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sábado, 9 de abril de 2011

Monstro ou vítima?


Ninguém nasce monstro. Todos nascemos puros e, a despeito da carga genética, hoje sabemos que, mesmo aqueles que portam uma herança qualquer em seu código, vai necessitar do estímulo externo, um gatilho, para o sistema se armar ou não. Existem pessoas, por exemplo, com pré-disposição para o câncer que nunca irão manifestar a doença. Então a genética não é uma sentença, é mais uma possibilidade.

O que nos torna monstros, ou não, é a própria sociedade com seus rígidos padrões de comportamento. Beleza, sucesso, inteligência são requisitos básicos para qualquer um que queira ter um modesto ambiente social. Na idade adulta isso pode ser massacrante e causar angústias, mas é na infância que se forma o caráter.

Uma criança que não recebe o afeto nos primeiros dias, que não recebe o toque com a intenção própria do amor, pode ter sérios danos em suas estruturas cerebrais para sempre. Uma pesquisa feita (ainda em andamento) com órfãos de guerra no Kosovo, onde ocorreu o massacre da população cível entre os anos de 1998 à 1999, na Iugoslávia, demonstrou que as crianças sem afeto nos primeiros meses ou anos, demonstram altos índices de violência e diferentes graus de apatia. Muitas, dessas crianças que, na época eram recém nascidos, desenvolveram comportamento anti-social e são incapazes de responder ao afeto dos pais adotivos. O mais surpreendente é que, a nível consciente, elas querem mudar e, estão sendo submetidos a tratamento psicológico, mas são crianças com danos em conexões sinápticas ou, que nem chegaram a se formar corretamente e, a reversão deste quadro, é um processo difícil e até mesmo, pode ser provado ao término da pesquisa, impossível.

Cabe a nós, responsáveis pelo bom andamento da sociedade, não varrer o lixo para debaixo do tapete. O olhar apurado e o cuidado extenso têm de ir além da nossa calçada. Uma futura vítima de um monstro assassino pode estar dentro de casa, essa vítima pode ser o filho de quem tanto cuidamos mas não vemos ao redor dele, lá fora. O cuidar e zelar devem ser externos também, pois, não basta dar carinho e boa educação aos nossos, isso é obrigatório, dever, não existe vantagem para ser contada em rodas de conversa sobre isso. A atenção, então, deve estar voltada também para o entorno deles onde a exclusão de um elemento pode transformar, esta criança, num possível criminoso ou assassino.

Partindo deste raciocínio, até certo ponto egoísta, cuidar dos outros menores é estar protegendo os nossos. Se isso for o bastante para acelerar o crescimento de uma nova forma de ver o social, que seja egoísta: “ - Faço isso, não por você, mas pelo medo que tenho que venha a fazer mau a mim, ou aos meus, no futuro!”

Não importa a motivação. Neste caso de vida ou morte, onde massacres futuros poderão ser evitados, qualquer motivação é válida, mesmo as mais individualistas. Às vezes, quanto, em consultório, um paciente demonstra um alto grau de estado depressivo, fazer brotar nele um pouco de raiva, que é um sentimento entendido como negativo, pode ser o suficiente para fazer voltar sua motivação. Ele busca agora, com raiva, mostrar a todos que é capaz! Como uma forma de vingança ele reage positivamente. O sentimento, portanto, pode ser um motor construtivo ou destrutivo dependendo do foco principal.

Agora choramos os mortos, não há consolo nem acusações aos que ficam. A cegueira social pagou um preço alto que ainda cobrará juros por um longo período.

Olhe ao seu lado, por cima no muro se necessário for, existe alguém que precisa de atenção? Existe uma criança, um anjo, que pode estar sendo submetida a pressões transformadoras?
Então faça o que acha ser necessário, pois, elas crescem, ficam fortes e, às vezes, voltam, para se vingar daquilo que julgam ter sido seus opressores.

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