Heródoto Pheidippides, também conhecido como Fidípides, corre (no mínimo) 200 quilômetros indo e voltando entre Atenas, Esparta e Maratona em poucos dias. Por fim, para alertar aos Atenienses sobre a vitória da cidade de Maratona contra os Persas (eles estavam voltando com todas as forças restantes em direção aos Atenienses) ele percorre 42 mil metros correndo, chega cansado, dá o alerta da vitória e que os Persas estão chegando, morrendo em seguida ali mesmo. Graças a esse esforço os Atenienses conseguiram se organizar e vencer o inimigo nessa batalha que faz parte das Guerras Médicas. Hoje, em homenagem ao herói, temos a prova com os mesmos 42 quilômetros batizada com o nome da cidade. Será que tal capacidade teria sido alcançada graças a algum tipo de doping?

A primeira notícia oficial que se tem do uso de hipnose com a intenção de melhorar os resultados em competições esportivas ocorreu nos meados dos anos 50 entre os nadadores australianos.  Desde então a hipnose se difundiu no meio esportivo a tal ponto que o Comitê Olímpico Internacional inseriu, em sua longa definição de dopagem esse agente, embora, não deixe claro os meios que possam identificar sua utilização.

                A AMA, Agência Mundial Antidoping,  estabelece que doping é a utilização de substâncias ou métodos capazes de aumentar artificialmente o desempenho esportivo, sejam eles potencialmente prejudiciais à saúde do atleta ou a de seus adversários ou ainda contra o espírito do jogo. Quando duas dessas três condições se fazem presentes, caracteriza-se o doping.

Conhecido como intervenção psicológica para o aumento de performance, a hipnose, possui realmente eficácia em seu uso nos esportes pois: “- Essas estratégias de intervenção psicológica podem agir como recursos ergogênicos à medida que podem melhorar a performance do atleta”, explica Dr. Democh Junior, pós-graduando em Medicina (Endocrinologia Clínica) pela Universidade Federal de São Paulo, especialista em efeito do treinamento físico. Os procedimentos psicológicos não entram no contexto atual do doping com o mesmo destaque dos agentes químicos, simplesmente por não haver uma legislação específica e por ser uma área ainda de conceito incipiente.

São dois fatos que deixam a hipnose e a auto-hipnose fora do contexto do doping:

1)      A ausência de recursos para comprovação do seu uso.
2)      A hipnose não insere química no organismo: ela potencializa recursos próprios.

Dessa forma, se valer da hipnose pode ser um meio valioso para se alcançar metas de qualquer natureza dentro de uma perspectiva saudável. Conhecer os reais méritos dessa ferramenta fantástica pode fazer toda a diferença nas mais diversas áreas da atuação dos seres humanos. Afinal, a hipnose cria condições psicológicas para que nossa mente, órgãos e músculos possam efetuar suas funções com maior produtividade.

Agora, vamos ver possivelmente a mesma coisa só que por um outro ângulo.

Várias são as pessoas que possuem limitações impostas por traumas, recalques, muitas vezes, nem sabem que possuem tais estruturas limitando suas capacidades. A psicoterapia breve com hipnose clínica pode ressignificar esses valores de forma eficiente podendo liberar sujeito de todas as condições impeditivas de sua vida.

Assim, liberto das pressões internas que aprisionam suas potencialidades a pessoa pode agir com liberdade e maior capacidade obtendo, finalmente, resultados fantásticos – nunca antes alcançados – em qualquer atividade que atue.

Não se trata apenas de um comando hipnótico mas, de todo um processo onde a hipnose atua como ferramenta (e que poderosa ferramenta) de apoio a um tratamento global permitindo uma liberação de amarras. Dessa forma, o organismo passa de um sistema de defesa ultra ativado para um índice de equanimidade tornando o sujeito mais leve e capaz de ter uma ótima organização mental e física.
O ISEC, Instituto de Psicologia Ser e Crescer, está iniciando um novo curso de formação em Hipnose Clínica neste mês de abril na cidade do Rio de Janeiro. O curso, com 10 encontros mensais, sempre aos sábados, irá dotar os participantes das mais atualizadas informações de como agir, terapeuticamente, com a hipnose em consultório. O curso é direcionado para profissionais ou estudantes da área de saúde.

Todas as informações sobre este curso estão disponíveis no site: http://www.hipnose.com.br






quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A Substância




Por João Oliveira

                Após uma tempestade de fortes raios, um homem encontrou uma árvore envolvida em uma estranha substância. Algo que se movia com o vento, brilhava e destruía tudo que tocava, transformando em cinzas. Parecia estar viva e se rebelando contra o ambiente.

                Era uma época diferente de hoje. As pessoas não tinham palavras e transmitir conhecimento não era algo fácil. Sem os signos linguísticos, os gestos e os urros eram as únicas coisas que possuíam para duplicar experiências.

                Assim, aquele homem ficou parado olhando a beleza da espetacular substância.

                Não demorou muito para perceber que ela aquecia nas noites, ajudava a tornar os alimentos mais saborosos e, com muito cuidado, podia ser transportada de um lugar para o outro quando se agarrava aos galhos secos.

                Justamente essa tornou-se a missão de sua vida: manter aquela essência ativa. Todas às vezes que ela parecia estar se dissipando, ele soprava com a boca, juntava pequenas folhas secas e o substrato voltava a dançar no ar rebelde como sempre.

