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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O DRAGÃO DA MONTANHA




Por João Oliveira
              
               Todos os guerreiros estavam sentados em volta da mesa quando o Rei levantou-se e começou a falar:

- Não podemos mais viver com esta ameaça constante! Não é possível prosperar como nação desde que este Dragão começou a cobrar partilha! Não é possível dar 50% de toda produção de nosso trigo!

- Mas majestade – disse um cavaleiro próximo ao Rei – corremos o risco de sermos destruídos, queimados, triturados se não houver tal tributo como sempre nos disse o velho sábio.

- Olhe bem! – Disse o Rei em tom áspero- Estou disposto a pagar tal preço pela liberdade. Quero cinco voluntários prontos para partir amanhã em direção a montanha e enfrentar o monstro. Levem com você o portador dos tributos - o velho sábio que duas vezes ao ano leva as mulas com o trigo para pagar o Dragão. Ele sabe onde a fera se esconde.

               Silêncio total. Um dos mais idosos cavaleiros se levantou:
- Eu vou majestade!

               Outro, igualmente velho e acabado também se anunciou como voluntário. Logo o Rei já tinha, à sua frente, cinco bons guerreiros dispostos a lutar e morrer em defesa do reino. O Rei estava curioso em saber porque só os mais idosos haviam se disponibilizado e perguntou aos jovens valentes que continuaram sentados:

- Vejo que os mais velhos estão dispostos a combater o inimigo que assombra nossas vidas. Porque os mais jovens não se apresentaram para o combate?

- Trata-se, apenas, de uma questão de estratégia Vossa majestade. – falou um dos mais novos e fortes guerreiros.

- Como assim? – Perguntou o Rei junto ao pasmo geral.

- Veja, eu e meus comandados somos uma força poderosa com muitos anos de combate ainda pela frente. Já os que se voluntariaram estão no término de suas jornadas em nosso plano.

- Sim! E daí? Onde está à estratégia nisto? – Questionou o Rei ansioso.

- Senhor, vejo nessa situação três possibilidades. Primeira: se eles forem e vencerem acabou o problema. Nós seremos poupados para outras lutas com nossos inimigos. Segunda: caso sejam derrotados os que sobreviverem poderão nos trazer informações valiosas sobre localização, tamanho, força e pontos fracos da besta, assim poderemos organizar um ataque fulminante munidos de certezas e não de medo do improvável, afinal ninguém nunca viu este Dragão de perto, só o sábio. 

- Parece realmente interessante. – Comentou o Rei

- É, mas a terceira possibilidade deve ser testada em primeiro lugar, pois, caso nenhum velho guerreiro volte com vida e da montanha só retorne o sábio a luta também estará terminada para todos nós. - Completou o guerreiro.

- Mais uma vez não lhe entendo. - Falou o Rei com a voz pequena.

- Muito simples. Caso só o sábio sobreviva posso entender que tudo é um plano dele para enriquecer as nossas custas. Não há Dragão algum, provavelmente ele está vendendo ou estocando este trigo ao longo dos anos. Assim, se o senhor acreditar que isso possa mesmo vir a ocorrer, bastam algumas horas de tortura no sábio para termos toda verdade e pouparmos as vidas de nossos idosos.

                Dito isso o Rei, pensou um pouco e se lembrou de que o portador da ameaça do Dragão havia sido o próprio sábio há muito tempo e que, de fato, ninguém nunca tinha visto tal dragão de perto, só barulhos e os incêndios na floresta. Mandou chamá-lo e apenas após duas horas de forte inquérito descobriu-se uma caverna lotada de trigo no alto da montanha. Ele planejava sumir do reino após essa última colheita com todo o lucro da venda dos seis anos de terror.

               Moral da história: Dentro de uma organização é necessário muito cuidado, pois, quem para mim traz, de mim leva. Fique atento com pessoas que sempre trazem novidades ruins ao seu ouvido, algo de ti, para o próximo, eles podem estar levando. E, ouça os mais jovens, existe sabedoria até mesmo no que julgamos ser pura inocência ou inexperiência. O bom gestor sabe ouvir, separando o que deve ser levado em consideração ou não.


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