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terça-feira, 5 de março de 2013

ATIVIDADE DESLOCADA

 

         
         Por Prof. Msc. João Oliveira

        

         Segundo o biólogo inglês Desmond Morris em seu livro de 1967, “O Macaco Nu”, podemos observar um perfil comportamental nos animais que pode ajudar a explicar algumas situações no ambiente humano. Trata-se da Atividade Deslocada: atitudes estranhas e sem nenhum propósito prático que ocorrem em momentos de grande estresse ou pressão. Funciona como uma válvula de escape para a energia que está sendo reprimida e o animal adota comportamentos que não tem nenhuma ligação com o que de fato está ocorrendo a sua volta.

            Às vezes, quando prestes a entrar em um combate, diante de um oponente mais forte, o animal pode intercalar os gestos de ameaça com movimentos alimentares, como se estivesse comendo algo invisível, ou ainda se coçar ou limpar os pelos. Algumas espécies chegam a montar abrigos imaginários no ar ou caem no sono repentinamente para logo a seguir voltar à posição de defesa ou ataque. Estes movimentos deslocados, que não possuem nenhuma função de ordem real, são atitudes do animal que se julga vencido no embate. Na verdade o máximo que podemos observar é a total paralisação de todo e qualquer movimento, colocando o animal ameaçado, em uma total inércia diante de seu opositor. Diante deste quadro, geralmente o rival cessa sua agressão e se dá como vencedor da disputa.

            Como isso ocorre em humanos?

            Podemos perceber que, quando em estado de ansiedade, desconforto, medo ou insegurança, o sujeito pode exibir o mesmo modelo de atividades deslocadas. São movimentos comportamentais sem nenhuma praticidade como: olhar o relógio repetidas vezes, se coçar, balançar os pés, mexer nas pulseiras e, hoje com a modernidade, explorar funções no celular. Além se servir como elemento de saída para a energia acumulada também funciona como estado dissociativo, retirando o sujeito, mentalmente, da área de confronto onde está colocado.

            O grande problema começa quando o último estágio, ou o mais poderoso deles, se torna real na vida de uma pessoa: a inatividade completa. Um recurso extremo para solucionar a evitação ao confronto. Óbvio que não estamos nos referindo a um combate físico e sim a luta diária pela sobrevivência. Aliás fizemos bem essa adaptação para nossos dias, tanto que falamos: -“Vou a luta!” , quando queremos dizer que estamos indo trabalhar. Essa substituição muito tem a ver com as antigas disputas por territórios entre nossos antepassados mais distantes. Então, diante de situações onde nosso sistema de defesa se encontra esgotado, o metabolismo pode se valer de uma “saída”  emergencial para retirar o corpo do elemento estressante: o sintoma/doença.

            O mecanismo parece ser o mesmo que ocorre nos primatas menos evoluídos, mas é interessante observar que, para cada tipo de confronto (trabalho) existe um perfil diferente de sintoma, que podemos considerar como uma atividade deslocada de último nível. O exemplo é que, quem trabalha com a voz, poderá desenvolver algum sintoma que o impeça de falar ou cantar. No entanto esse sintoma dificilmente irá ocorrer em um lutador de boxe, pois ele não depende da voz para atuar em seu ramo profissional. Neste caso a maior incidência é de doenças de pele. Cabe-nos observar com maior atenção o surgimento destas “Atividades Deslocadas” logo no inicio, antes de tornarem sintomas e, vale lembrar, que a doença psicossomática não é menor em sofrimento para o sujeito. Penso que, no futuro poderemos prevenir o surgimento de doenças que possam limitar o sujeito em seu esforço produtivo, se conseguirmos identificar, com acuidade, o comportamento deslocado persistente.

            Sintomas comuns como alergias, disfunções fisiológicas, cefaleias ou até mesmo TOCs, podem ser resultado de uma “Atividade Deslocada” não percebida em seus momentos iniciais que, por ser desconhecida do sujeito, foi migrando e ampliando até um ponto culminante de colocá-lo na inércia de fuga através do sintoma manifesto.

            Isto não significa que toda “Atividade Deslocada” deve gerar um sintoma futuro mas, a observação da quantidade de ocorrências, como as descritas aqui, pode nos indicar que algo precisa mudar para evitarmos danos posteriores. Lembrando sempre das palavras de  John Milton:  "A mente não deve ser modificada pelo tempo e pelo lugar. A mente é o seu próprio lugar e, dentro de si, pode fazer um inferno do céu e do céu um inferno." 

            Quem escolhe sou eu, e você mesmo!


       
           
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