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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

TÉCNICAS MODERNAS DE TRANSE HIPNÓTICO


Resumo da Palestra apresentada pelo Psicólogo João Oliveira no II Congresso Brasileiro de Hipnose Clínica e Hospitalar, ocorrido nos dias 2, 3 e 4/10/09 no Hospital Phillipe Pinel no Rio de Janeiro.

1- HIPNOSE CLÍNICA CLÁSSICA


1.1 - HIPNOSE BRAIDIANA

O padrão mais conhecido do “Transe Hipnótico” , melhor chamarmos de Estado Alterado de Consciência –para evitar o preconceito que este termo carrega–, nasce com Jame Braid, médico, nascido em Fifeshire, Escócia, em 1795. No ano de 1841, Braid assistiu, na Inglaterra, uma experiência onde La Fontaine, o autor de antológicas fábulas, se apresentou com o magnetismo e seis semanas depois já dava sua primeira palestra sobre o tema. Criou o nome Hipnotismo. Acreditava que o fenômeno era de origem mecânica e utilizava procedimentos de induções estritamente físicas.
Braid escreveu que o estado de transe é conseguido pela fadiga dos órgãos sensoriais, especialmente a visão. Para isso se faz necessário obrigar o paciente a receber estimulação continuada, monótona e persistente durante um certo tempo. Este padrão também pode ser conhecido como Hipnose por Fascinação. Embora seja o primeiro, ele não constitui modelo clássico de consultório.

1.2 - HIPNOSE ERICKSONIANA

Milton Erickson (1901-1980) é, sem dúvida, o pai da hipnose usada no site psicológico. Fez medicina e foi um desconstrutor de conceitos de aprofundamento do transe e sugestionabilidade. Introduziu a abordagem naturalista, permissiva e indireta. Sua relação com a hipnose é proporcional à relação de Einstein com a física. Percebeu a natureza multidimensional do transe, que se modifica de pessoa a pessoa e percebeu que há uma indução especial e única para cada paciente, fazendo com que o paciente se torne seu próprio indutor, dentro de uma técnica bastante ágil.
Este é o perfil do transe mais utilizado no atendimento a pacientes em todo o mundo até os dias de hoje.

2- TÉCNICAS MODERNAS DE HIPNOSE

2.1 - VISUALIZAÇÃO CRIATIVA
“As imagens mentais são um tipo de pensamento usado para fazermos contato com a nossa realidade subjetiva."
Dr. Gerald Epstein


Esta técnica foi desenvolvida pelo psiquiatra americano Gerald Epstein. Em 1974, Epstein conheceu Colette Aboulker-Muscat, psicóloga e professora franco-argelina que o iniciou no processo de visualização mental e com quem estudou por nove anos. Em 1978, fundou o Instituto Americano de Visualização Mental, objetivando treinar profissionais da saúde e fornecer orientação ao público. Suas incessantes pesquisas na área da visualização e da consciência resultaram no livro Imagens que curam, publicado, originalmente, em 1984 e traduzido em onze idiomas.
O método para a elaboração das imagens mentais deve tratar diretamente do problema apresentado de forma mecânica. Seja um pequeno ser que entra pelas narinas ou boca e destrói o mal, ou uma purificação de todo organismo pelas moléculas de oxigênio. Seguindo o princípio que os sonhos, utilizando da forma simbólica, acontecem durante o sono fisiológico como uma forma natural de buscar o equilíbrio entre as dissonâncias diárias. Dessa maneira, é importante que o organismo fique relaxado e possa desfrutar de um descanso reparador. Paralelamente, a visualização criativa, mesmo fora do estado de transe, usa o mesmo método para auxiliar na reparação dos males no organismo: são sonhos que temos acordados!
O profissional deve usar a criatividade. Não é aconselhável se alongar nas visualizações, pois o sujeito pode ter dificuldade em repetir depois. Uma fita, de preferência com a voz do paciente, seguindo todos os passos pode ser a melhor forma de conseguir excelentes resultados.

