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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pedras no caminho da dinastia

Do Blog do Roberto Barbosa, siga o link no título da matéria

Perto de completar 20 anos de emancipação política, a cidade de Quissamã, no Norte Fluminense, é de longe a maior beneficiada com royalties do petróleo na Bacia de Campos. Tem uma população ínfima, de 17 mil habitantes. Seu orçamento anual chegou a R$ 200 milhões, mas com a crise mundial e a conseqüente queda na cotação do barril de petróleo, estima-se que este ano a cidade vai trabalhar com o orçamento de R$ 150 milhões.

Ainda assim, para uma cidade do tamanho de Quissamã, cuja demanda social e deficiência de infraestrutura passa longe dos problemas enfrentados por cidades vizinhas, como Campos e Macaé, é uma arrecadação considerável, que salta aos olhos da classe política e empreiteiros de obras públicas.

Com uma renda per capta de 147.312, uma das maiores do país, a pequena cidade poderia gozar de uma contrapartida do poder público incomum para os padrões brasileiros. O que se vê internamente, no entanto, é uma população dependente da folha de pagamento da Prefeitura. Uma dependência que foi gerada ao logo dessas duas décadas por uma administração familiar, uma sucessão dinástica, adepta do uso da estrutura de poder público para capitalização de votos e popularidade.

A Prefeitura tem 1.800 servidores concursados e milhares de prestadores de serviço. Isso quer dizer que mais de 10% da população recebe salário do governo. Recentemente, quando as circunstâncias exigiram a demissão de 300 trabalhadores, a cidade sentiu o baque. O comércio veio a pique devido a contração no fluxo de renda.

A política local é dominada por dois ramos da família Carneiro, descendentes de fazendeiros que foram contemplados com título de nobreza no período do império. Na época, Quissamã era uma grande fazenda.

Octávio, um senhor bonachão, que goza de simpatia entre a população, governou a cidade por oito anos. Foi sucedido pelo primo Armando, que está reeleito para um segundo mandato. Atualmente são adversários políticos e se enfrentaram na última eleição, numa disputa de titãs, onde o uso da máquina administrativa e um gasto desmedido foi o fator determinante para que o resultado fosse favorável a Armando.

A discórdia entre os dois seria fruto do poder desmedido da primeira dama no governo. Ela é uma espécie de czarina da cultura local. Este ano torrou 50% de um orçamento de R$ 8 milhões destinados a pasta.

Com apenas cinco meses desde que iniciou o segundo reinado, a família Carneiro se vê diante de ameaças a esta sucessão familiar. Pipocou na Câmara de Vereadores, um movimento de independência do legislativo em relação ao governo municipal. O grupo detém maioria. Neste movimento, pelo menos, dois nomes sinalizam uma projeção para o pleito de 2012: a vereadora petista Fátima Pacheco e o presidente do legislativo Nilton Pinto (PSC).

Aos 43 anos, Fátima é assistente social com mestrado em planejamento regional e gestão de cidades. Foi secretária de Promoção Social no município. Está no segundo mandato de vereadora, e tem uma forte inserção nos movimentos sociais. É cotada como forte candidata, apesar da distância do pleito, e reúne todas as condições para romper o ciclo de dominação familiar da cidade.

Nilton Pinto foi secretário de controle da administração municipal. É considerado um mago na gestão de finanças. Em seis meses na presidência da Câmara, já tem R$ 600 mil em caixa para iniciar a construção de uma sede própria para o legislativo. Implantou uma administração transparente, em que divulga balancetes de todas as atividades financeiras da Câmara, inclusive gastos dos vereadores.

É uma nova geração que emerge no cenário, provocando calafrios à dinastia que tenta manter-se no poder apelando até para o sensacionalismo religioso. Recentemente, Armando Carneiro utilizou-se de um programa de rádio para divulgar que foi curado de uma doença por meio de um sabonete ungido por um pastor evangélico.

Enquanto a dinastia apela, o legislativo avança com uma pauta de discussão abordando os temas que aflige diretamente a população, como abastecimento de água, ordenamento no trânsito, alternativa de trabalho e renda, e transporte coletivo.

Emprego e Renda

Alternativa de trabalho e renda é algo que a cidade não pode desprezar. Existe uma Quissamã que chega aos municípios vizinhos por meio de uma forte campanha publicitária e uma Quissamã real para os seus moradores. Esse choque de realidade desnuda uma cidade com sérios poblemas. Sua Zona Especial de Negócios (ZEN) tem apenas uma empresa funcionando.

A empresa recebeu recursos municipais para se instalar na ZEN, e ninguém é capaz de apostar no seu futuro. Há um temor de que ela repita o fracasso da cooperativa que produzia água de coco, que recebeu somas consideráveis do poder público municipal e naufragou. A última aposta da população para o futuro no mercado de trabalho é o estaleiro que será construído em Barra do Furado, na divisa com Campos. Só que a cidade não dipões de mão-de-obra qualificada.

Diante do compasso do tempo e do surgimento de novas lideranças no plano político, a dinastia dos Carneiros usa todo o poder de sedução que lhe resta para cooptar adversários, e assim retardar ao máximo o fático dia em que terá que passar o bastão deste emirado do Norte Fluminense.

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