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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A FACE NÃO MENTE JAMAIS





Por Prof. Msc. João Oliveira

         As questões ligadas a Análise Comportamental sempre elencam questionamentos quanto à validade do uso pleno da verdade contra a prática da mentira social. Sempre colocamos, em nossos treinamentos de análise comportamental, os quatro perfis mais comuns da mentira.

               Sem querer ser repetitivo, pois, já tratamos deste tema em junho/13 vale à pena colocar de novo em pauta para fomentar o debate:

1)      Mentira Social – mais presente em nossa vida atual. Não esconde nenhuma intenção maldosa grave, ocorre de forma natural e, já é praticamente esperada numa conversação social. Não há grande alteração na linguagem corporal ou nas expressões faciais. Em alguns casos o mentiroso pode exibir desprezo ou desdenho, microexpressões, de acordo com sua intimidade com o sujeito à sua frente. São observações sobre aparência, estado de ânimo ou falsas concordâncias. Nada que possa criar prejuízo ao alvo da mentira. Sem este perfil da mentira os elos sociais seriam destruídos facilmente. De fato, o próprio mentiroso não se dá conta do que está fazendo.


2)      Mentira Estratégica – Nesse caso, a intenção da mentira, que é obter algum tipo de lucro ou vantagem, provoca um estado de ânimo especial no mentiroso e, sua movimentação corporal se torna muito eloquente. Ele projeta o corpo à frente, amplia argumentos verbalizados, faz aquele movimento conhecido com olhos acima à direita (sendo destro), criando imagens em sua mente, gesticula muito etc. Sintetizando: ele quer convencer a todo custo.


3)      Mentira por Medo – aqui o mentiroso teme que, se a verdade vier a público, um prejuízo (ou punição) cairá sobre ele. Sua linguagem corporal pode tender à retração, ocultação das palmas das mãos, surge uma tendência de colocar objetos entre ele e o sujeito inquisidor. Seu olhar pode tentar fugir, as expressões faciais ficam mais tensas demonstrando medo, espanto ou raiva de acordo com o nível de pressão que estiver sendo submetido e o seu comprometimento com a falsa história relatada. O tempo de resposta muda, fica mais lento, e os pés, muitas vezes, irão apontar em outra direção, provavelmente para a porta de saída do lugar onde se encontra.


4)      Mentira de Preservação – ocorre quando o instrumento da mentira é utilizado para poupar alguém de uma notícia devastadora. Quando isso ocorre, a emoção que prevalece, nas expressões faciais, é a tristeza. O rebaixamento do tônus verbal e da postura corporal podem indicar, também, que existe algo muito ruim que não está sendo dito. Claro que a intenção de quem mente nesse caso é boa e, assim, esse se torna um bom argumento para afirmar que, às vezes, a mentira é necessária.

Fato é que não basta apenas identificarmos se a pessoa mente. O grande problema reside em saber os motivos que a levam a ter esta postura comportamental. Estas observações dos quatro tipos mais comuns estão restritas a pessoas normais e que sabem que estão mentindo. Muitas vezes a pessoa replica algo que ouviu sem ter checado se o fato realmente era verdadeiro e, neste caso, a pessoa que fala não mente, apenas relata o que tem como verdade – embora de fato não seja.

Já os profissionais da mentira – atores – ou os doentes, portadores de distúrbios, podem se tornar indetectáveis o que elimina a possibilidade de um super treinamento para dotar seres humanos da capacidade de serem polígrafos ambulantes.

Não existe um único sinal que revele a mentira e, mesmo os sinais aqui expostos podem estar relacionados ao contexto físico ambiental. Coçar o pescoço pode ser uma súbita elevação da pressão arterial e a rápida passagem do sague pelos vasos periféricos – algo que caracteriza alteração psicológica – mas também pode ser o tecido incômodo da gola da camisa.

Assim não é possível solucionar de forma tão fácil o problema da mentira. Aliás, se for mentir, faça isso sorrindo. Mesmo um sorriso falso irá tirar do cérebro a capacidade plena de atenção ao conteúdo; ocorre que fomos preparados geneticamente para valorizarmos o sorriso acima de tudo. Afinal, da correspondência ao sorriso da mãe depende a sobrevivência do bebe recém nascido. 

Já sobre a análise das emoções e suas expressões temos uma outra história e, com esta estrutura de percepção bem alinhada não há como ser, de fato, traído pelo outro numa abordagem comunicacional.

Um último alerta: jamais pense que um conhecimento como este irá trazer a solução para os problemas de comunicação se você não estiver preparado para não se deixar influenciar pelas opiniões alheias. Ao contrário, um sujeito suscetível irá sofrer muito ao perceber, nas microexpressões faciais, emoções negativas aos seus argumentos ou sua simples presença. Saber contornar e alinhar relacionamentos pela identificação de características refratárias apresentadas de forma inconsciente é o grande trunfo de um bom praticante de análise comportamental.


Próximo Treinamento 28/09/2013 em Copacabana- Rio de Janeiro – detalhes em http://isecrio.blogspot.com

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