                Dia após dia pessoas vinham de longe buscar um pouco dessa maravilhosa substância da qual ele se tornou mantenedor. Traziam alimentos em troca de poder impregnar pedaços de madeiras com aquele brilho vivo e voltarem para suas cavernas felizes e satisfeitos. Nem todos tinham o mesmo cuidado em manter a atividade constante da substância e, quase sempre, as mesmas pessoas voltavam para pedir mais um pouco.

                Dessa forma, o cotidiano do nosso personagem se tornou repleto de visitas constantes e aquilo era o seu único modo de viver. Isso durou muito tempo mas, um dia, uma chuva torrencial destruiu completamente qualquer vestígio daquela estranha matéria. Ela simplesmente havia desaparecido junto com as águas que caíram do céu.

                Atordoado o homem soprou como pôde em galhos secos. Juntou tantas folhas que fez um enorme monte no meio da floresta. Nada disso trouxe o calor da substância de volta.

                Em um momento de fúria, já quase anoitecendo, ele atirou uma pedra com força no chão. A pedra se chocou com outra que estava no solo e, nesse momento, ele pôde ver uma pequena fração da substância surgir bailando no ar. Algo diminuto que ele sabia ser o início de uma nova possibilidade.

                Passou o resto da noite batendo nas pedras até que descobriu um tipo perfeito que, com maior facilidade, fazia aparecer as partículas da substância no ar. Fez o mesmo movimento próximo as folhas secas e, com a ajuda de seu sopro, surgiu o esplendor daquilo que buscava.

                Agora era o detentor e podia distribuir a magia onde quer que fosse, pois era capaz de transformar a matéria. Suas pedras, suas faíscas faziam surgir o fogo. 

                Muitas vezes nos apegamos a algo (trabalho, pessoas, lugares) como se fosse o motivo de nossa existência, apenas por acreditar que tal estrutura só existe por conta de nossa devoção. Isto é falso. Lembre-se que quando algo se apagar, podemos fazer surgir chamas de pequenas faíscas e construir um novo fogo dentro de nós.
               

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O SOL




Por João Oliveira

                Quando ela abriu a janela sentiu o vento quente e o cheiro das folhas secas que já estavam no solo. O calor seco invadiu o ambiente e a luz, branca absoluta, fez ferver a pele como uma adaga perfurante. Não era um dia qualquer, era o último dia de todos os seres viventes na Terra.


                Há muito que os rios deixaram de fluir e os oceanos estavam reduzidos tanto pela constante evaporação sem chuvas quanto pela utilização pelas populações que deles retiravam água para filtragem e utilização. O preço do litro de água potável, mesmo subsidiado pelos governos, era o mais alto dos itens de sobrevivência, a alimentação saudável era algo do passado remoto.


                Agora o término é certo. Todos sabem a hora exata do fim, o sol explodirá as 11 horas e 11 minutos desta quarta-feira. Os cientistas já revelaram que não há escapatória mesmo para os que se esconderam nas profundas cavernas, a radiação resultante da explosão irá pulverizar, de forma instantânea, tudo que existe até a órbita de Júpiter, provavelmente o único planeta que continuará existindo deste pequeno círculo de amizade planetária.


                Ela resolveu olhar o sol até o final. O ridículo telejornal disse que não era para olhar direto, pois isso poderia causar cegueira no momento da explosão. E o que mais haveria para ver após... melhor, quem estaria aqui para ver. Olhar direto, todos os segundos até o fim, para o elemento da natureza que fez brotar a vida neste planeta e agora se preparar para extinguir todos os seres que nela ainda habitam.


                Muitas pessoas estão dopadas neste momento e tantas outras já abreviaram a espera com altas doses de venenos. Ela, solitária na montanha, ainda olha pela janela o taciturno astro rei em seus instantes finais. Neste momento o relógio marca 11 horas.


                Algo está começando a mudar, a cor do sol está se tornando azulada e o calor começa a diminuir. Um retrocesso está se dando neste exato momento, tal qual um tsunami alerta da sua chegada causando uma espetacular maré baixa, o sol apresenta uma personalidade serena antes de soltar sua fúria final.


                Uma luz. Bilhões de anos resumidos em um forte brilho sem som.

                Agora a visão é sideral. Um flash gigantesco de uma pálida supernova que se estende em todas as direções. Visto de fora é um belo espetáculo que mais se parece com o efeito de uma pedra atirada no lago. Uma onda de luz destruidora que renova matéria, recicla existências.


                O silêncio que sempre existirá é perene no frio galáctico e o choro, de uma criança pode ser ouvido em outra parte do universo. Um planeta classe 3, onde as condições existentes permitem aos seres de base carbono constituírem uma sociedade bem similar à que existiu em outra realidade. Lá nasceu hoje uma menina cega que, em outra vida, foi capaz de assistir a morte de um rei.


                Os ciclos são grandes e pequenos. Algumas entidades vivem por minutos, outras permanecem além do que entendemos ser eternidade. Mas, em algum momento, todos deixam de existir. Isso que chamamos de morte, é uma realidade para todos e para tudo. Cada um em seu tempo próprio e, perto do fim, sempre achamos que foi pouco.