2.2 - HIPNOSE POSTURAL

A Hipnose Postural nada mais é que a aplicação da leitura da linguagem corporal no site psicológico no intuito de ampliar o rapport ao ponto de interagir emocionalmente com o sujeito, facilitando, assim, a aquisição do transe. É sabido que nossa comunicação verbal não chega a 30% de tudo que passamos para o outro. Em verdade, o corpo diz mais sobre o que pensamos e como pensamos do que nossas palavras.
Utilizar essa técnica associada às já conhecidas nos dá duas grandes vantagens:
-entender o que se passa com o outro facilitando o rapport;
-saber controlar a própria comunicação corporal e lidar com nossas próprias emoções!

2.3 -HIPNOSE MECÂNICA OU INSTRUMENTAL

A utilização de aparelhos que possam facilitar o estado de transe já é uma realidade, o ISEC possui quatro PSICOTRONS que são utilizados diariamente por psicólogos que atuam com Hipnose Clínica. Estruturado de modo a prover fadiga sensorial no maior órgão do corpo humano – a pele – o PSICOTRON vibra em toda sua estrutura, ao mesmo tempo que executa um cd com uma música ambiente, pisca luzes na direção dos olhos e registra todas as alterações na atividade da resistência galvânica.
Sob o comando direto de um psicólogo, esse instrumento é um grande facilitador que dá, ao operador, um retorno seguro do que ocorre em nível emocional pela modificação, ou não, da resistência galvânica.
Almofadas e poltronas que vibram, Cds de mantra, ozonizadores de ambiente, luzes em tons frios e até os celulares modernos são outros instrumentos que podem ser utilizados para ajudar na obtenção do transe em consultório.

2.4 - HIPNOSE SEMÂNTICA

Conceito trabalhado –por mim– em consultório com a utilização, durante o estado normal ou alterado de consciência, de palavras de forte conteúdo de valores em nossa sociedade: Pai, Mãe, Sexo, Morte, Comida e Dinheiro.

Valores afetivos nas palavras: pai e mãe;
Valores existenciais nas palavras: sexo (Eros) e morte (Tânato);
Valores do capital nas palavras: comida e dinheiro.

Com o medidor de resistência galvânica ou uma observação atenta aos sinais idiossincráticos, ou seja, manifestados pelo inconsciente do sujeito, pode-se ir aferindo as alterações do peso simbólico de cada palavra ao longo por processo de ressignificação e estruturação do sujeito.
Ainda, valendo-se do processo semântico, pode-se usar a força da palavra com uma indução onde a ancoragem se faz no pensar, falar ou ouvir de cada palavra do nosso idioma. Com esse processo, por mim desenvolvido, para aplicação nos meus pacientes, temos obtido bons resultados na recuperação de vários desses pacientes e em diversos sintomas comportamentais e psicossomáticos.


Indução das Vogais

Para cada vogal dita, pede-se ao sujeito que inspire lenta e profundamente ao mesmo tempo em que se auto-imagina tendo um comportamento desejado.
O processo se repete com cada uma das cinco vogais, sempre com um novo comportamento desejado.
Ao final o profissional psicólogo reforça o comando que, a cada palavra dita, pensada ou ouvida, o som de cada vogal irá reforçar o comportamento a ela relacionado. Como durante todo o dia os sons das vogais inundam a nossa cognição esse reforço é contínuo.

3- CONCLUSÃO

A Hipnose é uma ferramenta em construção.
As tecnologias associadas a uma nova maneira de se entender o humano como um ser verbívoro, aquele que se alimenta da linguagem, aproveita recursos nunca antes tocados. Isso torna a psicoterapia algo profundamente ligado à própria (r)evolução dá pósmodernidade.

Há uma busca incessante dos mecanismos que nos fazem seres capazes de nos autocurarmos ou, no desajuste dessa linguagem interna, criar sintomas cada vez mais difíceis de serem diagnosticados nos microscópios feitos com lentes de vidro.

Nossas lentes são feitas de letras, palavras, pensamentos: linguagem. Afinal estamos no futuro e voltamos ao princípio, onde tudo era o verbo!

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