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quinta-feira, 5 de julho de 2012

INVEJA!




A palavra sugere um sentimento ruim que aparece quando alguém, diante do outro, se vê inferiorizado por não possuir algo que este outro ostenta: bens materiais, atributos físicos ou psicológicos. Ocorre mais entre amigos, parentes e casais do que gostaríamos, pois, a proximidade, permite uma comparação maior entre pessoas e é, por comparação da trajetória similar, com resultados diferentes, que o sentimento invade quem se julga fraco ou impotente. No entanto, na origem da palavra em latim “invidere”  tem outro significado: não ver.

                Invidere, portanto, significa não ver as próprias qualidades, pois está prestando mais atenção nos resultados alheios do que em seus atributos pessoais. O outro pode servir como referência, modelo para ser seguido, e isto é saudável, mas desejar viver a vida do outro é desprezar a própria vida. A inveja surge quando o sujeito acredita na sua imobilidade, na falta de condições de alcançar o objeto de seu desejo.

                Decodificando a inveja, passo a passo, podemos entender que, caso seja bem direcionada, pode ser usada como elemento de motivação. No primeiro momento o sujeito dispara a cobiça, ambição, ao ver no outro algo que deseja para si. No instante seguinte ele analisa suas condições e, ao se julgar incompetente e menos capaz surge o segundo elemento: raiva.  Se o processo prosseguir, sem que o sujeito procure um caminho de resolução –  lutar pelo que quer – irá se instalar o sentimento que poderá arruinar sua vida: a tristeza.

                Dois mecanismos podem surgir daí:

1)      No momento em que a raiva aparece o sujeito pode direcionar os recursos catalisados por esta emoção para agir no mundo em busca do que deseja e, viu no outro como parâmetro. Um processo positivo.

2)      Na impossibilidade de ver suas próprias aptidões e, com a tristeza instalada, o sujeito se torna agressivo  e tenta justificar o sucesso alcançado pelo outro de forma negativa ou pejorativa. Isso se amplia e começa a destruir a saúde física e mental do portador deste perfil da inveja.

                Em todos os lugares que lemos sobre a inveja somos alertados do mal que ela pode fazer as pessoas. É verdade! Só que este mal não alcança a pessoa que ostenta, por vaidade ou não, suas conquistas pessoais, na verdade o mal entranha e destrói a pessoa que, em sua absorção da tristeza e raiva, acaba por apresentar sintomas dos mais variados pelo corpo. A doença física acaba por surgir no invejoso.

                Em tempo: a melhor defesa contra a inveja alheia é a indiferença. Faça de conta que tal pessoa não existe. Caso ocorra o contato direto, trate-a com respeito e ponto final.

                Não somos invejosos por natureza. Este sentimento é uma condição que pode surgir entre a comparação do ter (outro) e o não poder (ser si mesmo). Apenas uma análise mais aprofundada  do próprio sujeito, que pode ser feita por ele mesmo, pode transformar este movimento em algo positivo e motivador. Se atrelada em seu início, a um objetivo de busca, a inveja  não chega a crescer e dominar o sujeito pois, ao ver suas próprias qualidades e a possibilidade de vitória, ele mira na trajetória pessoal  e segue em frente esquecendo do outro, que foi seu ponto de partida.

                Podemos então ter o outro como referência: se ele conseguiu, eu também posso! A inveja sempre é representada como tendo a cor verde, isto deve ser um sinal que ainda há esperança, para isso deve-se olhar para os recursos disponíveis e potencializa-los na direção correta. Quando alcançarmos nosso objeto de desejo é bom que tenhamos em mente que, sempre existirão pessoas sem a capacidade de ver suas própria excelências, virtudes,  e nos terão como alvo e não como um bom exemplo.  

João Oliveira
Psicólogo CRP 05/32031

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